Polêmica

Campos Neto já tem uma ‘esquerda’ para chamar de sua

Articulista repreende Boulos por crítica à política criminosa de juros altos do BC, que aumenta a dívida pública e empobrece mais o povo

Alex Solnik utiliza uma fábula para escrever seu artigo O escorpião e o sapo, publicado no Brasil247 nesta quinta-feira (29). O uso da fábula é o pior possível, pois serve para defender a política criminosa da Banco Central (BC) quem mantém os juros a terríveis 15%, o que beneficia os banqueiros e pune severamente a população brasileira. Essa é a mesma política do presidente do BC indicado por Jair Bolsonaro (PL), Roberto Campos Neto, a quem Lula dirigiu diversas críticas, até capitular completamente diante da pressão do grande capital.

Abaixo, reproduzirmos a fábula:
Era uma vez um escorpião que precisava atravessar um rio, mas não sabia nadar. Ele encontrou um sapo e pediu:

 “Sapo, por favor, me leva nas costas para o outro lado?”.

O sapo respondeu:

“De jeito nenhum! Se eu te levar, você me pica e eu morro!”.

O escorpião rebateu:

“Imagina! Se eu te picar, você afunda e eu morro afogado junto. Não faria sentido, né? Prometo não te picar”.

O sapo concordou. Levou o escorpião nas costas e começou a atravessar o rio.

No meio da travessia, o escorpião deu-lhe uma picada mortal. O sapo, já quase sem forças, perguntou ao escorpião:

“Por que você fez isso? Você disse que não ia me picar! Agora nós dois vamos morrer!”.

O escorpião respondeu calmamente, antes de afundarem:

“Eu não pude evitar… é a minha natureza”.

Puxão de orelha

Para que serviu essa introdução do articulista? Para chamar a atenção de quem, ainda que timidamente, critica a política de juros do BC.

No primeiro parágrafo está escrito que “o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deu uma de escorpião ao atacar, ontem, o Banco Central: ‘O Banco Central alimenta a agiotagem ao manter os juros em 15%. O trabalhador perde poder de compra, enquanto o banqueiro ri à toa. Isso com a inflação acumulada mais baixa num governo desde o Plano Real. O nosso governo, liderado por Lula, está fazendo a sua parte. Agora falta o BC fazer a dele. A decisão do Copom é injustificável e indefensável!’”.

A crítica de Boulos poderia ter sido mais rígida, mas não se pode esperar dele essa postura. O ministro tem sabido cuidar da própria carreira.

O jornalista adverte que “quando assumiu o ministério, Boulos prometeu ‘colocar o governo na rua’. Mas, na primeira ocasião em que se apresentou, colocou o governo contra a rua, pois quem fixou a meta da inflação foi o Conselho Monetário Nacional, no qual o governo, com os ministros Haddad e Simone Tebet, tem a maioria dos votos, e tanto o presidente quanto a maioria dos membros do BC, cuja missão é manter a inflação dentro da meta, foram escolhidos por Lula”.

A primeira mentira é a de que a afirmação de Boulos coloca o governo contra a rua. Ninguém aguenta mais essa política de juros elevados, as famílias brasileiras estão todas endividadas e essa política é um dos pontos fracos que seguramente tirará votos de Lula, caso tente se reeleger.

Apenas quem está completamente apartado da realidade, ou vive de renda, acredita que as ruas estariam contra a diminuição dos juros.

O governo criticava abertamente a política de juros de Campos Netto, será o que jornalista se esqueceu? E o que mudou? Nada, e até piorou. O governo não fala nada porque colocou Gabriel Galípolo no cargo e agora faz cara de marido traído.

O articulista usa a desculpa de que foram Haddad e Tebet que fixaram a meta de inflação, mas isso poderia muito bem ser mudado, pois de que vale manter a meta de inflação e condenar a população e a economia?

A maioria de votos dos membros do BC significam o quê? Essa gente está sob o controle dos banqueiros.

Cobrança

Outro truque do jornalista é colocar Boulos em uma posição defensiva, diz que “Nascido de uma costela do PT, o PSOL pode até fingir, quando lhe interessa, que apoia o governo, mas, na hora H, não consegue evitar a sua natureza, que sempre foi, desde a fundação, picar o PT”. Deixando de lado que Boulos e o PSOL são oportunistas, o mesmo critério deveria servir para Simone Tebet e o voto dela deveria gerar desconfiança, pois é do MDB.

Do alto de sua arrogância, Solnik diz que “além de mostrar que não entende nada de economia, o ministro do PSOL não respeita seus colegas de ministério. Quem tem autoridade para falar sobre economia é o ministro Haddad, que nunca meteu a colher na seara de Boulos”. A declaração do jornalista é absurda, a menos que ele acredite que fazer política seja o mesmo que ser uma vaquinha de presépio.

O que o articulista tem a dizer sobre a declaração da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que criticou nesta quarta-feira a taxa? A ministra declarou o seguinte: “Eu acho um absurdo os juros continuarem nesse patamar de 15%. Isso só tem implicação em uma coisa: aumento da dívida pública brasileira”. Será que a pecha de escorpião cabe à petista? Será que ela também não entende de economia?

“Esquerda tucana”

No Brasil existe uma esquerda tucana, gente que apoia Lula apenas ocasionalmente, pois suas convicções são de direita.

Qualquer pessoa deveria ter o direito de criticar, ainda mais quando se trata de uma política criminosa da qual o governo é refém.

Lula não teve forças, ou vontade política, de trazer o BC de volta para o governo. Pois não existe Banco Central livre, isso o articulista não fala, faz o contrário, fica ao lado dos banqueiros.

Por falar em escorpião, o que dizer de quem defende sorrateiramente uma política que envenena o governo e põe em perigo uma possível reeleição de Lula?

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.