A Universidade Marxista, plataforma de cursos do Partido da Causa Operária (PCO), anunciou, no fim de janeiro, a realização do seu próximo curso. A atividade de formação política “A história da Revolução Bolivariana” está prevista para o final de março de 2026. A proposta é apresentar um panorama histórico do processo venezuelano, com foco na crise que antecedeu a ascensão de Hugo Chávez, nos choques com o imperialismo e nas principais medidas adotadas ao longo do período.
O curso parte da decomposição do regime do Pacto de Puntofijo, arranjo político que, por décadas, sustentou a alternância de poder entre partidos tradicionais e funcionou como esteio de um modelo dependente do petróleo e subordinado às diretrizes do capital financeiro. Nas décadas de 1980 e 1990, com a queda de receitas e a intensificação dos pacotes de ajuste, a Venezuela entrou em crise social prolongada, marcada por desemprego, perda de poder de compra e corte de subsídios.
O Caracazo, em fevereiro de 1989, aparece como um dos eixos centrais desse período. A explosão popular foi deflagrada contra medidas de austeridade aplicadas pelo governo Carlos Andrés Pérez, incluindo aumentos e mudanças que atingiam diretamente o custo de vida. Os protestos começaram em Guarenas e rapidamente se espalharam por Caracas e outras cidades, com enfrentamentos abertos e um quadro de convulsão social em bairros operários e populares. A repressão, conduzida com estado de emergência e emprego das Forças Armadas, terminou com centenas de mortos reconhecidos oficialmente, além de denúncias de execuções e desaparecimentos.
A partir desse ambiente de crise do regime, o curso aborda o surgimento de Hugo Chávez Frías como liderança de um setor nacionalista nas Forças Armadas. Chávez fundou o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), reivindicando figuras como Simón Bolívar, e ganhou projeção após a tentativa de levante de 1992 contra Pérez. Preso e posteriormente anistiado, Chávez reorganizou sua atuação política, fundou o Movimento Quinta República e venceu as eleições de 1998, amparado por forte apoio popular.
O período inaugurado com a posse, em fevereiro de 1999, é tratado como a consolidação de uma nova etapa, em que forças anti-imperialistas passam a dirigir o governo. O curso pretende detalhar iniciativas sociais e políticas do chavismo, incluindo programas em saúde, educação e moradia, além do enfrentamento com setores da burguesia venezuelana e com a ofensiva norte-americana. Também entra no programa o golpe de Estado de 2002 e sua reversão, ocorrida em poucas horas, em meio à mobilização popular e à resistência de setores das Forças Armadas.
Outro ponto previsto é a política externa e a integração regional impulsionadas por Caracas, bem como as alianças internacionais construídas no período. O curso se propõe a discutir, ainda, a continuidade do processo após a morte de Chávez, em 2013, e o quadro de cerco político-econômico, com sanções, bloqueios e tentativas de desestabilização contra o governo venezuelano.
O curso “A história da Revolução Bolivariana” custará R$ 250 e poderá ser acompanhado de forma presencial ou remota. Informações e inscrições estão disponíveis pelo telefone (11) 99741-0436 e na plataforma de cursos da Universidade Marxista.





