Um fazendeiro palestino de 59 anos, Jibrin Ahmad Jabr Qitt, foi assassinado na sexta-feira (23) após ser baleado por tropas do Estado de “Israel” enquanto trabalhava em sua própria terra nas proximidades da cidade de Madama, ao sul de Nablus, na Cisjordânia ocupada. A Autoridade Geral de Assuntos Civis informou que Qitt foi atingido por disparos das forças de ocupação e não resistiu aos ferimentos.
A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino confirmou que o ataque ocorreu no campo agrícola onde o trabalhador estava e denunciou que as equipes médicas foram impedidas de alcançá-lo para prestar socorro. Ainda de acordo com o Crescente Vermelho, os soldados levaram Qitt para um local desconhecido, e o corpo segue roubado pelas forças de ocupação.
As ações militares da ocupação se estenderam a uma série de invasões de cidades e localidades em diferentes regiões da Cisjordânia. Em Beit Ummar, Beit Ula e Kharsa, na área de al-Khalil, moradores sofreram asfixia após disparos de gás lacrimogêneo pelas tropas sionistas. Na mesma região, casas foram invadidas; em Kharsa, uma padaria foi revirada e o proprietário agredido. Em novas incursões na cidade de Dura, foi relatado vandalismo contra um lagar de azeitonas e agressões físicas contra o dono do estabelecimento.
No distrito de Beit Lahm, seis palestinos foram sequestrados durante incursões realizadas de madrugada em al-Maniya, no campo de refugiados de Dheisheh e em al-Khader. Já na província de Nablus, quatro palestinos foram sequestrados, e as tropas de ocupação promoveram destruição em residências e em lojas comerciais nas cidades de Beita e Talfit e na Cidade Velha de Nablus.
Além das operações militares, foram relatados novos ataques de colonos sionistas. Em um incidente separado, colonos invadiram a mesquita al-Sheikh, na área de Khirbet Tana, em Beit Furik, a leste de Nablus, e depredaram o interior do templo. Também houve danos a cercas que protegem pomares da região, conforme relatou Thaer Hanani, do Comitê de Defesa da Terra de Khirbet Tana.
No sul de al-Khalil, na área de Masafer Yatta, colonos soltaram gado nas proximidades de casas palestinas e atacaram moradores. As forças de ocupação, após esses ataques, sequestraram pessoas que retornavam das orações de sexta-feira e invadiram a casa de Adel al-Hamamda, onde promoveram destruição e danos a bens.
A repressão sionista também atingiu iniciativas de solidariedade internacional. Autoridades de “Israel” impediram a entrada, pela ponte de al-Karama/King Hussein, de uma delegação internacional de sindicatos da educação, com representantes de 15 países. O grupo teria permanecido detido por horas antes de receber a negativa definitiva de ingresso na Palestina. A delegação foi convidada pelo Sindicato Geral de Professores Palestinos para participar de atividades de solidariedade educacional em Ramala. A governadora de Ramala, Leila Ghanem, condenou a medida e afirmou que se trata de uma política de isolamento com o objetivo de sufocar o apoio internacional às instituições palestinas.
Na mesma sexta-feira, a ocupação fechou o posto militar de Atara, ao norte de Ramala, interrompendo de forma severa a circulação de moradores das cidades próximas e de áreas do norte. A Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos informou que o número de postos de controle e portões militares na Cisjordânia chegou a 916, incluindo 243 instalados desde 7 de outubro de 2023, ampliando as restrições ao deslocamento e a pressão cotidiana sobre a população palestina.




