A recente visita do presidente Lula ao Panamá, encerrada nesta quarta-feira (28), é um retrato fiel das contradições que cercam a atual política externa brasileira. Sob o pretexto de estreitar laços comerciais e celebrar um crescimento de 78% no intercâmbio bilateral, Lula deu continuidade a uma política que, em sua essência, fortalece instrumentos de controle do imperialismo sobre a América Latina. Lula, ao lado do presidente panamenho José Raúl Mulino, fez um discurso voltado para o pragmatismo econômico e para a “relação química” entre líderes, mas silenciou a ingerência estrangeira sobre o continente.
O ponto mais alarmante da passagem de Lula foi a incorporação da política de “combate ao crime organizado transnacional”. Com essa política, o governo brasileiro está abrindo as portas para uma maior militarização da região sob orientação do governo norte-americano e suas agências, que utilizam a desculpa do combate ao tráfico para justificar a vigilância e a repressão sobre os movimentos populares e os governos que se rebelem à sua dominação.
Somado a isso, causou profunda estranheza a ausência de uma denúncia incisiva sobre a situação na Venezuela. Em solo panamenho — um país historicamente utilizado como plataforma logística e política para os interesses dos Estados Unidos —, Lula não exigiu a liberdade de Nicolás Maduro, nem denunciou diretamente os Estados Unidos como responsável pelas agressões.
Lula defendeu a neutralidade do Canal do Panamá e anunciou a adesão formal do Brasil a esse protocolo, além de negociar a entrada do Panamá como Estado Associado do MERCOSUL para facilitar a exportação de carnes e capitais.





