Movimento operário

CUT se manifesta contra medida ditatorial de Alexandre de Moraes

Nota aponta que a medida atinge diretamente o bolso e a segurança jurídica de milhares de trabalhadores dos Correios

Nesta segunda-feira (2), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) emitiu uma nota oficial de forte repúdio contra uma decisão liminar do Ministro Alexandre de Moraes que suspende benefícios cruciais da categoria, revertendo o que havia sido garantido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) após a greve de dezembro de 2025.

A nota aponta que a medida, tomada a pedido da direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), atinge diretamente o bolso e a segurança jurídica de milhares de funcionários. Entre os itens suspensos, destacam-se o ticket extra, a gratificação de férias de 70% e os adicionais por trabalho em dias de repouso. No entanto, o ponto que gera maior temor é a alteração no custeio do plano de saúde, que ameaça deixar funcionários da ativa e aposentados em situação de vulnerabilidade em um cenário de inflação e custos médicos elevados.

Enquanto o TST, por meio de uma sentença normativa, buscou pacificar o conflito pós-greve mantendo direitos históricos, o STF interveio sob o argumento de atender a recursos da estatal, o que a CUT classifica como um “retrocesso para a justiça do trabalho”.

Para a central sindical, a decisão ignora o fato de que os trabalhadores já enfrentam um longo período de salários congelados. “A decisão amplia perdas imediatas e atinge o orçamento familiar, as condições de trabalho e o direito ao descanso”, afirma a nota da direção executiva da CUT.

A nota ressalta que o debate não é apenas financeiro, mas sobre o modelo de serviço público no país. Os Correios operam em todos os 5.570 municípios brasileiros, sendo muitas vezes o único elo de comunicação e logística em regiões remotas do interior do Norte e Nordeste. 

A CUT promete manter a mobilização nacional, pressionando o Governo Federal por uma saída negociada que respeite o dissídio coletivo aprovado originalmente pelo TST. O caso agora aguarda o julgamento do mérito no plenário do STF, o que deve definir o rumo das relações de trabalho em todas as estatais brasileiras nos próximos anos.

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