Com a ausência de um programa para a classe trabalhadora, a esquerda acaba recorrendo aos métodos da direita. Podemos ver isso na recente postagem de Eduardo Bueno, o Peninha publicado no TikTok, onde o escritor ataca os evangélicos, diz que “Evangélico tem que ficar no culto, tem que ficar pastando junto com o pastor. Devia ser proibido evangélico votar, porque eles não votam para pastor! Por que eles têm que votar para vereador, para deputado estadual, etc?”.
Será que Bueno já parou para pensar que nenhum católico, exceto uma casta, vota para o Papa? E quem vota nos padres das paróquias?
Eduardo Bueno está em condição de dizer o que as pessoas devem fazer? Quem deu a ele esse direito?
Em 18 de agosto de 2024, em uma postagem no TikTok, Bueno defendeu que Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizasse contra bolsonaristas meios “menos ortodoxos”, ou “fora dos ritos”, os mesmos métodos que ele condenou na Laja Jato, apesar de alegar que seriam diferentes.
Bueno ataca os bolsonaristas porque os enxerga como autoritários. No entanto, prega o uso de métodos igualmente autoritários. O que vai dizer em seu favor é que os bolsonaristas seriam antidemocráticos; ao passo que ele prega o autoritarismo em defesa da democracia.
Atirando a esmo
O fato é que a maioria da esquerda não tem um programa, aderiu à defesa da democracia burguesa, não têm nada a oferecer, por isso suas propostas são sempre negativas; ora contra Bolsonaro, contra o fascismo, fim da jornada 6×1 etc. Nesses dias coincidiu o ataque contra os evangélicos. Atiram para todos os lados para ver se acertam alguma coisa.
Um exemplo disso é o artigo The Send Brasil: os enviados do imperialismo diabólico para destruir a sociedade brasileira, de Ricardo Nêggo Tom, publicado no Brasil 247 nesta segunda-feira (2).
O texto inicia mencionando um evento, “The Send (Os Enviados) trazido para o Brasil em 2020, pelas mãos de Damares Alves, então ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, e contando com a presença do então presidente da república, Jair Bolsonaro, e do pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha – recentemente associado a fraude contra os aposentados na CPMI do INSS”. Como se vê, existe uma alusão à corrupção, um dos temas preferidos da direita.
O artigo é um relato de como evangélicos estão se articulando para influenciar cada vez mais na política, bem como têm objetivo de “atingir pontos específicos dentro das nações, e instrumentalizá-los religiosamente para fins políticos. Universidades, escolas secundárias, crianças em situação vulnerável e comunidades locais são os alvos principais do projeto”.
Ficar reclamando não adianta. Em contraposição, quais são as propostas da esquerda para o ensino? Em vez de lutar por escolas públicas e gratuitas para todos, e ensino de qualidade, o identitarismo se infiltrou na esquerda e apenas se fala em cotas raciais, cotas trans, que são uma política muito limitada.
Fazer alarde em torno de uma tal Teologia do Domínio, grupos evangélicos de extrema direita. Dizer que existe uma proposta semelhante do bispo Edir Macedo, não adianta se a esquerda não for propositiva.
Segundo o texto, um certto Ralph Drollinger (fundados do Ministério do Capitólio) esteve na ALESP e procurou um deputado estadual do Republicanos, partido fundado por Edir Macedo e tenta descrever articulações políticas.
O texto caminha por longos 10 mil caracteres. Diz, por exemplo, que “quando Deltan Dallagnol – o profeta do powerpoint – se coloca de joelhos diante dos jovens presentes ao The Send na Arena Pernambuco, e clama para que Deus “afaste do cargo aqueles que praticam corrupção, que abusam do poder, que praticam injustiça”, ele reforça este conceito de guerra espiritual e acende nos jovens e adolescentes um desejo de mudança na sociedade”.
Nunca se pensou tanto nos jovens como atualmente. Uma hora é a “adultização”, o Discord, as redes sociais, o acesso à internet. E o que a esquerda propõe para esses cidadãos? Censura. De que lado essas pessoas vão ficar, da igreja, ou das pessoas que as querem impedir de utilizar o celular?
Nêggo Tom trata essas articulações dessas igrejas e pastores como algo diabólico, e que, se referindo a Dallagnol “mais diabólico que isso, só condenar alguém sem provas, mas com muita convicção”.
Identidade
Essa esquerda identitária, que denuncia que nessas igrejas, “se você pensar diferente, você é banido. Se você for contra ideologia de gênero, se você for contra o aborto, se você for contra práticas homossexuais, se você for contra essa cultura, você é ridicularizado”, utiliza os mesmos métodos. Cancela as pessoas, chama de gado, negacionista etc.
Enquanto os evangélicos atraem os jovens pela música, os identitários ficam processando cantoras por mudarem letras de suas canções; ou acusam de “apropriação cultural” quem se veste, ou canta, desta ou daquela maneira. Quem vai querer se aproximar disso?
Os evangélicos são mais espertos, incluem as pessoas, enquanto a esquerda identitária separa.
O articulista esse movimento evangélico de “recorrer ao discurso moralizante e ao apelo espiritual para resolver os problemas do país”, mas é exatamente isso que fazem os identitários, o tempo todo ficam falando em “reparação histórica”, como se os brasileiros fossem culpados pelo que aconteceu no tempo do Brasil Colônia.
Essa esquerda falha porque não tem nada a oferecer, tudo o que sabe fazer é agir do mesmo modo daqueles que critica: a direita; e existe aí uma identidade, pois o identitarismo é uma ideologia liberal.
Com a crise aguda do imperialismo, a direita entrou em uma etapa ofensiva. Abandonar as bandeiras históricas da classe trabalhadora apenas tem auxiliado o avanço da extrema direita e de todo tipo de oportunistas.




