América Latina

1 mês de sequestro: liberdade para Maduro!

É preciso continuar a mobilização e exigir a libertação imediata e incondicional do presidente venezuelano, bem como o fim das sanções à Venezuela, ao Irã e a Cuba

Nesta terça-feira (3), completa-se um mês do sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelas forças armadas norte-americanas, em um dos atos mais escancarados de agressão imperialista na América Latina das últimas décadas. No dia 3 de janeiro de 2026, sob ordens do governo de Donald Trump, forças especiais dos Estados Unidos invadiram o espaço aéreo venezuelano, com apoio do porta-aviões USS Gerald R. Ford, submarinos nucleares e bombardeiros estratégicos, numa ação coordenada para sequestrar o presidente legitimamente eleito da Venezuela.

A ofensiva, que atingiu a capital Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, combinou bombardeios sobre alvos civis e militares, causando destruição em massa, cortes de energia, pânico entre a população e a morte de mais de uma centena de pessoas, entre militares e civis.

Mesmo diante do poderio militar do inimigo, o povo venezuelano respondeu com firmeza. A vice-presidente Delcy Rodríguez, assumindo interinamente a chefia do Estado, decretou o estado de Comoção Exterior, conclamando o povo à resistência armada. A Milícia Bolivariana foi mobilizada em todo o país, e unidades populares se organizaram nos bairros operários e camponeses.

Relatos da própria imprensa norte-americana admitiram que a extração de Maduro foi marcada por intensos combates, com helicópteros danificados e soldados dos EUA feridos.

Levado ilegalmente para Nova Iorque, o presidente Nicolás Maduro foi apresentado pelo governo norte-americano como prisioneiro. Exibido com os olhos vendados, acorrentado e humilhado, tornou-se símbolo da arrogância imperialista e seu desprezo pela soberania dos povos.

A seu lado, sua companheira e deputada Cilia Flores, também detida, sofreu agressões físicas no momento do sequestro, como denunciou sua defesa, que alertou para fraturas e ausência de atendimento médico adequado. Maduro, em audiência judicial, declarou-se prisioneiro de guerra, desafiando a autoridade dos tribunais norte-americanos e reafirmando sua condição de presidente legítimo da Venezuela.

A Venezuela denunciou as violações das Convenções de Genebra, mas a Organização das Nações Unidas, controlada pelo imperialismo norte-americano, nada fez. Os EUA, por sua vez, tentam transformar o julgamento de Maduro num espetáculo de imprensa.

A agressão imperialista teve consequências internacionais trágicas. Ao menos 32 combatentes cubanos morreram defendendo instalações estratégicas em território venezuelano. O governo de Cuba, através do presidente Miguel Díaz-Canel, decretou luto nacional e condenou o ataque como uma afronta à soberania de todos os países da região.

Os corpos dos combatentes foram recebidos em Havana com honras militares, em uma homenagem que reuniu mais de meio milhão de pessoas na Tribuna Anti-imperialista. O episódio despertou a memória do internacionalismo proletário, reatando laços históricos entre os povos cubano e venezuelano e denunciando ao mundo a verdadeira face do imperialismo.

No dia 11 de janeiro, o Partido da Causa Operária (PCO) realizou um ato nacional em defesa da Venezuela, que se converteu na maior manifestação de apoio ao país caribenho desde o início da ofensiva dos EUA. A concentração ocorreu na Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, em São Paulo, reunindo delegações de várias partes do país. Por volta das 11h30, a manifestação tomou as ruas em marcha combativa até o MASP, ao som da Bateria Zumbi dos Palmares.

Cartazes e faixas exaltavam heróis da luta anti-imperialista, como Qasem Soleimani e o Aiatolá Ali Khamenei, e manifestavam solidariedade irrestrita não só à Venezuela, mas também ao Irã, à Palestina e a todos os povos oprimidos do mundo. Estiveram presentes organizações como PSOL, CUT, PT, POR e lideranças como Breno Altman e André Constantine, demonstrando a unidade dos setores mais conscientes da esquerda revolucionária.

O ato foi marcado por um confronto com provocadores sionistas e monarquistas iranianos que tentaram tumultuar a manifestação. A resposta dos manifestantes foi firme, sendo reprimida pela polícia, que protegeu o grupo reacionário utilizando gás lacrimogêneo e cassetetes. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que a extrema direita mundial organizava protestos contra a República Islâmica do Irã, revelando o alinhamento da provocação com os interesses do imperialismo.

A manifestação demonstrou que a mobilização popular é a única forma eficaz de enfrentar os ataques imperialistas. A presença massiva, o caráter combativo e o conteúdo político do ato escancararam o contraste entre a política revolucionária do PCO e a omissão ou conivência das demais correntes da esquerda brasileira.

O governo Lula, por sua vez, adotou uma postura vergonhosa. A nota emitida após o sequestro omite o nome de Maduro, evita qualquer menção ao imperialismo e insiste numa falsa “neutralidade”, que na prática significa submissão aos interesses dos EUA.

É dever do povo brasileiro exigir que o governo Lula governe para seus aliados e para o povo, e não para o imperialismo e seus representantes internos. Nicolás Maduro foi solidário com Lula durante sua prisão e agora é Lula quem deve prestar solidariedade ao povo venezuelano

O Brasil, como maior potência da América Latina, tem o dever de se colocar na linha de frente da luta contra o imperialismo. A mobilização do dia 11 mostrou que há disposição para isso.

Apesar de toda a intriga da grande imprensa, o sequestro de Maduro, ainda que grave, não causou um grande impacto no regime político chavista de conjunto.

Passado um mês do sequestro, a Venezuela segue em pé. O povo resiste, a Milícia Bolivariana segue organizada e a mobilização internacional cresce. Protestos tomaram cidades da América Latina, da Europa e dos EUA. No Brasil, o ato do PCO demonstrou que a luta anti-imperialista segue viva.

É preciso continuar a mobilização e exigir a libertação imediata e incondicional de Maduro, bem como o fim das sanções à Venezuela, ao Irã, a Cuba e todos os países oprimidos.

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