O Partido da Causa Operária (PCO) anunciou, nesta terça-feira (27), um curso com o tema A história da Revolução Bolivariana, que terá início previsto para o final de março de 2026. O curso abordará o processo revolucionário venezuelano, sua resistência ao imperialismo e as lições fundamentais para a luta socialista no continente.
O ponto de partida da Revolução Bolivariana é a crise do modelo neoliberal imposto à Venezuela nas décadas de 1980 e 1990. Um marco decisivo foi o Caracazo, em fevereiro de 1989: uma explosão popular espontânea contra o pacote de ajustes neoliberais do presidente Carlos Andrés Pérez, que incluía aumento drástico de tarifas, desvalorização da moeda e cortes em subsídios. Os protestos, iniciados em Guarenas e espalhados por Caracas e outras cidades, envolveram saques por alimentos e barricadas em bairros populares, expressão da fome e da miséria de uma população que viu sua qualidade de vida desabar após a “década perdida” e a dependência do petróleo.
A repressão brutal do governo, com estado de emergência, lei marcial e mobilização militar, resultou em centenas de mortes oficiais, com estimativas de até milhares, execuções sumárias e desaparecimentos, o que chegou a ser condenado internacionalmente pela pressão popular. O Caracazo enterrou o “Pacto de Punto Fijo”, o arranjo bipartidário que dominava a política venezuelana desde meados do século XX, e radicalizou o povo, abrindo caminho para o surgimento de novas forças políticas de esquerda.
Nesse momento surgiu Hugo Chávez Frías, militar que fundou o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), inspirado em Simón Bolívar, Simón Rodríguez e Ezequiel Zamora. Em 1992, Chávez liderou uma tentativa de golpe contra Pérez, fracassada, mas que o projetou como figura anti-neoliberal. Preso por dois anos e anistiado, ele fundou o Movimento Quinta República e, em 1998, venceu as eleições presidenciais com amplo apoio popular.
Assumindo em fevereiro de 1999, Chávez iniciou uma nova etapa da Revolução Bolivariana, com as forças anti-imperialistas agora no governo. Ao longo de 14 anos de governo (até sua morte em 2013, vítima de câncer), promoveu profundas transformações sociais: programas massivos de moradia, saúde e educação; diversificação econômica além do petróleo; fortalecimento da soberania nacional com uma renovação das Forças Armadas; e integração latino-americana via iniciativas como o Foro de São Paulo e alianças anti-imperialistas internacionais, como vem se mostrando a aproximação da Venezuela com a Rússia e a China.
O processo enfrentou reações truculentas: o golpe de Estado em 2002 (revertido em poucas horas pela mobilização popular e setores nacionalistas das Forças Armadas), sabotagens econômicas, queda nos preços do petróleo e pressões incessantes dos Estados Unidos e da oposição burguesa, que tentaram dar golpes de Estado por diversas vezes no país. Ainda assim, Chávez venceu sucessivas eleições, articulou o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e consolidou um governo popular, soberano e nacionalista.
Passados mais de 25 anos desde o início do processo revolucionário bolivariano, defender a Venezuela de hoje, contra bloqueios, sanções e tentativas de desestabilização imperialista, como o sequestro do presidente eleito Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, permanece um dever essencial para a esquerda e para sua vanguarda. O curso do PCO surge, portanto, como oportunidade valiosa para estudar esse legado, extrair lições sobre a luta contra o imperialismo e preparar a militância para lidar com os conflitos mais urgentes da América Latina e dos povos do mundo contra o imperialismo.
Custando apenas R$250, o curso sobre a Revolução Bolivariana pode ser acompanhado de forma presencial ou remota e será oferecido em parceria com a Universidade Marxista. Informações e inscrições estão disponíveis pelo telefone (11) 99741-0436 ou no sítio da plataforma de cursos.





