Na Análise Política da Semana deste sábado (31), transmitida pela Causa Operária TV, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, iniciou sua exposição abordando as novas leis de restrição ao uso de redes sociais por adolescentes na França, comparando-as com medidas similares adotadas na Austrália, Inglaterra e Brasil. Segundo o dirigente, o argumento da “proteção à criança” é apenas uma fachada para um controle político mais profundo.
“A censura é dirigida a conter todo um setor da juventude que vai ser vigiado pelos pais… não vão controlar os perigos apresentados como razão, mas vão censurar politicamente a juventude.”
Ele destacou que a juventude é historicamente o setor menos conservador e mais disposto à luta, o que justificaria a necessidade do sistema em reprimi-la. Ele criticou duramente a esquerda institucional brasileira por apoiar tais medidas sem debate interno em suas bases: “simplesmente votaram numa proposta que é uma proposta que todo mundo sabe que é de direita”.
O programa trouxe dados alarmantes sobre o conflito na Faixa de Gaza. Citando autoridades locais, Pimenta mencionou que o número de mortos pelo regime sionista já alcançaria 81 mil pessoas, incluindo desaparecidos e vítimas da fome. Ele acusou a grande imprensa de ocultar deliberadamente o genocídio para proteger os interesses do capital.
Sobre a Venezuela, o tom foi de denúncia contra o que chamou de “desinformação”. Pimenta esclareceu que, ao contrário do que a imprensa capitalista divulga, o presidente Nicolás Maduro não foi derrubado, mas permanece em exercício apesar do que classifica como “sequestro político” orquestrado pelos EUA.
“O fato de que os Estados Unidos tenham sequestrado o Maduro e não tenham feito mais nada é uma demonstração de que eles não têm força suficiente para invadir a Venezuela”, explicou.
O ponto central e mais urgente da análise foi a situação no Oriente Médio. Pimenta alertou para os preparativos militares na Jordânia e no Azerbaijão, indicando que uma agressão ao Irã pode desencadear uma guerra total.
Para ele, a guerra contra o Irã é uma tentativa de destruir a resistência palestina, o Hesbolá e todo o Eixo da Resistência. Ele classificou como “vergonhosa” a posição da representação brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU) ao condenar o Irã, alegando que o órgão serve de instrumento político para justificar intervenções militares.
Para o dirigente, a omissão da esquerda diante do Irã é uma traição à causa palestina.
“Não defender ativamente o Irã é uma capitulação diante do imperialismo.”
Ao retornar para o cenário doméstico, Pimenta abordou o envolvimento de famílias de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o Banco Master. Ele criticou a “dependência psicológica” da esquerda em relação ao Judiciário, argumentando que o STF não é uma barreira contra golpes, mas um instrumento do grande capital.
Como exemplo da atuação do tribunal contra a classe trabalhadora, citou a decisão de Alexandre de Moraes que suspendeu o pagamento de benefícios a trabalhadores dos Correios (como o Vale Peru e adicional de férias), anulando uma decisão anterior do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
“Alexandre de Moraes, com uma canetada, confiscou 1,9 bilhão dos trabalhadores dos Correios. Passou a mão grande em quase 2 bilhões de reais.”
Ao final, Rui Costa Pimenta reforçou o chamado para o ato em defesa do Irã, marcado para o dia 28 de fevereiro, às 10h, na Praça da Casa de Portugal, em São Paulo. O objetivo é manifestar oposição à agressão imperialista e fortalecer a luta anti-imperialista no Brasil.





