A ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Vera Lúcia Santana Araújo afirmou nesta terça-feira (27), em Brasília, que o combate ao “feminicídio” e à violência contra a mulher passaria “obrigatoriamente” pelas urnas e pela ampliação da presença feminina em cargos eletivos e instâncias partidárias. A magistrada falou no CB Debate “Pela proteção das mulheres: um compromisso de todos”, promovido pelo Correio Braziliense.
No encontro, Vera Lúcia defendeu a ampliação “quantitativa e qualitativa” da presença de mulheres na vida política, partidária e institucional, incluindo os poderes Legislativo e Executivo. “É fundamental que a gente qualifique quantitativamente e qualitativamente a representação das mulheres na vida política, partidária, institucional, nos poderes legislativos e executivos”, afirmou, dizendo que a sociedade deveria eleger “defensoras reais de políticas públicas que assegurem a nossa vida”.
A ministra também disse que é preciso garantir políticas públicas contínuas e que elas não sejam desmontadas a cada troca de governo. “A gente precisa estabelecer uma política de Estado que garanta a vida das mulheres e a plenitude da cidadania por todas nós”, declarou.
Ao tratar das eleições de 2026, Vera Lúcia afirmou ser um ano “crucial” para consolidar a democracia por meio de uma representação feminina “comprometida e real”. Ela mencionou a necessidade de ir além da retórica para impedir que notícias falsas e a desigualdade salarial sigam atingindo as mulheres. “Nós não podemos somente ser eleitoras. Nós precisamos ser candidatas. Precisamos eleger mulheres que saibam e se comprometam com a nossa dignidade”, disse.
Esse tipo de posicionamento serve para mascarar um problema social e concreto com a ideia de “representatividade” e a presença de indivíduos em cargos. Sem uma mudança econômica profunda, material, a vida das mulheres não se altera no essencial. Essa transformação, do ponto de vista da luta de classes, só pode vir de uma reorganização radical da sociedade, pela revolução socialista.
Além disso, a declaração da ministra tem como objetivo aumentar a repressão do Estado contra a população. É por isso que ela coloca “combater notícias falsas” e “combater a desigualdade salarial” no mesmo patamar no que diz respeito aos problemas das mulheres. Ela quer, finalmente, que as mulheres eleitas sirvam como porta-vozes da ditadura que o Judiciário está impondo no País.


