Política internacional

Parlamento iraniano declara exércitos europeus ‘terroristas’

Medida foi tomada em resposta à designação do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica como “terroristas” pela União Europeia

O Parlamento do Irã declarou, neste domingo (1º), que os exércitos dos países europeus passam a ser considerados “grupos terroristas”. O anúncio foi feito pelo presidente da Casa, Mohamad Baqer Qalibaf, durante sessão plenária em Teerã, como resposta direta à decisão do Parlamento Europeu de incluir o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) na lista de organizações “terroristas”.

Segundo Qalibaf, a medida iraniana se baseia na “lei de ação recíproca”, mecanismo invocado pelo parlamento para responder, no mesmo terreno, a iniciativas de governos e organismos estrangeiros contra instituições iranianas. “De acordo com a lei de ação recíproca, os Exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas”, afirmou o presidente do Parlamento, acrescentando que “as consequências desta ação recairão sobre a União Europeia”.

A fala foi acompanhada por uma demonstração de apoio ao CGRI dentro do plenário. Parlamentares compareceram usando uniformes da corporação e entoaram palavras de ordem como “Vergonha à Europa!”, “Morte aos EUA” e “Morte a ‘Israel’”.

Qalibaf classificou a decisão europeia como “irresponsável” e disse que ela se apoia em uma acusação “infundada” contra o Corpo de Guardas. Na sua avaliação, os governos europeus e o Parlamento Europeu atuam “em linha com as diretrizes do presidente norte-americano e dos líderes do regime sionista”, isto é, subordinados aos interesses dos EUA e da entidade sionista. Para o dirigente do parlamento, a Europa se coloca na posição de executora de um plano estrangeiro de pressão e hostilidade contra a República Islâmica.

Na sessão, Qalibaf declarou que a iniciativa europeia acelera a perda de relevância do continente no cenário internacional. Segundo ele, “os 27 aceleraram o caminho rumo à irrelevância da Europa na futura ordem mundial” ao obedecer “cegamente” aos norte-americanos e tomar decisões “contra os interesses de seus próprios povos”. Em outro momento, afirmou que os europeus “se dispararam no pé” ao mirar o CGRI, por abrir um conflito que tende a atingir as próprias relações entre Irã e União Europeia.

O presidente do Parlamento também sugeriu que a submissão europeia é movida por temor diante das ameaças dos EUA. De acordo com sua fala, os dirigentes europeus buscam complacência diante dos Estados Unidos para que o imperialismo norte-americano deixe de ameaçar a “integridade territorial” de países do continente. Ainda assim, Qalibaf ironizou a relação de servidão: “este amo já demonstrou que não valoriza seus serventes”, disse, numa crítica à política externa europeia que se alinha às agressões norte-americanas e às exigências do sionismo, mesmo quando isso implica ataques a direitos e interesses do próprio povo europeu.

Além de responder à Europa, Qalibaf procurou ressaltar a importância do CGRI na estrutura estatal iraniana. Ele elogiou o papel do Corpo de Guardas na manutenção da segurança do país e o apresentou como força que atua em “situações críticas”, citando enchentes, terremotos e o período da pandemia. A intenção foi reforçar a ideia de que a instituição não é um agrupamento marginal, mas um pilar do Estado iraniano, alvo de perseguição justamente por ser um instrumento de defesa nacional diante das ameaças externas.

A sessão ocorreu no início da chamada “Década do Alvorecer” (Fajr), período de celebrações no país que marca o aniversário da vitória da Revolução Islâmica. Qalibaf saudou o início das comemorações e destacou o 47º aniversário do triunfo revolucionário como “o dia em que se cortou a mão dos estrangeiros do querido Irã”. Ao retomar esse ponto, ele ligou diretamente a ofensiva europeia atual à longa hostilidade do imperialismo contra a revolução e a soberania iranianas.

Para o presidente do parlamento, um Irã “forte, independente e unido” constitui “o principal obstáculo” aos planos de longo prazo do “sistema hegemônico”. Nesse sentido, afirmou que a “inimizade” contra a Revolução Islâmica decorre do fato de que o Irã impede, na região e no mundo, a imposição plena das diretrizes norte-americanas e sionistas.

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