O artigo Irã, Hamas e a moral da história, assinado por Lygia Maria e publicado na Folha de São Paulo nesta segunda-feira (2), mostra como a grande imprensa divulga notícias falsas sem ser incomodada, enquanto o Supremo Tribunal Federal, na pessoa do ministro Alexandre de Moraes, estende indefinidamente o Inquérito das Fake News, que completará em março sete anos, afrontado a Constituição que prevê a duração razoável de processos.
Embora o artigo repita mentiras grosseiras sobre o que acontece no Irã, este Diário não é favorável à censura. Apenas fizemos essa ressalva para ficar claro que as fake news são apenas uma arma de perseguição política e é utilizada apenas quando convém.
A autora do artigo escreve que vendo imagens de uma enorme passeata pró Palestina em Londres, no sábado (31), teria notado bandeiras do Irã e fotos do Aiatolá Khamenei e achou curioso. Segundo diz, “afinal, se a intenção é defender a liberdade do povo palestino, não faz muito sentido ostentar símbolos da teocracia que banca o Hamas, grupo que governa a Faixa de Gaza pela força bruta desde 2007, quando conquistou o controle exclusivo do poder por meio de um golpe armado — após vencer o pleito legislativo em 2006”.
Talvez a jornalista devesse se perguntar antes qual seria a necessidade de um partido dar um golpe armado se tinha vencido, como ela mesmo afirma, o pleito legislativo de 2006.
Embora o Hamas tenha vencido e eleito Ismail Hanié como primeiro-ministro (assassinado por “Israel” em Teerã), Mahmoud Abbas, capacho dos sionistas, tentou manter o controle sobre os aparelhos de segurança e serviços de inteligência.
Abbas recebia apoio financeiro e político internacional, especialmente dos Estados Unidos e de “Israel”. Há relatos de que o oficial de segurança dos EUA, Keith Dayton, reequipou e treinou forças do Fatah para combater o Hamas.
A tomada de poder militar em Gaza foi uma ação legítima de autodefesa. Até hoje, na Cisjordânia, Abbas serve como linha auxiliar do sionismo e utiliza a polícia para reprimir a população.
Faz todo sentido, para quem defende a Palestina, levar bandeiras do Irã e do Aiatolá Khamenei, pois este é o país que realmente dá suporte para a libertação do povo palestino do Estado genocida de “Israel”. Foi a partir do Irã que se formou e consolidou o Eixo da Resistência, que impôs significativas derrotas ao imperialismo, que arma e financia o sionismo para matar mulheres e crianças em Gaza.
Mortes e tortura
A senhora Lygia Maria, que dá a impressão de estar a soldo do sionismo, diz que “desde lá (2007), não há eleições. Segundo relatórios de órgãos como a Anistia Internacional e a ONU, há repressão a protestos, movimentos civis e jornalistas, perseguição a opositores, detenções arbitrárias, tortura e toda sorte de infrações ao devido processo legal e a liberdades civis”.
Antes de mais nada, é preciso dizer que quem mais interferiu nas eleições em Gaza foram os interesses estrangeiros. Ninguém em sã consciência leva a sério o que dizem a Anistia Internacional e a ONU, que servem apenas para dar respaldo a todo tipo de crimes cometidos contra o povo palestino.
Quer falar de tortura e detenções arbitrárias? As redes estão abarrotadas de vídeos de palestinos sendo detidos, espancados pelas forças sionistas. Há inúmeros relatos de torturas e houve até vídeo divulgado de um preso palestino sendo torturados por soldados e que morreu por ter seu intestino perfurado pelo cano de um fuzil introduzido em seu ânus por membros do “exército mais moral do mundo”. É ridículo. Existem milhares de palestinos presos que sequer têm data para deixaram a prisão. Inclusive crianças.
Como essa jornalista tem coragem de falar em repressão a jornalistas quando os sionistas assassinaram mais 100. O maior número de todos os tempos.
Lygia Maria, que é mulher, deve se lembrar de Shireen Abu Akleh, jornalista assassinada a tiros em maio de 2022 pelas tropas israelenses quando cobria uma incursão em Jenin.
Para refrescar a memória da articulista, o enterro de Shireen Abu Akleh foi marcado pela truculência sionista, que espancou os participantes. Marcando uma cena grotesca que os jornais da grande imprensa, como o Estadão, trataram da seguinte maneira: Polícia de Israel entra em confronto com palestinos em funeral de jornalista morta. Entrou em confronto, ou atacou e espancou? Jornalista morta, ou assassinada? Eis o vergonhoso apoio que os jornais burgueses dão a genocidas. E depois aparecem para falar em repressão do Hamas. – grifos nossos.
Propaganda sionista
No artigo se lê que “o Irã patrocina o Hamas, com financiamento estimado em dezenas de milhões de dólares por ano, além de fornecimento de armamentos e treinamento militar. O Hamas que, ao atacar Israel, deu início à guerra que ora dizima palestinos — seja por abusos cometidos por Tel Aviv, seja porque são usados como escudo humano pelo grupo terrorista.”.
Toda ajuda que o Irã der ao Hamas será bem-vinda, pois o partido é amplamente apoiado pela população de Gaza, e luta por sua libertação. O que Lygia Maria não faz, é questionar o apoio que Estados Unidos e União Europeia dão aos genocidas. Mandam armas, bombas, dinheiro e soldados, além de apoio logístico e de inteligência. Isso ela não tem coragem, ou não está autorizada, a denunciar.
É vergonhoso, mas a articulista repisa a mentira dos escudos humanos. Porém, graças às redes sociais, há diversas imagens e vídeos de soldados israelenses utilizando civis como escudos humanos. É por isso que tanto querem censurar a internet.
É preciso lembrar a essa senhora que na operação Dilúvio de Al-Aqsa os palestinos não atacaram “Israel”, mas o próprio território, que foi roubado e eles, com toda razão, querem de volta.
Outra mentia vergonhosa no texto se refere à “onda de protestos contra o regime opressivo dos aiatolás, cujas forças de segurança já mataram milhares de pessoas”. Os EUA e os sionistas já reconheceram que financiaram agentes que promoveram os distúrbios que mataram mais de 3 mil pessoas, incluindo crianças, além de destruir mesquitas, hospitais e serviços públicos como o de bombeiros.
Novamente, a internet cumpre seu papel com a verdade exibindo milhares de agentes do Mossad atirando na multidão e na polícia com armas automáticas.
Enquanto mente descaradamente, e é amplamente desmentida pelas redes sociais, a articulista ainda tem coragem de cobrar, diz que “parte da esquerda ainda não aprendeu a moral da história”. Logo ela, que não está em posição de cobrar moral de ninguém.




