África

Sudão do Sul sob ameaça de nova guerra civil

udão do Sul conquistou a independência do Sudão em 2011, mas permanece instável desde o fim de uma guerra civil de cinco anos que eclodiu em 2013

O exército do Sudão do Sul ordenou que civis, funcionários da missão da ONU (UNMISS) e organizações humanitárias evacuem três condados em Jonglei, o maior estado do país, enquanto se prepara para uma operação contra as forças de oposição.

Jonglei tem sido palco dos combates mais violentos na nação mais jovem da África nos últimos meses, com confrontos entre as Forças de Defesa do Povo do Sudão do Sul (SSPDF) e o Exército de Libertação do Povo do Sudão na Oposição (SPLA-IO), descritos pela ONU como os mais intensos desde 2017.

As forças do SPLA-IO, alinhadas ao vice-presidente suspenso do Sudão do Sul, Riek Machar, capturaram a cidade de Pajut, no norte de Jonglei, em meados de janeiro, colocando a capital do estado, Bor, ao alcance de sua ofensiva.

Operação ‘Paz Duradoura’

Em um comunicado divulgado no domingo, o porta-voz do SSPDF, Major-General Lul Ruai Koang, anunciou o lançamento “iminente” da ‘Operação Paz Duradoura’ e orientou todos os civis nas áreas controladas pelo SPLA-IO em Uror, Nyirol e Akobo a evacuarem imediatamente para áreas próximas controladas pelo governo para sua própria segurança.

“Todas as ONGs e pessoal da UNMISS que operam e trabalham nos condados de Nyirol, Uror e Akobo têm 48 horas para sair”, afirmou ele, instando “civis armados que não tenham interesse em lutar contra as forças do governo a entregarem imediatamente seus fuzis” ao SSPDF.

Instabilidade Política e Conflito Armado

O Sudão do Sul conquistou a independência do Sudão em 2011, mas permanece instável desde o fim de uma guerra civil de cinco anos que eclodiu em 2013, devido a uma disputa entre o presidente Salva Kiir Mayardit e seu atual primeiro vice-presidente, Machar. O conflito deslocou milhões de pessoas e deixou um saldo estimado de 400.000 mortos.

Kiir e Machar governam o Sudão do Sul sob um acordo de partilha de poder de 2018, mas as tensões aumentaram em março passado após o vice-presidente ser preso sob acusações de assassinato, traição e crimes contra a humanidade.

A missão da ONU no Sudão do Sul alertou sobre a ameaça de escalada da violência em Jonglei no domingo, depois que o vice-chefe do exército, General Johnson Olony, disse às tropas para “não pouparem ninguém — idosos, crianças, pássaros — ou não deixarem nenhuma casa de pé” quando forem enviadas para as áreas controladas pela oposição.

A missão relatou que mais de 180.000 pessoas fugiram de suas casas devido às hostilidades, instando as facções em conflito a retornarem à “tomada de decisões baseada no consenso” e a respeitarem os acordos de partilha de poder.

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