Um homem de 37 anos foi executado a tiros por agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) na manhã de sábado (24), em Mineápolis, no estado de Minessota, durante uma operação ligada à ofensiva migratória do governo Donald Trump. Autoridades locais confirmaram o caso, e o chefe de polícia de Mineápolis, Brian O’Hara, declarou que os disparos partiram de agentes federais.
A execução ocorreu na região da 26th Street com a Nicollet Avenue, em uma rua coberta de neve, no âmbito de uma operação descrita como Operation Metro Surge. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram homens mascarados e com equipamento tático agarrando a vítima e entrando em luta corporal. Em seguida, ouvem-se vários disparos, e o homem cai no chão. O governador Tim Walz afirmou que ele foi baleado por um agente federal e morreu depois, no hospital.
Gravações do início da abordagem mostram que o homem estava apenas filmando a ação dos agentes, no que aparenta ser uma prisão feita no meio da rua. As imagens não indicam qualquer atitude ilegal ou incomum por parte da vítima antes de ser atacada. Em uma das sequências, um agente se aproxima e passa a empurrá-lo; outros agentes se juntam e iniciam uma agressão brutal, com chutes quando o homem já está no chão. Relatos associados às imagens apontam ainda que ele foi atingido repetidas vezes por spray de pimenta durante a agressão e que, mesmo com um grupo de agentes — mais de seis, segundo as cenas — a imobilização não foi feita antes dos tiros.
Em determinado momento, um agente grita: “ele está com uma arma”. As imagens exibem uma arma presa à cintura do homem, mas não mostram a vítima sacando-a ou apontando-a contra os agentes. Após a agressão, pelo menos dois agentes puxam suas armas e atiram diversas vezes. Um vídeo obtido pelo site Drop Site News mostra outro ângulo que prova que a vítima foi provocada e abordada de maneira ilegal pelos agentes antes de ser morta. Outro vídeo mostra que os agentes da ICE já haviam tirado a arma do homem antes de assassiná-lo.
Veja o vídeo que registra o momento da execução:
ICE agents execute a subdued individual in broad daylight shooting him multiple times when he’s already on the ground surrounded by multiple agents ☠️ pic.twitter.com/oke3hy3OaI
— Angry Warhawk (@Hadrian130AD) January 24, 2026
O Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) apresentou uma versão segundo a qual um dos agentes disparou durante uma tentativa de desarmar um “indivíduo armado”. Até o momento, não há explicação oficial detalhada que esclareça o que levou ao tiroteio, nem confirmação independente da alegação de que a vítima tenha representado ameaça armada no momento da abordagem.
A execução ampliou a revolta contra a presença de forças federais na cidade, que vive um ambiente de tensão devido às operações do ICE. Mineápolis registrou três tiroteios envolvendo agentes federais apenas em janeiro de 2026, em paralelo ao crescimento dos protestos contra a política migratória do governo Trump.
Walz se pronunciou exigindo o fim imediato da operação federal no estado e relatou ter falado com a Casa Branca logo após o assassinato. “Acabei de falar com a Casa Branca após mais um ataque a tiros atroz por agentes federais esta manhã. Minessota não aguenta mais. Isso é repugnante”, escreveu. Em outra publicação, o governador afirmou: “isto é revoltante. O presidente precisa encerrar esta operação. Retirem agora de Minessota os milhares de agentes violentos e sem preparo”.
O prefeito de Mineápolis, Jacob Frey, reforçou o chamado para interromper as ações federais e questionou, em entrevista coletiva: “quantos moradores a mais, quantos norte-americanos a mais precisam morrer ou ficar gravemente feridos para que essa operação termine?”.
O chefe de polícia Brian O’Hara afirmou que a vítima era moradora da cidade e que se acreditava que fosse cidadã dos EUA. Disse ainda que ela era proprietária legal de arma e não tinha antecedentes criminais, embora o nome não tenha sido divulgado. O’Hara descreveu a situação como volátil, pediu que as pessoas se mantivessem afastadas da área e fez um apelo: “por favor, não destruam nossa cidade”.



