Polêmica

Censura é preparação para a guerra

O que os governos não querem é que os jovens vejam o que está ocorrendo, como os vídeos registrando a brutalidade contra os imigrantes e assassinatos de cidadão norte-americanos

Censura na rede

O artigo Chega ao tribunal o 1º caso que pode abalar a impunidade dos donos das redes sociais dos EUA, de autoria de Lúcia Guimarães, publicado na Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (28), está na seção Opinião, portanto, o que se esperava da autora é que desse sua opinião sobre o assunto, mas ele se limitou a reportar o tema como se fosse uma notícia qualquer.

Lúcia Guimarães escreve: “Começou, na Justiça da Califórnia, o primeiro julgamento que pode testar a impunidade das redes sociais no seu poder entre usuários jovens. O processo é movido por uma mulher de 20 anos, identificada pelas iniciais KGM, que responsabiliza o sistema de algoritmos usado nas plataformas pela dependência que teria afetado sua saúde mental”.

É estranho que um tribunal aceite uma denúncia contra um sistema de algoritmos. Sim, pois algoritmo pode ser muitas coisas, como as instruções para se trocar uma lâmpada, ou uma receita de bolo:

Entrada (Input): Os ingredientes (ovos, farinha, açúcar).

Processamento: As instruções passo a passo (bater as claras, misturar o fermento por último, levar ao forno pré-aquecido por uma hora).

Saída (Output): O bolo pronto.

Adiante, lê-se que “o caso tem a adesão de 1.600 reclamantes, incluindo centenas de famílias e mais de 250 distritos municipais de Educação. Eles acusaram o Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e Snapchat de ter ‘reprogramado a forma como seus filhos pensam, sentem e se comportam.’”. Mas isso não quer dizer muita coisa, pois as pessoas podem estar sendo induzidas a tomarem determinadas posições.

No mais, como provar que pessoas estão sendo “reprogramadas”? É absurdo. Além disso, tudo influi de algum modo no pensamento, sentimento e comportamento das pessoas, que não são máquinas programáveis, pois têm capacidade de raciocínio.

Pressão

A autora informa que “outros casos avançam, um na Justiça Federal que recebeu adesão bipartidária de 32 procuradores estaduais”, comprovando que a pressão vem do próprio imperialismo, e que se trata de uma grande operação.

Outro absurdo é que “a Meta é alvo separado de um processo movido por duas famílias que acusam o Instagram de ter contribuído para o suicídio de seus filhos”. A história se repete. Há 250 anos, atribuíram ao livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, uma onde de suicídios ocorridos na Europa. O livro foi banido por um tempo em alguns países. O livro continua a ser lido, e nem por isso pessoas se matam. Hoje, se sabe que muitos suicídios são motivados pela propaganda que se faz dos casos na grande imprensa.

Segundo o artigo “o TikTok, recém-adquirido nos EUA por aliados do presidente Donald Trump, fez um acordo extrajudicial na terça (27), e a plataforma Snapchat fechou um acordo que classificou de amigável na semana passada”. No entanto, a aquisição do TikTok já é parte da ofensiva imperialista contra as redes. Notícia da HipanTV dá conta de que no Congresso Mundial Judaico de 2025, o agora novo CEO do TikTok nos EUA, Adam Presser, descreve a atuação da plataforma para censurar críticas ao sionismo. A desculpa é o combate ao discurso de ódio. O executivo disse que triplicaram o número de contas banidas da plataforma. Isso comprova que o controle é sobre os usuários, não sobre as big techs.

Como este Diário vem denunciando a ofensiva mundial, a articulista acaba revelando que “o caso coincide com a multiplicação de iniciativas, em vários países, que, a exemplo da Austrália, decidiram vetar o acesso de menores às redes sociais. Nos EUA, medidas semelhantes estão sendo estudadas pelos legislativos de estados e devem enfrentar desafios judiciais”. Apenas é preciso corrigir que não se trata de coincidência, mas de um plano em andamento.

Censura

A articulista também escreve acriticamente que “o movimento para banir o uso de celulares em escolas durante o período de aulas também ganhou impulso nos EUA. Em Nova York, a proibição estadual que foi imposta no início do atual ano letivo tem sido considerada um sucesso, com mais engajamento e concentração nas classes”. Muito antes de haver celulares, houve inúmeros filmes e artigos demonstrando a falência da educação nos Estados Unidos, principalmente para os mais pobres. Dizer que a proibição de celulares melhorou a qualidade das aulas é uma grande falácia.

O que os governos não querem é que os jovens vejam o que está ocorrendo, como os vídeos registrando a brutalidade contra os imigrantes e assassinatos de cidadão norte-americanos que povoam as redes.

Essas mesmas pessoas que se dizem preocupadas com jovens estão financiando o genocídio em Gaza e a guerra na Ucrânia, que tem matado e mutilado jovens e crianças. E a coisa não para por aí, pois o imperialismo se prepara para uma guerra mundial; isso exige rigoroso controle das informações, pois pessoas politizadas podem se voltar contra os governos e se negaram a ir lutar em uma guerra para defender os interesses do grande capital.

O espantalho

Para tentar justificar sua posição, Lúcia Guimarães ataca a figura do dono da Meta, Mark Zuckerberg, como se ele e suas empresas fossem a mesma coisa. Diz que “o depoimento mais esperado, em fevereiro, deverá ser o de Mark Zuckerberg, da Meta, dona do Instagram e do Facebook”. E completa dizendo que “em 2024, Zuckerberg testemunhou no Senado e afirmou que a ciência existente não demonstrou vínculo entre as redes sociais e a piora da saúde mental dos jovens”, o que é verdade.

Adiante, Guimarães escreve que “no tribunal, o empresário, que é desprezado por dois terços dos americanos, vai ter de escancarar seu carisma negativo diante de um corpo de jurados”. E fica a pergunta: Quem é carismático se beneficia nos tribunais?

Em seguida, diz que os jurados são “meros mortais que não seriam convidados para o bunker que ele constrói no Havaí para curtir o fim do mundo”. Talvez haja bilionários construindo bunkers comunitários e ninguém foi informado.

Lúcia Guimarães diz que há uma demanda no Decreto de Decência nas Comunicações por duas provisões “uma que impede bilionários como Elon Musk e Zuckerberg de serem tratados como publishers de conteúdo e outra que impede as empresas de serem penalizadas por atividades como a moderação de conteúdo”. Qual será o próximo passo, impedir filmes do Batman e do Homem de Ferro, cujos bilionários são heróis que combatem o crime? É óbvio que não.

Finalizando, a articulista diz que “assim como ocorreu na virada da opinião pública sobre o tabagismo, há três décadas, a antipatia popular pelos oligarcas do Vale do Silício está em alta evidente”. Faltou explicar que a campanha foi encampada pelos bancos, pelo grande capital financeiro, o mesmo que arrasta o mundo para a Terceira Guerra Mundial.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.