Faixa de Gaza

Governo de ‘Israel’ admite mentira e declara 70 mil palestinos mortos

Hamas denunciou cumplicidade por parte da imprensa imperialista e ainda exigiu "pedidos explícitos de desculpas"

Pela primeira vez desde o início da sua guerra genocida em 7 de outubro de 2023, o Estado terrorista de “Israel” admitiu que mais de 70 mil palestinos foram assassinados na Faixa de Gaza. A declaração foi feita por um alto funcionário do exército israelense a jornalistas, marcando uma mudança drástica no discurso oficial da imprensa sionista, que até então acusava os dados palestinos de serem “propaganda do Hamas”.

A estimativa coincide com os números divulgados pelo Ministério da Saúde de Gaza, que contabilizava, com nomes e documentos, 71.662 mortos até 27 de janeiro de 2026. Além disso, há mais de 10 mil pessoas desaparecidas, possivelmente enterradas sob os escombros, e pelo menos 440 palestinos morreram de fome durante o cerco criminoso imposto pelo Estado de “Israel”.

Durante mais de dois anos de massacre contínuo, “Israel”, com o apoio incondicional da imprensa imperialista — como a CNN, BBC, Fox News e New York Times —, negou sistematicamente os dados palestinos, buscando descredibilizar a Resistência Palestina e acobertar seus crimes bárbaros contra a população civil.

A mudança de discurso é uma manobra cínica diante da impossibilidade de continuar negando o óbvio. A destruição generalizada, os corpos empilhados, os vídeos, fotos e testemunhos não puderam mais ser abafados pela propaganda israelense.

Bassem Naim, dirigente do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), denunciou essa farsa:

“Durante toda a guerra e genocídio, as ferramentas da hipocrisia política e da propaganda enganosa no Ocidente defenderam cegamente a narrativa do inimigo ‘israelense’ sobre o número de mártires palestinos,” afirmou. “Esperamos ouvir pedidos explícitos de desculpas de todas essas instituições, que restituam todos os funcionários demitidos por sua postura ética em defesa dos direitos palestinos, e que conduzam revisões sérias dos seus sistemas de valores.”

A “aceitação” dos números palestinos, no entanto, não vem acompanhada de qualquer autocrítica ou reconhecimento do caráter criminoso da guerra. O exército israelense, em vez disso, mantém a farsa de que os ataques foram direcionados contra “terroristas”, ignorando as mais de 30 mil crianças e mulheres mortas.

A própria estimativa anterior do regime israelense afirmava ter matado 22 mil combatentes, o que significaria, mesmo com essa contabilidade inflada, que dois terços dos mortos seriam civis, desmentindo a desculpa dos “ataques cirúrgicos”.

Não é a primeira vez que “Israel” nega crimes e depois, diante da pressão internacional, admite parcialmente a verdade — sempre sem qualquer responsabilização. Entre os casos mais notórios estão:

  • Hind Rajab, menina de 5 anos que implorou socorro por telefone antes de ser fuzilada por um tanque israelense. “Israel” negou envolvimento até que provas tornaram a mentira insustentável;
  • Shireen Abu Akleh, jornalista da Al Jazeera assassinada por um franco-atirador do exército sionista, mesmo estando identificada com colete de imprensa;
  • Trabalhadores de ambulância, mortos deliberadamente por soldados israelenses, enterrados em covas rasas junto com suas viaturas, num crime bárbaro que Israel classificou como “erro profissional”.

A cumplicidade da imprensa burguesa internacional foi fundamental para sustentar o massacre. Como bem denunciou Bassem Naim, os grandes conglomerados não apenas repetiram a propaganda israelense, mas ajudaram a reprimir qualquer voz dissidente, inclusive jornalistas que ousaram expor os crimes do sionismo, muitos dos quais foram demitidos, perseguidos e censurados.

Essa é a mesma imprensa que, há dois anos, dava espaço para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmar que “não confiava nos números palestinos”, mesmo diante de milhares de corpos e uma política de extermínio sistemático.

Desde o início da guerra genocida de “Israel”, o Ministério da Saúde Palestino em Gaza tem contado o número de mortos registrando seus nomes e acompanhando seus números de identidade.

O Ministério da Saúde também registrou o número de pessoas feridas e o número de pessoas que morreram de fome como resultado do corte de suprimentos de ajuda vital para Gaza por parte de Israel durante a guerra. Até o dia 27 de janeiro, o ministério afirmou que pelo menos 171.428 pessoas foram feridas na guerra e outras 1.350 foram feridas desde o cessar-fogo. A Organização das Nações Unidas (ONU) e grupos de direitos humanos também apoiaram os números do Ministério da Saúde. Organizações de direitos humanos também acusaram as forças israelenses de atacar civis deliberadamente.

Em particular, entre maio e julho de 2025, mais de 1.000 palestinos foram mortos pelas forças militares israelenses em locais de distribuição de alimentos liderados pelos Estados Unidos, de acordo com o Observatório Euro-Mediterrâneo de Direitos Humanos e um oficial aposentado das forças especiais dos Estados Unidos, Anthony Aguilar.

Aguilar foi anteriormente empregado pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos apoiada pelos Estados Unidos e por “Israel” para fornecer esses locais de distribuição, após “Israel” acusar a agência da ONU para refugiados palestinos, UNRWA, de ajudar o Hamas.

“Sem dúvida, eu testemunhei crimes de guerra cometidos pelas [forças militares israelenses]”, disse Aguilar à BBC em uma entrevista exclusiva em 2025.

Durante quase dois anos e meio, o governo de “Israel” rejeitou esses números e alegou que eram enganosos ou manipulados. Oficiais do exército israelense também negaram as alegações de que civis foram alvo em locais de distribuição de alimentos em 2025, afirmando, em vez disso, que o “caos” nos locais representava uma “ameaça imediata” aos seus soldados, forçando-os a disparar.

O primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu, também negou repetidamente as alegações de que as forças israelenses visaram civis deliberadamente em Gaza, argumentando que tais afirmações equivalem a um “libelo de sangue” contra Israel — referindo-se à acusação de que judeus assassinam crianças cristãs para usar seu sangue em rituais religiosos.

Em setembro de 2024, Netaniahu vangloriou-se de que Israel tinha a “menor proporção de mortes de civis em relação a combatentes na história da guerra urbana moderna”, alegando que o exército estava matando apenas um civil para cada “terrorista” morto. No entanto, um relatório militar vazado em agosto de 2025 concluiu que mais de 80% daqueles que “Israel” matou em Gaza eram civis.

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