Polêmica

‘Memória do Holocausto’, propaganda para ditadura e genocídio

Presidente da Conib volta a falar do Holocausto para pedir uma ditadura no Brasil em defesa de "Israel" e do imperialismo

No dia 25 de janeiro, o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, publicou uma coluna no sítio Poder 360 intitulada “A memória do Holocausto e a incoerência moral do nosso tempo”. Nela, o propagandista tenta, mais uma vez, atacar quem se solidariza com os palestinos e os associar ao genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial, propondo, ainda que de forma velada, que haja ainda mais repressão contra o movimento antissionista no Brasil e uma fiscalização maior do dinheiro dos brasileiros, sob o pretexto de que parte da resistência possa ser financiada com isso.

É preciso lembrar, antes de mais nada, que a Conib é um órgão que atua a serviço de “Israel” e dos órgãos de inteligência do imperialismo no Brasil, como o Mossad e a CIA, promovendo a fiscalização da população brasileira e a propaganda favorável aos interesses de “Israel”. Ou seja, apesar de a coluna se apresentar como sendo moderada e mediadora do conflito, trata-se da opinião do principal órgão de defesa do genocídio na Palestina.

O texto começa com a tradicional e eterna lembrança do Holocausto para justificar os crimes do sionismo nos dias de hoje, seguida pela falsa ideia de que a “normalização” do ódio, ou seja, a falta de repressão à opinião dos nazistas foi o que gerou o genocídio dos judeus:

A maior tragédia do século 20 não foi um evento abrupto, mas o resultado de um longo processo, marcado pela normalização do ódio, pela corrosão das instituições democráticas e pela indiferença de sociedades que optaram por relativizar o mal enquanto ele se consolidava.”.

É preciso lembrar que Hitler chegou a ser preso antes mesmo de escrever o Mein Kampf, livro que começou enquanto ainda estava na prisão. No entanto, não foi isso que impediu a subida dos nazistas ao poder na Alemanha, mas sim, a opinião da burguesia do país de que apenas o fascismo seria capaz de conter a crise no país e aquietar a classe operária através da repressão.

Os judeus, que foram sem dúvida uma parte importante das vítimas do nazismo, embora não a única, eram utilizados como um inimigo em comum dos nazistas para confundir uma parte dos alemães sobre os reais problemas do país, se aproveitando da herança antissemita da Europa, que já vinha de muito tempo, tendo início durante a Idade Média.

Hoje, o que faz o sionismo não é muito diferente disso. Usam o sofrimento do judeu durante a Segunda Guerra como pretexto para justificar o genocídio e a repressão brutal contra os palestinos, que sequer tem relação com os nazistas na Alemanha e vivem em um país que sequer fica na Europa.

O texto, então, chega em um momento que beira a comédia, já que o autor tenta negar o genocídio na Palestina, mesmo com todo o material em vídeos, fotos e relatos espalhados pela internet, mas, ainda assim, Lottenberg diz que não se pode hoje negar o Holocausto, já que com a internet os materiais são inúmeros. Ora, por que, então, ele pode negar o genocídio na Palestina, se ele mesmo diz que hoje “violações de direitos humanos, guerras e repressões são acompanhadas em tempo real”?

Ele segue, ainda no mesmo parágrafo, se usando da ideia de que o Holocausto não pode ser negado racionalmente, para atacar o que chama de “extremismo”, que, segundo ele, “segue sendo tratado, muitas vezes, como uma divergência política aceitável, e não como um projeto organizado de poder”.

Ou seja, o que propõe o presidente da Conib é que a opinião dos “extremistas”, ou seja, quem luta contra o genocídio na Palestina, não fosse tomada como parte do debate político, mas como crime, o que serviria para que “Israel” continuasse bombardeando a Palestina e os países ao seu redor, destruísse todos os hospitais e impedisse a entrada de ajuda humanitária como medicamentos e comida, tudo por conta de um crime cometido por outras pessoas há oito décadas.

O texto começa, então, a relativizar o conceito de soberania, dando a entender que alguns países seriam bons e outros maus, chamando-os de “regimes autoritários”, e que somente os bons poderiam ser soberanos. Um pouco depois no texto, ele chega a sugerir que o fluxo de dinheiro deve ser extremamente fiscalizado.

A ideia de que não são todos os países que devem ser soberanos, além de tentar justificar existência de “Israel”, que nada mais é do que a colonização imperialista da Palestina, e de também justificar a agressão do imperialismo à países como a Venezuela e o Irã, se soma à segunda ideia, a de que o dinheiro do cidadão comum deve ser vigiado -o que também atenta contra a soberania, já que quem fiscalizaria o dinheiro seria o imperialismo- tem origem em teorias que vêm sendo apresentadas pelo imperialismo em relação ao financiamento do Eixo da Resistência.

Segundo uma dessas teorias, o dinheiro em locais com uma grande presença da população árabe e islâmica, caso, por exemplo, da Tríplice Fronteira, região onde o Brasil, a Argentina e o Paraguai se encontram, seriam fontes de dinheiro para a resistência no Oriente Médio.

Ou seja, o que está sugerindo o presidente da Conib, ainda que de forma um pouco escondida, é que haja uma grande ditadura no Brasil para impedir tanto que manifestações políticas contra o genocídio na Palestina e a guerra contra outros países da região aconteçam, caso da guerra que está sendo gestada contra o Irã, por exemplo, quanto o envio de remessas de dinheiro para o fortalecimento daqueles que lutam contra os genocidas.

Ele chega a sugerir que existe uma suposta rede “autoritária” de financiamento do “terrorismo” e que alcançaria até mesmo o cidadão comum. Isso quando o país que a Conib defende recebe dinheiro diretamente dos países imperialistas para levar adiante o massacre das populações do Oriente Médio com métodos, esses sim, de terrorismo.

Após um pouco mais de demagogia e colocações vagas, o texto finalmente revela quais são os interesses por trás da questão de trazer, novamente, o Holocausto à tona:

A seletividade da indignação internacional é um dos sintomas mais evidentes dessa incoerência. Tragédias humanitárias de grandes proporções – como as ocorridas na Síria ou em diversas regiões da África- não mobilizam atenção proporcional à gravidade dos fatos. Ao mesmo tempo, o foco quase exclusivo sobre Israel, especialmente quando o país reage a ataques terroristas, revela um padrão desigual de julgamento moral.

O que revelaria um “padrão desigual de julgamento moral” é o fato de condenar um genocídio de mais de 80 anos atrás e ser favorável a outro hoje. Pior, se utilizando da imagem do Holocausto para justificar outro.

No parágrafo seguinte, ele volta a falar sobre o financiamento do Eixo da Resistência por indivíduos:

Não é possível discutir o conflito no Oriente Médio ignorando o papel de organizações terroristas, seus financiadores e a instrumentalização deliberada de civis.

No mesmo parágrafo, cita a perseguição dos judeus no passado, como se ela ocorresse hoje em dia, para acusar que é contra o genocídio na Palestina de antissemita:

Quando esse enquadramento é omitido, o debate deixa de ser humanitário e passa a reproduzir distorções históricas. Nesse contexto, ressurgem narrativas que, ainda que sob nova linguagem, ecoam uma antiga obsessão: a demonização seletiva dos judeus.

Ele então passa a dizer que há um aumento de manifestações antissemitas no mundo e que elas não podem ser ignoradas no Brasil, propondo que essas manifestações, que nada mais são do que uma reação ao genocídio na Palestina tanto na internet quanto nas ruas, não podem ser consideradas apenas como opinião política, mas sim, como “discursos que se afastam dos fatos históricos e se aproximam de ideologias que tratam o ódio como ferramenta política”, o famoso “discurso de ódio”.

A opinião da Conib pode, entretanto, passar para o leitor comum a ideia de que se trata de fato da defesa dos judeus contra o antissemitismo. Porém, essa não é uma realidade. Não há defesa alguma dos judeus, mas sim, do regime sionista na Palestina. O que a Conib e todo o grande aparato de propaganda e fiscalização do imperialismo sobre o assunto fazem é, em primeiro lugar, defender que não existe diferença entre o judeu e o sionista, algo que Hitler, inclusive, também acreditava como consta no Mein Kampf e que contraria o que milhares de judeus pelo mundo pensam. Em segundo lugar, o que fazem os sionistas é sequestrar a imagem do Holocausto, um dos maiores crimes da história, para justificar seus próprios crimes.

 

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