Na sua mensagem anual ao Congresso Nacional, o presidente Lula celebrou como um feito histórico a “maior ofensiva contra o crime organizado de todos os tempos” e anunciou o endurecimento das leis penais com o Projeto de Lei (PL) Antifacção e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública.
Ao comemorar as ações da Polícia Federal como vitórias nacionais, Lula escancara o alinhamento cada vez mais preocupante com o aparato repressivo — o mesmo que serviu de instrumento para o golpe de Estado de 2016, a prisão fraudulenta do próprio Lula e a ascensão de Jair Bolsonaro (PL). O papel da esquerda sempre foi o de denunciar esse aparato repressivo e contribuir para a sua destruição. A PF, particularmente, se destaca ainda por estar infiltrada por serviços de espionagem imperialistas, como a CIA e o Mossad.
A retórica de “combate ao crime organizado” serve apenas para fortalecer o Estado policial. A PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção vão ampliar a repressão estatal contra o povo pobre e aumentar ainda mais o já escandaloso número de presos no Brasil, o terceiro maior do mundo.
Trata-se, ainda, de uma demagogia inútil com a direita. O povo que, diante do desespero, deseja “lei e ordem”, vota na direita. A direita é infinitamente mais coerente, mais violenta e mais empenhada nessa política reacionária. Ao tentar imitá-la, a esquerda perde sua identidade e só ganha mais desprezo. A tentativa de Lula de disputar com a extrema direita quem é mais duro contra o crime serve apenas para empurrar ainda mais o governo para as mãos de seus inimigos.
A política de segurança pública do governo petista é um tiro no pé. Em vez de reduzir a influência da direita e do imperialismo, Lula se torna refém deles. Em vez de recuperar apoio popular, aprofunda sua impopularidade ao adotar uma linha repressiva que sempre foi e sempre será incompatível com os interesses da classe trabalhadora.
Uma verdadeira política popular e de esquerda exige o oposto: fim das polícias, fim das operações policiais nas favelas, legalização das drogas e medidas de impacto para a transformação social.





