As polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro deflagraram, nesta segunda-feira (2), operações contra suspeitos de planejar ataques com bombas caseiras e coquetéis molotov na avenida Paulista e no centro da capital fluminense. Em São Paulo, 12 pessoas foram detidas e conduzidas para prestar esclarecimentos; no Rio, três suspeitos foram presos, com cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão, informaram as autoridades estaduais.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que os ataques seriam realizados no próprio dia 2 e que a articulação ocorria em redes sociais, com concentração no Telegram. A SSP disse que seis dos detidos em São Paulo teriam função de comando na suposta organização e que as detenções ocorreram na capital, em Osasco, São Caetano do Sul e Botucatu. A pasta, no entanto, informou que os explosivos não foram localizados e que investiga o paradeiro dos artefatos; apenas um simulacro de arma foi apreendido.
No Rio, a Polícia Civil afirmou que o grupo investigado se autodenominava “Geração Z” e que haveria incitação e planejamento de ações violentas. A corporação informou que um dos investigados tem 16 anos. As buscas ocorreram na capital, na Baixada Fluminense e em Rio das Ostras e Piraí.
Em São Paulo, a SSP declarou ter identificado uma cartilha compartilhada nos grupos, com orientações para uso de bloqueadores de sinal de celular e instruções para identificar policiais durante protestos. O delegado-geral da Polícia Civil paulista, Arthur Dian, afirmou que os grupos reuniam cerca de 8.000 participantes, ao menos 600 na capital, e declarou que não haveria motivação política, mas uma postura “contra governos em geral”.
A SSP disse que as apurações foram conduzidas pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), com participação da Divisão de Crimes Cibernéticos. Segundo a pasta, os detidos e apreendidos têm, em sua maioria, entre 15 e 30 anos e, ao serem abordados, teriam admitido integrar os grupos, alegando que se tratava de “brincadeira”.
O caso se insere em uma escalada do uso de acusações genéricas de “terrorismo” e “atos preparatórios”, frequentemente sustentadas por investigação digital, pouca transparência sobre provas e colaboração direta com órgãos de segurança dos Estados Unidos.
No dia 29 de janeiro, a Polícia Federal prendeu em Bauru (SP) um homem investigado por “atos preparatórios de terrorismo” e sob suspeita de integrar uma “organização terrorista internacional”. A própria PF informou que a investigação contou com “apoio do FBI” e foi autorizada pela 3ª Vara Federal de Bauru. A PF afirmou que o investigado planejava um “ataque suicida” com colete explosivo. Nenhuma prova desses “atos preparatórios” foi apresentada publicamente.
No mesmo 29 de janeiro, a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou operação em Gaúcha do Norte (MT) contra um jovem de 20 anos, preso sob acusação de usar redes sociais para difundir ideologia neonazista, incitar atentados contra escolas e planejar ataques contra “populações vulneráveis”. A apuração, conforme noticiado pelo portal Hipernotícias, teria começado após alerta da Agência de Investigações de Segurança Interna (HSI), ligada à Embaixada dos Estados Unidos, que encaminhou informações à unidade especializada do estado
A categoria de “atos preparatórios” permite prisões e condenações sem a demonstração pública de um plano operacional concreto. O exemplo mais conhecido é o do comerciante Lucas Passos Lima, condenado inicialmente a 16 anos por supostos “atos preparatórios de terrorismo”. No processo, os elementos citados como “preparação” incluíam condutas banais, como pesquisas na Internet e uma viagem ao Líbano.
Outro episódio semelhante ocorreu no Rio Grande do Sul, com prisão preventiva de um jovem sob acusação de “planejar atos terroristas”. No cumprimento da ordem, a PF alegou ter encontrado facas, machadinhas, soqueiras, bastões, porretes, munição, colete balístico, material incendiário e gás de pimenta — itens que, embora possam configurar ilícitos a depender do caso, não correspondem, por si, a um arsenal compatível com a propaganda de um ataque de grande impacto.
A escalada atende a dois objetivos: aprofundar a perseguição a militantes que defendem a Palestina e ampliar, de modo geral, a repressão contra o povo trabalhador.





