Polêmica

A luta confusa contra o fascismo leva ao apoio ao imperialismo

A “luta contra o fascismo” se transformou em um desculpa para a defesa da democracia liberal. A campanha do tudo ou nada leva à conciliação de classes

Magritte

O artigo Combater o fascismo imperialista não é uma escolha, mas uma questão de sobrevivência, publicado no sítio Esquerda Online nesta quinta-feira (22), tem em seu título uma concepção confusa que leva à conciliação de classes.

“Fascismo imperialista”, como veremos, pode ser traduzido para extrema direita. Ignorando o fato de que a “democracia imperialista” é infinitamente mais mortal que o tal fascismo, bastando ver a situação mundial atual.

Os governos Obama e Biden, por exemplo, são responsáveis por inúmeros crimes, como o bombardeio à Síria, destruição do Líbano, o cerco à Rússia que levou à guerra na Ucrânia; o cerco contra a China tendo como centro Taiuã. Houve uma infinidade de golpes de Estado e fraudes eleitorais.

Quando diz que esse combate “não é uma escolha, mas uma questão de sobrevivência”, temos implícito que vale tudo contra o “fascismo imperialista”. A política mais imediata foi a do mal menor, que este Diário já denunciou. A esquerda embarcou na defesa do “democrata” Biden contra o fascista “Trump”. No entanto, por mais que Trump não deva ser defendido, Biden é um falcão que iniciou uma verdadeira guerra mundial que não para de escalar.

No Brasil, essa política se traduziu na defesa de qualquer um, desde que não fosse Bolsonaro.

Não é à toa que no texto encontramos um alerta sobre “prioridade absoluta ao enfrentamento enérgico ao fascismo por todos os meios. Detalhe que não é detalhe: POR TODOS OS MEIOS”. O “todos os meios” não significa enfrentamento armado, ou algo do tipo. A primeira opção é a colaboração de classes.

O que é o fascismo

Segundo o autor do artigo, “o termo ‘fascismo’ tem sido utilizado de forma genérica e descontextualizada, sugerindo, em certas ocasiões, que consiste apenas em uma expressão polêmica direcionada à direita, o que naturaliza as ações fascistas do imperialismo contra os povos. Para os marxistas, entretanto, a definição de fascismo apresenta-se de forma precisa e rigorosa”.

Para não restarem dúvidas, vejamos a opinião de Leon Trótski, o líder do Exército Vermelho, e um dos principais teóricos do marxismo: o fascismo não era apenas um movimento autoritário comum ou uma ditadura militar tradicional, mas um fenômeno social específico e devastador.

Segundo escreveu, o fascismo surge em momentos de crise profunda do capitalismo, quando a classe média (pequena burguesia, pequenos comerciantes, camponeses, profissionais liberais) está arruinada e desesperada.

Espremida entre o grande capital e a classe trabalhadora, a pequena burguesia é mobilizada pelo fascismo por meio de uma retórica nacionalista e demagógica. O fascismo transforma o desespero social em uma força de choque política.

O fascismo visa destruir as organizações operárias: sindicatos, partidos operários, clubes culturais e jornais independentes, ou qualquer forma de organização que permita à classe trabalhadora resistir à exploração.

Como Trótski caracterizou, embora o fascismo use uma retórica que às vezes parece “antissistema” ou crítica aos bancos para atrair as massas, Trótski explicava que, uma vez no poder, o fascismo se torna o “sistema de administração mais cruel do capital financeiro”.

Agara, um dado muito importante, é que a burguesia recorre ao fascismo como um “último recurso” quando a democracia liberal já não é mais capaz de garantir a estabilidade do lucro e a ordem social. Ou seja, não existe uma contradição entre as democracias liberais e o fascismo. Basta ver como tem agido a polícia na União Europeia contra aqueles que se manifestam contra o genocídio em Gaza. Finalmente, o fascismo não pode existir enquanto força política verdadeiramente efetiva se não tiver o apoio político e financeiro do imperialismo.

Confusão

Diferente de Trótski, que tinha uma política clara, o texto envereda em uma confusão. Fala em “contexto marcado por conflitos geopolíticos, desigualdade de renda extrema, crise ambiental global, além do declínio da consciência da organização da classe trabalhadora decorrente do colapso da URSS”.

Misturado a isso, o articulista alega que “a plutocracia das big techs norte-americanas, situada no epicentro do capital internacional, responde à crise profunda mediante uma contrarrevolução planetária, visando intensificar a exploração da classe trabalhadora e dos povos oprimidos”.

As empresas de tecnologia, ainda que sejam importantes, não configuram uma nova etapa do capitalismo, como o texto sugere. A tentativa de intensificar a exploração da classe trabalhadora é tão antiga quanto o capitalismo.

Em seguida, o texto afirma que “Trump encarna uma escolha consciente do centro do capitalismo americano pelo fascismo, agindo como um tirano que banaliza o uso da força como instrumento de dominação”. Mas Trump não fez uma “escolha”, apenas representa o grande capital doméstico norte-americano, em conflito com o grande capital financeiro.

O autor diz ainda que “intelectuais e líderes de esquerda acreditam que essa investida contrarrevolucionária pode alcançar resultados imediatos; entretanto, no longo prazo, levará ao colapso total do imperialismo americano”. Acontece que o imperialismo norte-americano não existe isolado do bloco imperialista, apenas que é o país mais importante. O colapso do imperialismo norte-americano coincidirá com o dos outros.

Democracia vs. fascismo

Um dos erros do texto é justamente não compreender que a democracia liberal é a máscara preferida do imperialismo. A ofensiva fascista se explica nisso que escreve Trótski em Aonde vai a França:

“A função histórica do fascismo é esmagar a classe operária, destruir suas organizações, sufocar a liberdade política, no momento em que os capitalistas se sentem incapazes de governar e dirigir com a ajuda da maquinaria democrática.”

A incompreensão de que democracia liberal e fascismo sejam duas faces da mesma cabeça, faz com que setores oportunistas convençam a classe trabalhadora a se unir a seu inimigo: o imperialismo.

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