Nesta quinta-feira (29), ocorreu a divulgação dos resultados do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e, com isso, veio a revolta dos estudantes com a dificuldade do processo.
Este ano, no entanto, foi diferente. Muitos estudantes foram às redes sociais denunciar que as notas de corte para que conseguissem passar em determinado curso estavam muito mais altas que o normal, além de sofrerem grandes alterações de um dia para o outro.
As notas de corte do Sisu são definidas pela média das notas dos estudantes que se inscreveram para um curso, ou seja, quanto mais estudantes com notas altas inscritos, maior será a nota de corte. Esse foi um dos fatores que levou os jovens a denunciarem que alguma irregularidade estava ocorrendo no processo.
O segundo fator foi que, nesse ano, o Sisu autorizou que fossem utilizadas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) dos últimos três anos. Isso, de acordo com as denúncias, teria feito com que várias pessoas que já tinham entrado em uma universidade se inscrevessem em determinados cursos para aumentar sua nota de corte. Por esse motivo, também é esperado que saiam várias listas de espera, uma vez que os inscritos não irão se matricular.
Outro aspecto denunciado foi o de que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo ENEM, anulou três questões da prova e, para “compensar”, inflou as notas das provas do segundo dia, alterando o cálculo padrão da prova por meio da Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia utilizada pelo ENEM que faz o cálculo com base na coerência das respostas e dificuldade das questões, não apenas no número de acertos. Ela supostamente valoriza questões fáceis, penalizando chutes (acertos difíceis com erros fáceis).
Com as notas das provas do segundo dia (focado em ciências da natureza e matemática) infladas, os erros nessa prova pesaram muito mais na média final do estudante do que os erros em português, ciências humanas e redação. As notas gerais, portanto, baixaram significativamente em relação aos anos anteriores — não só isso, mas, com a permissão de poder cadastrar notas de outros anos, a nota de corte de todos os cursos ficou muito acima do esperado, uma vez que elas foram naturalmente maiores mesmo que tivessem o mesmo número de acertos de alguém que fez a prova apenas em 2025.
Parte dos estudantes, sem saber muito em quem acreditar — já que o INEP e o Ministério da Edução propagandeiam que o Sisu foi um sucesso —, direcionam sua raiva àqueles que se inscreveram com notas dos anos anteriores, atiçando uma briga entre jovens que acabaram de sair do Ensino Médio e pessoas mais velhas que não conseguiram passar em anos anteriores.
Apesar de cada aspecto ter peso na situação, apenas uma questão fica evidente em toda a confusão: o vestibular é nada mais do que uma barreira para que o jovem, sobretudo pobre, não consiga ingressar na universidade. É um processo cada vez mais exigente e, portanto, excludente.
Todos os vestibulares são, em sua essência, uma ferramenta para privar os filhos dos trabalhadores de entrarem nas universidades. Os tubarões da educação não podem tolerar esses jovens em universidades por diversos motivos, seja porque a distância entre as classes é fundamental para a manutenção do seu domínio econômico, seja porque precisam destruir o ensino público para forçar com que a educação se torne uma mercadoria
Todos devem ter o direito de cursar o Ensino Superior, não apenas porque está garantido na Constituição, mas porque a educação não pode ser vista como um privilégio, pois é um direito do povo. O ensino superior deve ser livre, uma continuação direta das etapas anteriores do aprendizado.
É preciso lutar pelo fim do ensino privado, pelo fim dos vestibulares e por uma educação pública, gratuita e, sobretudo, para todos.





