As cidades gêmeas de Mineápolis e Saint Paul, no estado de Minessota, registraram nesta sexta-feira (23) um dia de paralisações, fechamento de estabelecimentos e manifestações de rua contra as operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e a política do governo de Donald Trump. As mobilizações ocorreram em meio a temperaturas extremas, com termômetros marcando até -27 °C devido a uma forte nevasca que atinge o meio-oeste norte-americano.
Sindicatos convocaram trabalhadores a deixarem seus locais de trabalho, enquanto lojistas fecharam centenas de comércios nas duas cidades, que concentram mais da metade da população de Minessota. Os atos foram chamados de “dia da verdade e liberdade”, rganizadores estimavam a presença de mais de 15 mil manifestantes, sem divulgação oficial de números pelas autoridades.
Um dos organizadores dos protestos foi o bispo evangélico Dwayne Royster, que afirmou que o clima nas cidades é “tenso e emocional” e que muitas pessoas estão sofrendo com as ações federais.
Durante os protestos, dezenas de religiosos foram presos após se ajoelharem e cantarem hinos em uma via de acesso ao Aeroporto Internacional de Mineápolis–Saint Paul. A polícia alegou que o grupo ignorou ordens para liberar a passagem. Os manifestantes foram algemados sem oferecer resistência e levados em ônibus. Organizadores informaram que cerca de 100 pessoas foram detidas ao longo do dia.
As mobilizações ocorrem após três semanas de operações intensificadas do ICE no estado, que desencadearam uma onda de protestos. A revolta aumentou após o assassinato da manifestante Renee Nicole Good, baleada por um agente do ICE no dia 7, e após a denúncia de que agentes teriam usado uma criança de cinco anos como isca para prender imigrantes. O menino foi preso e levado ao Texas junto com o pai. Outro episódio que gerou indignação envolveu um idoso retirado de casa durante uma nevasca, vestindo apenas um calção e uma manta, apesar de ser cidadão norte-americano e não ter antecedentes criminais.
Segundo o jornal The New York Times, uma agente do Federal Bureau of Investigation (FBI) que investigava o caso da morte de Renee Good pediu demissão após pressão da chefia em Washington para encerrar a apuração. A Casa Branca, por sua vez, defende a atuação do ICE e chegou a classificar Renee Good como “terrorista”.
Desde o início das operações, mais de três mil pessoas foram presas em protestos e acusadas de atacar agentes federais. Na quinta-feira (22), três pessoas foram detidas durante uma manifestação dentro de uma igreja. A Casa Branca divulgou uma imagem de uma dessas prisões, posteriormente apontada como manipulada por inteligência artificial para aparentar que a ativista chorava.
O Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, classificou a greve como uma “loucura total” e afirmou que as operações visam retirar “ameaças à segurança pública”. Em Washington, também foi realizado um protesto em solidariedade aos manifestantes de Minessota, com palavras de ordem contra o ICE e a política de deportações em massa.
Placas e faixas pediam o fim das deportações, denunciavam o “terror do ICE” e criticavam o governo Trump. Houve ainda cartazes defendendo a permanência de imigrantes no país e manifestações em espanhol, como “o povo unido jamais será vencido”. Em meio ao frio intenso, participantes afirmaram que a adesão aos atos foi uma demonstração de solidariedade e um recado direto ao governo federal.
Na véspera, o vice-presidente J. D. Vance esteve em Mineápolis para defender os agentes do ICE e acusou autoridades locais de se recusarem a cooperar com o governo federal, o que, segundo ele, teria contribuído para o agravamento das tensões.


