Brasil

A parceria do Itaú com a CIA para cooptar a juventude negra

ONG que se diz defensora da igualdade racial recebe milhões de bancos e fundações internacionais para cooptar juventude negra com bolsas e propaganda identitária

O Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), uma ONG fundada em 1990, supostamente para promover “equidade racial e de gênero” no mercado de trabalho, é financiada por bancos e pelo grande capital internacional. Sua principal iniciativa, o Programa Prosseguir, oferece bolsas de R$700 mensais a universitários negros pagas por empresas como o Banco Itaú e entidades ligadas aos EUA e ao Reino Unido. Observando o caminho do dinheiro, é possível investigar o real propósito de certas organizações que se apresentam como defensoras dos oprimidos.

Investigando os dados públicos disponíveis nos sites do CEERT e de seus parceiros, como o Observatório Anansi e a Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero, este Diário encontrou uma rede de financiamentos que revela a dependência da ONG do capital financeiro e de instituições estrangeiras. O Programa Prosseguir, na sua 6ª edição, distribuiu 81 bolsas mensais para estudantes negros autodeclarados (pretos ou pardos) do 2º ao penúltimo ano de graduação em cidades como Manaus, Belém, Recôncavo Baiano, Sul da Bahia, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Além do valor financeiro, inclui cursos virtuais de inglês e atividades para “desenvolvimento acadêmico, profissional e pessoal”.

Mas quem paga a conta? Das 81 bolsas, 62 são viabilizadas diretamente pelo Itaú Unibanco, que já investiu mais de R$35 milhões em iniciativas semelhantes desde 2018. Rastreando os parceiros listados no site do Anansi, vemos conexões internacionais claras: a Porticus, uma fundação holandesa presente em 90 países com foco na América Latina; o Institute for Human Rights and Business (IHRB), sediado no Reino Unido; o Fundo Newton, financiado pelo governo britânico via British Council; e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com sede nos EUA e tendo como maior acionista o governo norte-americano. Essas entidades apoiam a Coalizão Empresarial do CEERT, que promove “diversidade corporativa” em parceria com Instituto Ethos, Movimento Mulher 360 e BID, com recursos do Newton Fund para indicadores de equidade racial.

O Fundo Brasil de Direitos Humanos destinou R$1 milhão ao CEERT por 24 meses para inserir jovens negros na “socio-bioeconomia”, com parceria com o Pacto Global da ONU, MOVER, Instituto Ethos e GIFE. Já a Brazil Foundation, uma entidade registrada nos EUA, gerencia o Fundo CEERT para equidade racial e de gênero, captando doações internacionais para bolsas e treinamentos em Salvador, Rio de Janeiro, Manaus, Belém e São Paulo. Essa fundação, qualificada como OSCIP no Brasil (CNPJ 04.839.572/0001-10), emite recibos para deduções fiscais nos EUA, revelando uma ponte direta com o governo norte-americano.

Observa-se, portanto, que o governo dos Estados Unidos financia o CEERT através de descontos fiscais para as empresas que destinam seu dinheiro à iniciativa. Dessa forma, um governo estrangeiro detém controle financeiro sobre o programa de ensino de uma camada de jovens negros que são alcançados pelas bolsas da ONG.

Fluxograma do financiamento do CEERT

Essas conexões indicam um funcionamento similar ao de organizações como o National Endowment for Democracy (NED), descrito pelo Ministério das Relações Exteriores da China como uma ferramenta da CIA para financiar ONGs e subverter movimentos sociais sob o pretexto de direitos humanos. O NED atua como “luvas brancas” para operações que a CIA realiza secretamente, destinando milhões a ativistas, imprensa e grupos étnicos para incitar divisões, produzir propaganda e fomentar golpes de Estado ou tentativas de golpe em países como Ucrânia, Irã, Hong Kong e nações da América Latina. No caso de minorias étnicas, o NED apoia organizações que amplificam tensões raciais para desestabilizar governos, como no financiamento ao World Uyghur Congress ou a dissidentes iranianos.

No Brasil, o CEERT atrai jovens negros vulneráveis com bolsas, mas os integra a uma rede que promove o identitarismo, destruindo qualquer potencial revolucionário da juventude. Por exemplo, o programa de ensino identitário defende o fortalecimento da polícia e do Judiciário para prender “racistas”. É uma formação ideológica para sustentar um aparato repressivo em nome do combate ao racismo, como se vê no caso da Lei de Racismo, que prevê pena de prisão por “crime” de pensamento e que, na prática, foi utilizada pelo sionismo para perseguir apoiadores da Palestina no Brasil, como o jornalista e militante Breno Altman e o Partido da Causa Operária (PCO).

Enquanto o Itaú usa esses programas para atrair jovens negros, o CEERT atua como ponte ideológica. Jovens aceitam bolsas e acabam sendo doutrinados com base na política identitária.

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