Rui na TV 247

‘Esquerda não pode avalizar o que está acontecendo no STF’

Em entrevista na TV 247 nesta sexta (23), Rui Costa Pimenta afirmou que o caso deve sair do STF e criticou a defesa do tribunal por setores da esquerda

Nesta sexta-feira (23), em sua entrevista semana na TV 247, Rui Costa Pimenta abordou temas internacionais, como os atritos no bloco imperialista em torno de Donald Trump, e a crise interna do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Banco Master. Pimenta falou também sobre a 54ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO), realizada em Sorocaba (SP), e criticou a política repressiva associada ao identitarismo e ao endurecimento penal.

Logo no início, ao comentar o acampamento do PCO, Pimenta afirmou que a atividade chega à 54ª edição e é realizada duas vezes por ano, com curso de formação política e atividades coletivas. “Essa aqui é a 54ª edição do Acampamento de Férias. Nós fazemos duas vezes por ano e nós sempre fazemos um curso de formação política”, disse. Ele avaliou ainda que se trata da atividade de formação “mais tradicional que tem na esquerda brasileira”.

No tema internacional, o dirigente do PCO avaliou que o bloco imperialista enfrenta dificuldades com Trump. Para Pimenta, “o bloco imperialista está enfrentando problemas com o Trump” porque ele não segue a política tradicional do imperialismo norte-americano, o que acirra o atrito com a Europa também na Ucrânia. Ainda assim, afirmou que os conflitos do presidente norte-americano com os europeus têm forte componente de encenação: “eu acho que os conflitos do Trump eles são muito mais bravata e jogo de cena do que realidade”.

Na sequência, Pimenta sustentou que Trump buscaria transferir aos europeus parte dos custos do “policiamento mundial”, sem abandonar essa orientação. “Ele quer descarregar no imperialismo uma parte dos custos que os Estados Unidos têm com o policiamento mundial. Ele não quer acabar com isso”, afirmou. Ao tratar de ações militares e pressões no exterior, avaliou que Trump “evita cuidadosamente entrar em conflitos de grande magnitude”, citando ameaças ao Irã que não avançariam “para as vias de fato”.

Sobre a Venezuela, Pimenta classificou como “operação pontual” o sequestro do presidente Nicolás Maduro, descrevendo-a como uma ação de efeito político, mas limitada em escala. “Eles conseguiram o resultado, mas foi uma operação pontual, pequena”, afirmou. Ele disse que a ação teria produzido “um grande efeito de propaganda”, mas insistiu: “olhando objetivamente é uma operação pequena”.

Questionado sobre a criação de um Conselho da Paz com presença de Netaniahu, Pimenta afirmou que o Brasil não deveria participar sem acordo dos palestinos. “O Brasil não deveria participar, a não ser que os palestinos concordassem com a formação do conselho”, disse, apontando que o “decisivo” seria “o posicionamento dos palestinos”. Para Pimenta, é preciso observar o conjunto das decisões antes de concluir se a iniciativa seria negativa ou não.

Ainda no plano internacional, Pimenta rejeitou leituras otimistas sobre “multilateralismo” como se isso alterasse o comando político global. “Quem manda no mundo é o imperialismo. Não vejo que isso daí esteja modificando”, disse. Em seguida, afirmou que uma mudança efetiva dependeria de uma alteração profunda na relação de forças, “o que só pode ser resultado de uma revolução”. “Sem revolução não tem a menor possibilidade”, declarou.

Na parte nacional, o dirigente do PCO comentou uma pergunta sobre leis e política identitária e classificou como “draconianas” determinadas medidas, afirmando ser “totalmente contra essa toda a legislação identitária”. Ao exemplificar, citou o aumento de penas por “feminicídio” e criticou a ampliação do encarceramento como resposta social. “Para que serve isso daí? Exatamente para botar gente na cadeia”, afirmou, acrescentando: “qualquer coisinha cadeia”. Para Pimenta, essa política teria deslocado setores da esquerda para posições típicas da direita: “através do identitarismo, a esquerda se transformou numa força de direita”.

Sobre o bolsonarismo, Pimenta avaliou que atos e iniciativas de parlamentares teriam, em parte, objetivo de “jogar para a torcida” e demonstrar fidelidade ao campo político de Jair Bolsonaro, citando nominalmente o deputado Nikolas Ferreira. Disse também que o desfecho do caso Bolsonaro tende a ocorrer no Congresso, em especial na dosimetria das penas.

No debate eleitoral, Pimenta afirmou que a burguesia buscaria uma “terapia de choque” e listou metas que não estariam plenamente garantidas com o atual governo. “Burguesia quer privatizar o Correio, privatizar totalmente a Petrobras, privatizar totalmente a Eletrobras, acabar com todo o patrimônio estatal, acabar com a aposentadoria, acabar com o ensino público”, disse. Para ele, indicadores como “bolsa em alta, dólar em baixa” não resolveriam o impasse, porque o objetivo seria “liquidar com a economia estatal e assistencial para aumentar os lucros”.

Pimenta declarou que a força do PT estaria excessivamente dependente do presidente e que, sem Lula, o partido desmoronaria. “Sem o Lula o PT seria varrido no mapa eleitoral. Não tem lastro”, afirmou. Ele avaliou que, para recuperar terreno, o PT precisaria “polarizar mais com o bolsonarismo de uma maneira social, de uma maneira mais de esquerda”, e criticou a linha centrada em punição e encarceramento como “muito duvidosa” em resultados e “um erro total” politicamente.

O principal assunto da entrevista, porém, foi a crise do STF no caso Banco Master. Pimenta sustentou que a Corte “adquire vida própria” e que o que ocorre no tribunal é “uma loucura total e completa”. Ele disse que a crise permanece contida porque a burguesia conduz o ataque de modo moderado, dado o número de envolvidos: “é uma crise gigantesca, mas ela fica aí uma crise em banho-maria”. Mencionou ainda cifras discutidas no debate público e afirmou que o prejuízo seria “quase 50 bilhões” e que “o envolvimento dos ministros do STF é transparente”.

Ao comentar a posição da esquerda diante do caso, Pimenta foi categórico: “é inadmissível para a esquerda ser avalista do que tá acontecendo no STF nesse momento”. Ele disse que, mesmo para quem defende o regime e fala em democracia, a transparência seria imprescindível: “a transparência num escândalo financeiro desse tamanho é essencial”. Pimenta defendeu que Dias Toffoli deixasse a relatoria e que o caso não permanecesse na esfera do Supremo: “ele teria que abandonar o inquérito, teria que sair da mão dele, teria que sair da mão do STF”.

O dirigente do PCO criticou o segredo de Justiça no procedimento, afirmando que a restrição serviria para esconder informações do público: “o processo não pode transcorrer em segredo de justiça, porque é muito óbvio que o segredo de justiça é para esconder da população a falcatrua”. Ele alertou ainda para o custo político de setores da esquerda que associam a defesa do STF à defesa de Lula em ano eleitoral, avaliando que um escândalo ampliado pode atingir não apenas o governo, mas “toda a esquerda”, e ser explorado pela direita. “Se o escândalo se aprofundar e tudo vier à tona (…) quem vai ficar com o ônus da história é a esquerda”, disse.

Ao analisar o conflito entre frações da classe dominante e o STF, Pimenta considerou o desfecho imprevisível. Disse que a burguesia hesita em atacar o tribunal porque “não querem abrir mão do STF”, que é um instrumento central de controle do regime político. Ao mesmo tempo, declarou que o tamanho do escândalo e a sucessão de revelações tornam difícil conter os danos: “toda hora aparece uma novidade” e “eu acho difícil controlar isso aí”.

No encerramento, Pimenta voltou ao Irã e criticou setores da esquerda que se colocam contra o país, avaliando que isso expressa desorientação política. “Isso aí foi uma operação de guerra do imperialismo contra o Irã”, afirmou. Ele disse ainda que o quadro deve ser tratado com seriedade: “o caso do Irã tem que ser levado muito a sério. Isso aí não pode ser minimizado”.

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