Ontem, dia três, foi publicada uma coluna de autoria de Francisco Calmon, no Brasil 247 intitulada “O governo e os democratas têm tudo para alterar a histórica correlação de forças em SP”, na qual o colunista analisa possíveis chapas para a candidatura de governador no estado de São Paulo.
Segundo Calmon, há algumas pessoas que poderiam ser candidatas:
“O naipe formado por Haddad, Marina e Simone Tebet, é uma trinca que estremece a extrema-direita comandada por Tarcísio.”
Segundo o autor da matéria, portanto, a melhor fórmula para combater o neoliberal Tarcísio, seria colocar outra figura tão neoliberal quanto para a disputa, contando que essa pessoa fosse um “democrata”. A tese se baseia em uma falsa oposição, a que opõe “democratas” a fascistas.
O problema é que nem mesmo é possível atribuir a pecha de democrata a pessoas como Marina Silva e Simone Tebet, personalidades que participaram da campanha pelo golpe de Estado em Dilma Rousseff. Fora isso, no que diz respeito à economia, nenhuma das pessoas da trinca proposta por Calmon se confrontaria com o que Tarcísio vem fazendo em seu governo.
Haddad, por exemplo, é a principal figura da política de austeridade que vem sendo praticada pelo governo, uma pessoa que, inclusive, é muito mal-vista pela população no geral, que o apelidou de “Taxad” após as taxas colocadas contra produtos importados que ficou conhecida como “taxa das blusinhas”.
Essa política de taxações a esses produtos, inclusive, foi importante para os ataques que vem sendo realizados nos Correios, com Haddad sendo peça chave também para a política de cortes na estatal. No entanto, talvez fosse a menos pior dentre as três opções, por ser membro do PT, não diretamente um candidato de algum partido da direita, apesar de ser, como o próprio Lula já mencionou, “o mais tucano dos petistas.”.
Já Marina Silva é reconhecida pela política de boicote ao desenvolvimento do país, principalmente por conta de suas ações contra a exploração de petróleo, que nada mais do que a política das grande petroleiras que não querem que o Brasil tenha controle sobre os próprios recursos.
Para além da falsa oposição, Simone Tebet, Haddad e Marina Silva não são bons candidatos, já que não têm apelo algum do eleitorado. Ou seja, são pessoas que, além de darem a ideia de que o que busca o PT é uma política de ainda mais austeridade e contrária à vontade da população, são apostas que provavelmente resultariam em derrota, muito próximo do que o que ocorreu com o empenho na candidatura de Boulos à prefeitura de SP.
O melhor para o PT seria uma candidatura que fosse ligada à população, principalmente aos trabalhadores, que se opusesse à política neoliberal no estado.
Porém, se as opções de Calmon para a candidatura ao governo já tinham sido ruins, a quarta opção é a pior de todas:
“Alkmin é outro que desponta com densidade eleitoral para formar um quarteto. Também não quer, prefere manter-se na vice presidencial.”
Geraldo Alckmin, o homem da repressão às manifestações de junho de 2013, que geraram a revolta que, posteriormente, seria cooptada pela direita para atacar o PT. Alguém do PSDB, que governo o estado por décadas até ser derrotado por Tarcísio, dos governos que mais atacaram a educação do estado e que promoveram inúmeras privatizações, além de grande repressão. O mesmo homem que tentou reorganizar as escolas de São Paulo, fechando turmas e escolas, e que é justamente o plano que Tarcísio vem seguindo hoje, esse seria um grande nome.
Calmon não se dá conta de que, além de tudo, Alckmin não tem voto. Ele se empenhava na propaganda contra o PT, até que em 2018, sendo o principal candidato da burguesia, não conseguiu sequer chegar ao segundo turno. Com a perda dos votos do PSDB para Bolsonaro, Alckmin foi para o PSB, na tentativa de se reerguer como político e tentar uma aliança com o PT que se reestabelecesse. Ou seja, não tem voto hoje a não ser por conta de ter entrado na mesma chapa que Lula.
No entanto, Calmon acredita que uma candidatura de uma pessoa como essas, que já governou o estado e fez de tudo para fazer o mesmo tipo de política que Tarcísio faz hoje, seria algum tipo de mudança positiva:
“A história registrará que o comodismo venceu a esperança de um mudança radical no conservador e maior estado do Brasil, ou, talvez, seja cedo para esta conclusão.”




