Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

No BB, mais uma cama de gato contra os trabalhadores

As mudanças preveem a criação de mais de 1.100 novas funções comissionadas, cujo o foco é atingir o público de alta renda e o agronegócio

Em 27 de janeiro, a direção do Banco do Brasil implementou mais uma etapa das famigeradas “reestruturações” em curso na empresa.

Desta vez, o processo ocorre na rede de varejo, isto é, nas agências físicas que atendem clientes e o público em geral.

As mudanças preveem a criação de mais de 1.100 novas funções comissionadas, com ênfase no atendimento ao público de alta renda e ao agronegócio (latifundiários). Ocorre que, mais uma vez, a reestruturação altera os remanejamentos de pessoal nas agências, abrindo vagas em algumas e encerrando-as em outras e, assim, deixa o funcionário à mercê da direção do banco. Ainda que as transferências ocorram dentro do mesmo município, como afirmou o banco, o trabalhador considerado excedente em sua agência terá de se deslocar, na maioria dos casos, 50, 60 ou 70 km a partir de sua lotação de origem, geralmente próxima de sua residência.

Além disso, o banco insiste em manter sua política de atacar o direito legal dos bancários à jornada de 30 horas semanais e prioriza “novas” comissões de oito horas diárias, ignorando essa legalidade.

Essas mudanças nas agências vão no sentido de aprofundar os ataques aos bancários do Banco do Brasil e preparar o processo de privatização, como já vem ocorrendo com o fechamento de centenas de agências, demissões por meio de PDVs (Planos de Demissão Voluntária), extinção dos caixas-executivos e da tesouraria, descomissionamento em massa, etc.

No começo do ano, o banco implantou uma nova determinação de ampliação da jornada de trabalho de oito horas nas dependências administrativas para assessores das Unidades Estratégicas (UE), inclusive os de TI (técnicos em informática), categorias cuja jornada de 30 horas semanais é garantida por lei.

Essas mudanças, sem dúvida, vão no sentido de transformar o BB em uma instituição voltada a favorecer meia dúzia de acionistas especuladores do sistema financeiro.

Nesse sentido, o Sindicato dos Bancários de Brasília saiu em defesa dos trabalhadores do Banco do Brasil e do papel do banco como instituição pública e de qualidade. O presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Rodrigo Brito, declarou: “Lamentamos não enxergar nesta reestruturação nenhum movimento de fortalecimento da responsabilidade social e pública do banco e nenhum indicativo de concurso para agente comercial. Também não permitiremos que qualquer colega do BB seja prejudicado” (“Bancários DF”, 30/01/2026).

É necessário dar uma resposta a mais essa medida do banco, que ataca os direitos dos trabalhadores e o Banco do Brasil enquanto empresa pública, com papel social voltado ao atendimento das necessidades da população brasileira. Os sindicatos de luta devem se somar à iniciativa do sindicato de Brasília e organizar uma gigantesca mobilização para barrar a ofensiva reacionária da direção do banco.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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