O artigo Ciclos de desmatamento – calor e seca no Sudeste, assinado por Liszt Vieira e publicado no sítio A Terra é Redonda na segunda-feira (19), tenta estabelecer a conexão crítica entre o desmatamento na Amazônia e no Cerrado e “eventos climáticos extremos” que têm atingido o Sudeste brasileiro, como as secas severas e as ondas de calor.
Vieira diz que “a seca no Sudeste é a fatura climática do desmatamento amazônico, impulsionado por ciclos de políticas que privilegiam o agronegócio em detrimento dos rios voadores e do equilíbrio ambiental”.
O texto diz que o Sudeste depende imensamente da umidade vinda da bacia amazônica e que as árvores da Amazônia lançam bilhões de litros de água na atmosfera via evapotranspiração, formando os chamados rios voadores. Com o desmatamento, esse fluxo é interrompido, reduzindo drasticamente as chuvas no centro-sul do país.
Nas palavras de Vieira, “o desmatamento não afeta apenas os ecossistemas locais, mas provoca impactos atmosféricos de grande escala, capazes de alterar padrões de circulação do ar e de precipitação em regiões distantes”.
O que sempre chama a atenção nessas matérias é que a Amazônia seria um ponto central no clima, mas como sugere o nome do sítio que abriga o texto, a Terra é redonda. Fora isso, “eventos climáticos extremos” são recorrentes durante toda história do planeta, e isso é comprovado por escavações arqueológicas.
Este Diário já escreveu em edições anteriores que por volta de 500 d.C. a neve dos Andes derreteu, provocou uma enorme seca e fez desaparecer civilizações pré-incaicas, como a Moche. Não havia nesse período desmatamentos, queima de combustíveis fósseis etc.
Como já dissemos também, é óbvio que a atividade humana tem impacto no clima, mas isso está longe de ter sido quantificado.
Ações positivas
Vieira diz que “a derrubada da floresta também altera o balanço de energia da superfície. Áreas desmatadas aquecem mais rapidamente, elevando a temperatura do ar e favorecendo a formação de massas de ar mais secas e estáveis. Isso pode dificultar o avanço de frentes frias e sistemas de chuva, prolongando os períodos de estiagem no Sudeste”.
Considerando que as árvores são tão importantes, por que não se veem campanhas, ou mesmo ações para reflorestamento? Tudo gira em torno de deixar a Amazônia intacta, o que é inviável, pois será necessário desenvolver a região, que possui milhões de brasileiros.
Em vez disso, o que se vê são países desenvolvidos (que já degradaram suas florestes) pressionando para que nos concentremos em exportar commodities, enquanto os países ricos querem continuar com suas indústrias ativas e comprando o direito de poluir.
É para isso que serve o alarde sobre o clima: manter países pobres no atraso eterno.
Pode parecer paradoxal, mas apenas o desenvolvimento tecnológico poderá preservar a natureza. Como já disseram, vai ser preciso queimar muito combustível fóssil até que se possa produzir energias limpas.
Liszt Vieira reclama da flexibilização do licenciamento ambiental. Afirma que “especialistas alertam para o aumento do desmatamento, contaminação de água e solo, e a repetição de tragédias ambientais. Os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais são os mais afetados, pois o projeto ameaça seus territórios e modos de vida. O PL da devastação é considerado o maior retrocesso na legislação ambiental brasileira em décadas, ignorando a ciência e o debate público”.
O que ninguém nunca considera é qualidade de vida de quem vive na região amazônica, morando em condições muito precárias, sem eletricidade ou equipamentos públicos.
Negatividade
Sempre que se fala em Amazônia, é inevitável se falar que “florestas viram pastagens, rios são contaminados pela mineração, comunidades são expulsas de seus territórios, a agricultura familiar e a agroecologia ficam ameaçadas”. Mas essas coisas poderiam ser resolvidas com fiscalização e planejamento.
Após falar em “cooperação tecnológica para energias renováveis, apoio à industrialização sustentável, fortalecimento da agricultura familiar, proteção efetiva dos territórios indígenas e tradicionais”, Vieira fala em “reconhecimento das dívidas ecológicas históricas”, argumento típico do identitarismo.
Esse é um pensamento religioso, as pessoas são tratadas como pecadoras, devedoras. Quando não é dívida com o passado escravista, é com ecologia. Pensamento absurdo, pois ninguém deve nada, nem deve se responsabilizar com supostas dívidas que outros teriam contraído.
Ciência
Embora o texto de Liszt Vieria tente trazer um viés científico, existem outros cientistas que não compactuam com os alarmes apresentados na imprensa.
A pressão vem basicamente dos países ricos, que não se incomodam com a natureza no próprio território, mas exige que os façam os países atrasados.
O imperialismo tem feito uma ampla campanha desde o final dos anos 1980 em torno do clima. Prometeram o aquecimento global, desertificação, derretimento de geleiras e o apocalipse. Nada disso se concretizou, o que obrigou o imperialismo a mudar o discurso e falar em “mudanças climáticas”, “eventos climáticos”, “eventos climáticos extremos”, uma verborragia que serve apenas para forçar os países atrasados a se curvaram à política ambiental ditada pelo imperialismo.




