Banco Master

FGC atua rapidamente, mas não contém ampliação da crise

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou R$ 35,1 bilhões em garantias aos credores do Banco Master até a manhã desta segunda-feira (2 de fevereiro de 2026)

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já desembolsou R$ 35,1 bilhões em garantias aos credores do Banco Master até a manhã desta segunda-feira (2). O montante corresponde a 87% do total previsto a ser pago e alcançou cerca de 612 mil investidores, o equivalente a 79% do total de credores com direito a cobertura. 

Os pagamentos começaram em 19 de janeiro e ganharam forte ritmo nas últimas duas semanas, após ajustes técnicos nos sistemas do fundo. Trata-se do maior ressarcimento já realizado na história do FGC, superando casos históricos como o do Bamerindus.

Grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master antes da liquidação, entra com recuperação judicial de R$ 4 bilhões.

Efeito cascata atinge quem tentou comprar o banco

No mesmo dia em que o FGC divulgava o avanço expressivo nos pagamentos, o Grupo Fictor, que chegou a anunciar, em 17 de novembro de 2025, a liderança de um consórcio para comprar o Banco Master, protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

O pedido, apresentado no domingo (1º/02) pelas empresas Fictor Holding e Fictor Invest, abrange uma dívida estimada em cerca de R$ 4 bilhões. O grupo afirma que pretende quitar 100% dos valores sem deságio e solicita tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias.

Segundo o comunicado divulgado pelo próprio Grupo Fictor, a crise de liquidez que motivou o pedido de recuperação judicial teria sido desencadeada pela forte repercussão negativa em torno da tentativa frustrada de aquisição do Banco Master. Em 17 de novembro passado, o grupo anunciou que lideraria um consórcio, incluindo investidores dos Emirados Árabes Unidos, para comprar a instituição com um aporte imediato de R$ 3 bilhões. No entanto, apenas um dia depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco, suspendendo qualquer negociação e interrompendo abruptamente o processo.

A partir desse episódio, o Fictor relata uma sequência de impactos financeiros diretos: retirada de 71% dos aportes que estavam sob sua gestão, rescisão de contratos por parte de fornecedores, bloqueios judiciais em contas, incluindo um no valor de R$ 150 milhões, e uma deterioração significativa da imagem institucional. Esses fatores, segundo a empresa, agravaram a falta de liquidez e comprometeram a capacidade de honrar compromissos estimados em cerca de R$ 4 bilhões, levando ao protocolo do pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo em 1º de fevereiro deste ano.

O caso Banco Master

O Banco Master foi colocado em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025, após graves problemas de liquidez, irregularidades em operações de crédito e suspeitas de fraudes. Na data da intervenção, a instituição contava com apenas R$ 4 milhões em caixa contra compromissos operacionais muito superiores e dívidas de recolhimentos compulsórios na casa dos R$ 2 bilhões.

Sob relatoria do ministro Dias Toffoli, o Supremo Tribunal Federal analisa esses elementos de gestão fraudulenta e possíveis crimes contra o sistema financeiro, enquanto uma CPI na Câmara dos Deputados investiga o conjunto das irregularidades.

O Banco Central, por sua vez, encerrou uma apuração administrativa sobre o caso mediante termo de compromisso, sem reconhecimento formal de irregularidades adicionais, embora o processo criminal prossiga com possíveis acusações de lavagem de dinheiro, associação criminosa e outros delitos.

O pagamento acelerado pelo FGC tem sido considerado um alívio para centenas de milhares de investidores, atraídos por taxas muito elevadas de CDBs (Certificado de Depósito Bancário), mas o desdobramento no Grupo Fictor mostra que o efeito dominó do caso Master ainda está longe de terminar no mercado financeiro brasileiro.

PF desvia foco do escândalo para Hesbolá e PCC

A Polícia Federal, no âmbito da investigação das fraudes financeiras do Banco Master, seguindo orientações de “Israel”, apura transações de aproximadamente R$ 2,8 bilhões (equivalente a US$ 531 milhões à época) realizadas entre dezembro de 2018 e abril de 2021, quando o banco ainda se chamava Máxima. Essas operações de câmbio foram direcionadas à empresa One World Services (OWS), investigada por suspeita de atuar como intermediária na compra de bitcoins para pessoas posteriormente condenadas por lavagem de dinheiro supostamente ligada ao Hesbolá. O grupo, como se sabe, não é considerado criminoso ou terrorista pelo governo brasileiro, de modo que legalmente não teria qualquer necessidade de lavar dinheiro para manter atividades locais no Brasil. A OWS também é investigada por supostamente negociar bitcoins com organizações criminosas brasileiras como o PCC.

Relatórios da PF destacam que a OWS utilizou contas no Banco Master para adquirir criptoativos sem fornecer a documentação exigida pelo Banco Central. A empresa é acusada de fazer transferências para carteiras de criptomoedas sob “sanção internacional” do governo “israelense”, por supostos vínculos com o Hesbolá. A investigação menciona explicitamente suspeitas de que parte desses recursos teria servido para lavar dinheiro em benefício do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Hesbolá.

O Hesbolá surge como cortina de fumaça em meio a um escândalo que envolve principalmente fraudes financeiras internas no sistema bancário brasileiro, com foco em gestão fraudulenta, criação de instrumentos de crédito falsos, manipulação de carteiras e tentativas de venda irregular de ativos, como a proposta de transferência de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília), vetada por indícios de irregularidades. 

A tentativa de atribuir ao Hesbolá, ou ao PCC, responsabilidade pelos crimes financeiros oculta os reais responsáveis do mercado financeiro e desvia a investigação para falsos inimigos externos. As contas da OWS no Banco Master, segundo o que se investigou até o momento, sequer possuem relação com as fraudes que faliram o banco.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.