Oriente Próximo

Drone iraniano conclui missão de reconhecimento em águas internacionais

Exército do Irã perdeu contato com aeronave após missão vitoriosa; EUA afirmam ter derrubado drone

Um drone de patrulha e vigilância das Forças Armadas do Irã concluiu, na terça-feira (3), uma missão de reconhecimento em águas internacionais. A aeronave, identificada por uma fonte ouvida pela agência Tasnim como um Shahed-129, realizou monitoramento e registro de imagens “de rotina” e “legal” no Mar da Arábia, antes de ocorrer a interrupção de comunicação com o centro de comando.

A notícia foi publicada em meio a informes, veiculados por veículos em inglês, de que forças dos Estados Unidos teriam alvejado um drone iraniano nas proximidades do porta-aviões USS Abraham Lincoln. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) afirmou, em nota, que teria atingido a aeronave para “proteger” suas tropas, alegando “autodefesa” e dizendo não ter intenção de “escalar tensões”.

Missão de vigilância e perda de contato

De acordo com a agência Fars, o objetivo principal de drones de vigilância do tipo empregado pelo Irã é acompanhar, em tempo real, movimentos militares nas áreas adjacentes ao país, com transmissão e recebimento de dados por bases terrestres “em tempo real”. A mesma cobertura afirma que a missão realizada pelo Shahed-129 era “rotineira” e compatível com procedimentos usuais em espaço internacional.

A fonte ouvida pela Tasnim declarou que o drone estava em “missão rotineira e legal de reconhecimento, monitoramento e registro de imagens em águas internacionais”, o que caracterizou como “procedimento padrão e lícito”. Segundo o relato, todo o material coletado foi transmitido com sucesso ao centro de comando antes de a comunicação ser interrompida.

A mesma fonte acrescentou que, após a transmissão, “o contato foi perdido”, e que a causa da desconexão está “sob investigação”, com a promessa de divulgação de novos detalhes após a conclusão das apurações.

Reforço militar dos EUA e advertências do Irã

Os episódios foram reportados em meio ao reforço militar dos Estados Unidos na Ásia Ocidental, incluindo o Golfo Pérsico, e a declarações do presidente Donald Trump, que voltou a falar em “nova agressão” contra o Irã. Autoridades iranianas, incluindo comandantes militares, têm respondido com advertências públicas, afirmando que haverá reação diante de qualquer novo ataque.

No sábado (31), o líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei, declarou que uma guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã “se transformará em uma guerra regional”. Khamenei afirmou que a retórica de guerra e a movimentação de meios militares “não são novidade” e acrescentou: “os norte-americanos devem saber que, se começarem uma guerra desta vez, será uma guerra regional”. O líder iraniano também disse que ameaças e demonstrações de força não intimidariam a nação iraniana.

Diplomacia regional e conversa com os EUA

Paralelamente ao episódio envolvendo o drone, avançaram relatos sobre esforços diplomáticos para evitar um ataque norte-americano e sobre tratativas entre Teerã e Washington. Segundo a AFP, Arábia Saudita, Catar e Omã teriam conduzido um esforço diplomático coordenado em 15 de janeiro para dissuadir Trump de autorizar ataques, apontando o risco de repercussões regionais diante da concentração de bases e ativos militares dos EUA no Golfo.

No mesmo dia, fontes diplomáticas em Teerã disseram à emissora libanesa Al Mayadeen que um “país amigo” na região teria informado o Irã de que Washington recuou de planos de ação militar após reavaliar riscos de segurança e custos de uma operação de grande escala, incluindo possíveis consequências e a avaliação de condições internas no Irã. Apesar desse suposto recuo, autoridades iranianas afirmaram permanecer em estado de alerta, mantendo canais diplomáticos abertos.

Na terça-feira (3), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que o planejamento para conversas com os Estados Unidos “nos próximos dias” foi concluído e que ainda havia consultas sobre o local das negociações. Baghaei agradeceu a países que atuaram para facilitar um processo diplomático e afirmou haver apreço por “todos os países amigos” que buscaram “criar condições” para o diálogo.

O porta-voz também pediu que o tema não fosse alvo de especulação e afirmou que data e local não deveriam ser usados como pretexto para manobras. Segundo Baghaei, Turquia, Omã e outros países da região manifestaram disposição para sediar as conversas.

Veículos internacionais mencionaram a possibilidade de que as reuniões ocorram em Istambul. A agência Reuters relatou, na segunda-feira (2), que Irã e Estados Unidos estariam planejando nova rodada de negociações voltadas ao programa nuclear iraniano, citando autoridades e diplomatas não identificados. Ainda segundo esse relato, as conversas envolveriam o chanceler Abbas Araghchi e o enviado especial norte-americano Steve Witkoff, com participação de representantes de Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Egito em reuniões bilaterais e multilaterais. A mesma hipótese também foi publicada pelo sítio norte-americano Axios.

As informações foram divulgadas após declarações do dirigente Ali Larijani, que afirmou haver progresso em uma estrutura para conversas sobre o tema nuclear e rejeitou especulações sobre um ataque norte-americano ao Irã. Em seguida, Trump declarou que o Irã teria iniciado comunicações com o governo dos Estados Unidos.

Autoridades iranianas já rejeitaram exigências norte-americanas ligadas a um eventual acordo, como a interrupção total do enriquecimento de urânio e restrições ao programa de mísseis do país. Em paralelo, Teerã tem reiterado que responderá de forma decisiva a qualquer nova agressão militar.

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