No artigo O bedel do STF, publicado no Brasil 247, Alex Solnik tenta criticar a proposta de Edson Fachin de implementar um “código de conduta” para os ministros do Supremo Tribunal Federal. Mas, ao invés de defender o interesse público, Solnik escancara sua verdadeira preocupação: proteger a instituição a qualquer custo — mesmo diante de um escândalo que envolve diretamente seus ministros.
O argumento central de Solnik é escandalosamente revelador: o problema não é que ministros da mais alta corte do país estejam envolvidos em escândalos de favorecimento, tráfico de influência ou articulações políticas indecorosas. O problema, segundo ele, é que Fachin teria “jogado gasolina na fogueira” ao sugerir que esses ministros devem se submeter a regras mínimas de conduta. Ou seja, o erro é expor o problema — não o problema em si.
Isso mostra que o foco do articulista está completamente invertido: não é o povo que precisa ser protegido contra uma burocracia jurídica poderosa e criminosa, mas os próprios ministros que devem ser resguardados da “sanha das redes sociais”. A justiça, segundo esse raciocínio, deve se esconder atrás de cortinas — e quem ousa puxar a cortina é o verdadeiro vilão.
Solnik tenta pintar Fachin como um traidor da corporação por não manter as aparências em tempos de crise. Chega ao cúmulo de afirmar que propor um código de conduta é “aliar-se ao bloco bolsonarista”. Uma falácia grosseira. Se há alguém que fortalece o discurso da extrema direita, é justamente quem trata as instituições como castas intocáveis, mesmo quando envolvidas em práticas suspeitas ou, no mínimo, imorais.
É evidente que a proposta de Fachin também não é movida por virtudes democráticas. Trata-se de uma manobra de contenção de danos, uma tentativa de restaurar a imagem da corte criando uma aparência de autorregulamentação. Na prática, é mais uma blindagem disfarçada de reforma. Mas mesmo essa medida mínima é demais para os defensores do “deixa como está”.
Ao reagir com tamanho fervor contra algo tão brando quanto um “código de conduta”, Solnik revela o verdadeiro espírito que domina parte da imprensa “progressista”: proteger o Estado contra o povo. Os escândalos envolvendo ministros do STF não geram sua indignação. O que o revolta é que alguém ouse tocar no pedestal.
O STF hoje manda no País. Os ministros julgam, legislam, intervêm no Executivo, censuram a imprensa, comandam investigações e, agora, querem ser imunes a qualquer forma de controle. É essa estrutura que Solnik quer preservar: uma corte que não presta contas a ninguém, protegida por um muro de silêncio e bajulação.
Enquanto isso, decisões que afetam diretamente o povo — como a legalização de privatizações, os ataques aos direitos trabalhistas, a repressão aos movimentos populares — continuam a ser tomadas por esses mesmos ministros, sem qualquer consequência.
A imprensa que se diz progressista deveria estar do lado do povo, e não ajoelhada diante dos ditadores de toga.




