Nesta quinta-feira (25), a União Europeia aprovou a inclusão da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) na lista de “organizações terroristas” do bloco. A medida, celebrada com entusiasmo pelo regime sionista de “Israel”, marca mais uma escalada na política de agressão e isolamento contra a República Islâmica e revela a cumplicidade do imperialismo europeu com as agressões protagonizadas pelo governo norte-americano.
A decisão foi anunciada pelo chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que justificou a medida com acusações infundadas de repressão interna no Irã. Em postagem na rede social X (antigo Twitter), Kallas afirmou que “qualquer regime que mata milhares de seu próprio povo trabalha para a sua própria destruição”, ignorando completamente o genocídio perpetrado por “Israel” em Gaza e os massacres cometidos pelos Estados Unidos mundo afora. A decisão foi imediatamente comemorada pelo chanceler israelense Gideon Saar, que classificou o ato como “histórico” e declarou que a Guarda Revolucionária é a principal força “espalhando terror”.
Do lado iraniano, a resposta foi categórica. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, denunciou a designação como um “erro estratégico grave”, alertando que a medida só aprofundará a ruptura diplomática entre o Irã e a Europa, alimentando a instabilidade numa região já tensionada por anos de agressões imperialistas.
A República Islâmica vem enfrentando, desde o final de dezembro de 2025, uma nova onda de provocações coordenada pelo imperialismo. As manifestações, inicialmente motivadas por questões econômicas decorrentes das sanções impostas pelo imperialismo, foram sequestradas e se tornaram revoltas de violência extrema, com o uso de armamentos militares, ataques coordenados e assassinatos de civis.
Segundo a agência russa TASS, investigações forenses realizadas no Irã identificaram munições de origem israelense nos corpos de crianças assassinadas durante os protestos, como uma menina de oito anos em Isfahan e uma criança de três anos em Kermanshah, ambas mortas enquanto acompanhavam familiares em atividades cotidianas.
Em relatório divulgado em 21 de janeiro, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que 3.117 pessoas, entre civis e membros das forças de segurança, foram mortas em uma operação terrorista fomentada por EUA e “Israel”. O auge da violência ocorreu nos dias 8 e 9 de janeiro, quando grupos armados atacaram infraestrutura pública, serviços de emergência e áreas civis.
As autoridades iranianas identificaram uma “sala de comando inimiga” composta por serviços de inteligência estrangeiros, que estariam por trás da tentativa de transformar a agitação social em uma insurreição violenta. Várias redes foram desmanteladas, armas apreendidas e indivíduos vinculados a potências estrangeiras foram presos.
Em entrevista à CNN, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Baqer Qalibaf, reiterou que o Irã não se opõe ao diálogo, desde que seja baseado em respeito mútuo e garantias concretas. Qalibaf foi enfático ao afirmar que “negociações sob a sombra da guerra apenas alimentam a insegurança”, e criticou a postura do presidente norte-americano Donald Trump, acusando-o de tentar impor uma “paz à força”.
Segundo o parlamentar, os ataques dos EUA ao Irã em junho de 2025 ocorreram dois dias antes da sexta rodada de negociações indiretas entre o Irã e os Estados Unidos, demonstrando a má-fé do imperialismo. Qalibaf declarou ainda que o Irã buscará justiça para as vítimas dos “motins terroristas”, tanto nos tribunais nacionais quanto em fóruns internacionais.
A investida norte-americana contra o Irã sofre, porém, obstáculos inesperados. Os principais aliados do imperialismo na região — Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — recusaram-se a permitir o uso de seus territórios ou espaços aéreos para ataques militares contra o Irã. A decisão, comunicada diretamente ao presidente iraniano Masoud Pezeshkian, complica os planos do governo norte-americano, que recentemente reforçou a presença militar na região com porta-aviões, destróieres e sistemas antimísseis.
Ainda assim, os Estados Unidos realizaram exercícios militares de grande escala no Oriente Médio, com o objetivo de dispersar tropas e ensaiar cenários de guerra em conjunto com “nações parceiras” não identificadas. O Irã respondeu com firmeza: segundo o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, qualquer país que facilite um ataque será considerado “hostil” e sofrerá retaliações “apropriadas, não proporcionais”.
O Exército iraniano declarou ainda que qualquer agressão será respondida “de forma rápida e decisiva”. O porta-voz militar Mohammad Akrami-Nia deixou claro que um confronto não se limitará às fronteiras do Irã, alertando que toda a região será afetada — da entidade sionista até os países que abrigam bases militares norte-americanas.
O comandante das Forças Armadas, Amir Hatami, informou que o Irã incorporou mil novos veículos aéreos não tripulados (VANTs) à sua frota e convocou exercícios navais com munição real no estratégico Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.




