Em mensagem dirigida aos militantes feridos e a civis atingidos, o secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, elogiou a perseverança dos combatentes e apresentou os ferimentos como prova de “fé, dignidade e resistência” em meio ao que descreveu como uma confrontação decisiva na região.
Ao abrir o texto com um versículo do Alcorão sobre aqueles que “creem, migram e lutam com seus bens e suas vidas no caminho de Deus”, Qassem se dirigiu aos “homens e mulheres feridos da resistência” e também à comunidade em geral. Na mensagem, afirmou que o sangue dos feridos é “uma radiância de vida”, que a dor é “um grito de verdade” e que a paciência seria “a tinta” com a qual se escrevem esperança e dignidade.
Qassem declarou que os feridos “escolheram o caminho divino” para defender a pátria e a humanidade e, com isso, demonstrariam o valor de uma vida digna diante da humilhação, da ganância e da corrida por “um mundo passageiro”. Disse ainda que a perseverança dos feridos permaneceria como motivo de orgulho para as futuras gerações e para “todos os homens livres”.
A mensagem recorreu a referências da tradição xiita. Qassem citou Abu al-Fadl al-Abbas como modelo de sacrifício e mencionou as feridas de Saied Ali Khamenei como testemunho de uma liderança forjada na luta.
Ao tratar dos feridos como “uma fonte de vida que nunca seca”, o dirigente afirmou que eles incorporariam “a promessa de vitória” e o sentido da dignidade humana. Também citou versículos do Alcorão que orientam os fiéis a não esmorecer diante do sofrimento e recordou uma frase atribuída ao imã Ali, defendendo firmeza e paciência em períodos de adversidade.
No trecho em que descreve a situação regional, Qassem afirmou que o momento atual seria uma grande confrontação conduzida pela “tirania norte-americana”, com mobilização do imperialismo e “violência sionista” sem limites. Elogiou a resistência de combatentes e civis, afirmando que ambos permaneceram lado a lado em uma firmeza que qualificou como “lendária”.
Segundo Qassem, as forças da resistência conseguiram deter “dezenas de milhares” de soldados de “Israel” na entrada do sul do Líbano. O dirigente disse ainda que, assim que o cessar-fogo entrou em vigor, civis retornaram às suas terras “no mesmo momento”, protegendo a região “com seus corpos, sua fé e sua determinação”. Ele acrescentou que a resistência, na batalha denominada “Povo da Força” e em episódios posteriores, impediu a expansão territorial e bloqueou a visão norte-americana de um “novo Oriente Médio”.
“Enquanto esta resistência perseverar”, escreveu Qassem, “a pátria permanecerá com seu povo”. O dirigente acrescentou que, independentemente da pressão e dos sacrifícios, a perseverança altera a correlação de forças e que a injustiça, por mais poderosa que pareça, é temporária.
Ao se dirigir diretamente aos feridos, Qassem afirmou que eles se recuperarão por estarem “no chão da fé e da verdade”, e vinculou essa recuperação ao que chamou de fidelidade ao caminho de Carbala e do Hesbolá. Na mesma linha, citou o falecido líder do Hesbolá, Saied Hassan Nasseralá, a quem atribuiu a ideia de que a vitória é alcançada tanto na sobrevivência quanto no martírio.
“Na nossa realidade”, escreveu Qassem, “alguns são martirizados e triunfam ao passar a tocha da dignidade a suas famílias e companheiros. Alguns são feridos e triunfam ao se curar e permanecer no campo. Outros permanecem fiéis ao compromisso até que a vitória decisiva seja alcançada”.
Ao encerrar, Qassem enviou uma saudação aos feridos, destacando os que teriam sido atingidos por explosões de pagers, e também às famílias, cuidadores e apoiadores.
Em outra declaração feita no início de janeiro, Qassem havia sustentado que a resistência é essencial para a soberania e a estabilidade do Líbano. “Se a resistência e seu meio não estão seguros, então o Líbano não estará seguro”, afirmou. Ele acrescentou que “a libertação é a pedra fundamental da construção do Estado” e declarou que qualquer debate sobre “monopólio de armas” só poderia ocorrer após a conquista plena da soberania sobre o território libanês.
Qassem também disse que “as armas da Resistência são uma questão puramente libanesa, assim como a Resolução 1701”, rejeitando interferência externa e denuncia “Israel” por violações reiteradas do cessar-fogo. “Quem pode garantir que ‘Israel’ não violará nosso país se a Resistência entregar suas armas?”, questionou, defendendo que não há lugar para capitulação diante da continuidade das agressões.
Respondendo a críticas à resistência, Qassem resumiu: “o que a resistência fez? Libertou a terra”. E completou que essa conquista envolveria todas as forças da resistência, que descreveu como “entre as mais honradas e racionais do mundo”. “Quando defendemos nosso povo, estamos defendendo nossa pátria”, afirmou, elogiando os sacrifícios feitos em nome da dignidade e da soberania.





