O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que um destacamento significativo de forças militares norte-americanas está se dirigindo ao Irã, enquanto afirmou em entrevista ao portal Axios que a República Islâmica “quer um acordo”.
As declarações de Trump ocorrem em meio a relatos de que o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln entrou na região, acompanhado por caças F-15 e F-35, aviões-tanque de reabastecimento e sistemas de defesa aérea.
“Temos uma grande armada próxima ao Irã. Maior que a da Venezuela”, disse Trump, sem especificar quais opções militares estariam sobre a mesa.
De acordo com a Axios, a Casa Branca continua a ameaçar com uma ação militar contra o Irã.
“Eles querem fazer um acordo. Eu sei disso. Eles ligaram em inúmeras ocasiões”, afirmou Trump, sem oferecer qualquer confirmação de fontes iranianas.
Segundo a imprensa norte-americana, entre os objetivos que o imperialismo norte-americano buscam em um acordo com o Irã incluem:
- A remoção de todo o urânio enriquecido;
- Um limite para os estoques de mísseis de longo alcance;
- O fim do apoio a movimentos de resistência regionais;
- A proibição do enriquecimento independente de urânio.
O Irã tem rejeitado repetidamente tais condições unilaterais, afirmando seu direito à autodefesa e à formulação de políticas soberanas.
Enquanto isso, autoridades dos Estados Unidos continuam a alegar que as instalações nucleares do Irã foram severamente danificadas durante a Guerra dos 12 Dias do ano passado, período em que os Estados Unidos e “Israel” coordenaram um ataque criminoso contra o Irã.
O Comandante do Comando Central dos EUA (Centcom), Almirante Brad Cooper, teria visitado “Israel” na semana passada para coordenar potenciais operações conjuntas. Enquanto isso, o chefe da Associação de Jornalistas Iranianos e membro do Conselho de Imprensa do Governo, Masha’Allah Shams al-Wa’izin, alertou na sexta-feira (23) que Donald Trump está “caminhando à beira do abismo”, em meio às crescentes tensões na região.
Falando à emissora libanesa Al Mayadeen, Shams al-Wa’izin disse que o governo norte-americano comunicou, por meio de terceiros, que as instalações do Irã poderiam enfrentar ataques e que o imperialismo esperava que a nação persa recebesse os ataques “sem uma resposta severa”. Ele enfatizou, no entanto, que, para o Irã, qualquer ataque limitado seria considerado uma guerra total, elevando significativamente o custo para qualquer agressor em potencial. Shams al-Wa’izin afirmou ainda que os Estados Unidos e “Israel” planejaram as recentes revoltas armadas no país.
“Os Estados Unidos querem que o Irã se renda”, disse Shams al-Wa’izin, ressaltando que nenhuma nação que se preze poderia aceitar tais ameaças.
Não apenas o Irã tem respondido às ameaças, como também seus aliados regionais.
Recentemente, o Secretário-Geral do Hesbolá, Xeque Naim Qassem, enfatizou que o partido não pode silenciar diante de qualquer ameaça ao Líder da Revolução no Irã, Saied Ali Khamenei. Ele afirmou que o Hesbolá está determinado a defender o Irã, reservando-se o direito de escolher a forma e o momento da intervenção conforme os desenvolvimentos.
No Iêmen, a posição de apoio coincidiu com mensagens práticas: a imprensa militar iemenita divulgou imagens de um ataque a um navio-petroleiro britânico no Golfo de Aden. A ação mostra a expansão do bloqueio marítimo e a evolução das capacidades de mísseis do país.
No Iraque, o Secretário-Geral das Brigadas Hesbolá, Abu Hussein al-Hamidawi, declarou apoio total ao Irã “na saúde e na doença”, alertando os Estados Unidos de que uma guerra contra o Irã não seria um “passeio” e teria um custo exorbitante.
O pesquisador libanês Muhammad Hassan Sweidan destacou que o perigo real da intervenção do Hesbolá não reside apenas no movimento em si, mas no caos regional caso o conflito se generalizar. Ele ressaltou que o discurso recente de Naim Qassem deixou todas as opções em aberto. Uma confrontação existencial não se limitaria à República Islâmica, mas atingiria a própria ideia de libertação regional, empurrando todas as forças de resistência para um engajamento total.
O escritor iraquiano Zaher Moussa, por sua vez, viu a declaração de Al-Hamidawi como um salto qualitativo na escalada, transcendendo fronteiras sectárias ao dirigir-se a todos os iraquianos. Ele sugere que isso abre caminho para possíveis decretos (fátuas) de “jihad defensiva”.
O membro do gabinete político do movimento Ansar Alá, Muhammad al-Farrah, situou qualquer agressão ao Irã como uma agressão contra toda a nação islâmica e uma violação flagrante da soberania. Al-Farrah afirmou que o Iêmen rejeita a neutralidade por ser parte integrante do “Eixo de Jihad e Resistência”. Ele expressou confiança na capacidade de resposta do Irã e seus aliados, afirmando que esta não seria meramente simbólica, mas atingiria a entidade israelense, bases e navios norte-americanos, além de rotas marítimas, em opções descritas como “dolorosas”.





