Polêmica

‘Defesa da democracia’ virou apenas a defesa do STF

Apesar das inúmeras suspeitas sobre o STF, jornalista defende a corte com um olho na eleição e outra em uma suposta democracia

Dias Toffoli

O artigo A ofensiva contra o STF em pleno ano decisivo lembra Lava Jato, de Gustavo Tapioca, publicado no Brasil 247 nesta segunda-feira (26), é mais um pouco de peso no barco que naufraga com o Supremo Tribunal Federal. Essa gente deveria observar que até Lula está tirando o corpo fora e deveria fazer o mesmo.

No primeiro parágrafo, Tapioca diz que “o Brasil entra em mais um ciclo eleitoral carregando feridas que nunca cicatrizaram. A Lava Jato, desmontada juridicamente e exposta moralmente, deixou um rastro de destruição institucional, perseguição política e manipulação judicial que marcou a história recente. Agora, às vésperas de uma nova disputa presidencial, surge um movimento que lembra — e muito — o roteiro de 2018: a tentativa de transformar o Supremo Tribunal Federal em inimigo público, desgastando ministros específicos para fragilizar a instituição como um todo”.

A Lava Jato, antes de mais nada, teve a conivência do STF. Quem foi que impediu Lula de ser ministro de Dilma Rousseff? Moro não era juiz natural do caso. Não tivesse afiançado a força tarefa de Curitiba, não haveria tamanha agressividade de Moro e seus comparsas.

O STF, por meio dos relatores Teori Zavascki e, em seguida, Edson Fachin, validou quase todos os acordos de colaboração premiada, mesmo sabendo que eram obtidos após prisões preventivas prolongadas. O que se pode considerar tortura. Posteriormente, com as mensagens vazadas, veio a público que Facchin colaborava com força tarefa. Deltan Dallagnou escreveu em uma mensagem “Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”.

Em 2016, a corte autorizou a prisão em 2ª instância.

Esses são alguns exemplos. Portanto, se a Lava Jato foi desmontada juridicamente, a conclusão a que se chega é de que o STF era uma peça fundamental no esquema.

Ainda sobre a Lava Jato, o Supremo utilizou os mesmos métodos no julgamento-farsa da “trama golpista”.

Sobre a “tentativa de transformar o Supremo Tribunal Federal em inimigo público”, nem é preciso muito. Pesquisas demonstram que a população detesta essa instituição. E quem está “desgastando” ministros específicos são eles próprios.

Alvos

Segundo Tapioca, “primeiro, o alvo foi Alexandre de Moraes. Agora, a artilharia se volta contra Dias Toffoli. A ofensiva é coordenada, ruidosa e amplificada por setores da mídia corporativa, parlamentares da direita e redes bolsonaristas. E, para muitos observadores, não há como ignorar o contexto: pesquisas mostram Lula em posição favorável, e a máquina de desinformação volta a operar com intensidade”. A primeira pergunta a ser feita é se os alvos são legítimos.

Lula está com números favoráveis na pesquisa, é por isso que tratou de tirar o corpo fora. Disse que Toffoli deve deixar o caso Master, ou deixar o STF.

“Enfraquecer o STF para minar a democracia”. Essa frase é uma contradição, pois o STF é que ameaça a democracia, passa por cima da Constituição e dos outros poderes da República, além de promover censura e ataques à liberdade de expressão.

É verdade que “A crítica legítima faz parte da vida republicana”. Mas o Supremo não está sendo criticado, não de maneira injusta; apenas que ministros da corte aparecem nas notícias em situações extremamente suspeitas com relação ao Banco Master.

Não é verdade, no entanto, que se veja agora “uma campanha de corrosão institucional”. A grande imprensa está pegando leve, se fosse contra o PT, como nos “bons” tempos do Mensalão e da Lava Jato, e cabeças já tinham rolado e estariam fincadas em postes na via pública.

Tapioca diz que “o objetivo não é fiscalizar ministros — é deslegitimar o Supremo como árbitro constitucional”. Se isso fosse verdade, seria uma ótima notícia, pois a “arbitragem” da Constituição tem sido um verdadeiro desastre. Só para citarmos um caso, Ric Jones, médico obstetra que enfrenta a indústria da cesariana, está preso porque o STF “entendeu” que para alguém ser preso não precisa mais ter o trânsito em julgado, basta a condenação por um júri popular.

Táticas

O jornalista escreve que “a tática é conhecida”, e elenca, por exemplo, o seguinte:

“Transformar ministros em alvos pessoais”, o que ele espera, que se bote todos em uma panela, como fizeram com os manifestantes do 8 de janeiro?

“Criar um clima de suspeição no ar”. A verdade é que os fatos são extremamente suspeitos, é da natureza da coisa. E só não está pior porque a burguesia precisa do STF e não quer prejudica a corte.

É absurdo acreditar que “A ofensiva contra Toffoli cresceu justamente após ele autorizar a apreensão da chamada “caixa amarela”, contendo gravações e documentos que podem comprometer figuras centrais da Lava Jato, incluindo Sergio Moro e Deltan Dallagnol”. O fato de o ministro ter aceita do carona em determinado jatinho para assistir a um jogo não conta? E quanto a ter tirado o caso do Master do âmbito federal e puxar para o STF, declarado sigilo, não é suspeito?

Eleições

Para Tapioca, “com pesquisas indicando vantagem de Lula, a ofensiva contra o STF ganha contornos ainda mais claros”, e que uma das estratégias é “reacender o antipetismo”. Isso só pode ser possível porque o PT se apoiou na corte para governar: um erro colossal. O mínimo que deveria a fazer é se afastar do Supremo, que no passado não exitou em trabalhar pelo Golpe de 2016, que culminou com a prisão de Lula e eleição de Bolsonaro.

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