Milhares de pessoas participaram, na sexta-feira (23), da Marcha pela Vida, em Washington, D.C., ato anual contra o aborto. A edição deste ano foi marcada por declarações de apoio do presidente Donald Trump e do papa Leão XIV, além de anúncio do vice-presidente JD Vance sobre mudanças em uma política federal criada nos anos 1980.
Durante a mobilização, Vance informou a ampliação da chamada Política da Cidade do México, instituída em 1984 no governo Ronald Reagan. A regra proíbe o uso de recursos federais dos EUA por organizações estrangeiras que promovam ou realizem abortos. Segundo o vice-presidente, a ampliação passará a atingir também o financiamento de grupos ligados a programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) e ao que chamou de “ideologias radicais de gênero”. “O que acreditamos é que todo país do mundo tem o dever de proteger a vida”, disse Vance. “Estamos expandindo essa política para proteger a vida, combater a DEI e as ideologias radicais de gênero que se aproveitam de nossas crianças”.
A mudança foi recebida com aplausos por participantes do ato. Representantes de entidades presentes afirmaram que a medida busca impedir que recursos públicos dos EUA sejam usados no exterior para iniciativas relacionadas ao aborto.
A Marcha pela Vida ocorre anualmente em janeiro desde 1974. A primeira edição foi organizada um ano depois da decisão Roe v. Wade, que havia legalizado o aborto em todo o país. O objetivo inicial era pressionar o Congresso para reverter a decisão. Décadas depois, com a derrubada do precedente pela Suprema Corte e a ampliação da autonomia dos estados para legislar sobre o tema, organizadores passaram a afirmar que o foco inclui a disputa “nos níveis estadual e federal” e uma campanha para “mudar a cultura”, com a meta declarada de tornar o aborto “impensável”.
O papa Leão XIV enviou mensagem divulgada pelo Vaticano com “calorosas saudações” aos participantes e disse estar espiritualmente próximo da mobilização. O pontífice afirmou apreciar o “testemunho público” em defesa da ideia de que a proteção do direito à vida seria fundamento de outros direitos e incentivou, em especial, a atuação da juventude, inclusive no diálogo com lideranças civis e políticas. Trump, em declaração enviada ao ato, citou a marcha como um movimento que se mantém há décadas e atribuiu a seu primeiro mandato indicações de juízes que, segundo ele, contribuíram para decisões favoráveis ao movimento contra o aborto, defendendo agora uma “cultura” de apoio à família em todo o país.



