Palestina

Hamas reforça cessar-fogo e denuncia Netaniahu em ‘Conselho de Paz’

Movimento palestino reafirma compromisso com o cessar-fogo, denuncia violações sistemáticas do acordo e condena a inclusão do primeiro-ministro sionista

O Hamas reafirmou nesta quinta-feira (22) seu compromisso integral com o acordo de cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza e denunciou a continuidade das violações cometidas pelo Estado de “Israel”, que, segundo o movimento de resistência palestino, atua deliberadamente para sabotar o acordo e impedir qualquer estabilização da situação humanitária no território.

A declaração foi divulgada no momento em que se completam cerca de três meses desde o início do cessar-fogo, período no qual a ocupação sionista intensificou ataques armados, bloqueios e ações militares contra a população civil, sem sofrer qualquer pressão real por parte dos garantidores internacionais do acordo.

Na mesma conjuntura, o movimento condenou duramente a inclusão do primeiro-ministro sionista Benjamin Netaniahu em um chamado “Conselho de Paz” para Gaza, anunciado durante o World Economic Forum, em Davos, na Suíça. Para o Hamas, a presença de Netaniahu, procurado pelo Tribunal Penal Internacional, em um órgão que se apresenta como voltado à paz representa uma negação aberta de qualquer princípio de justiça ou responsabilização pelos crimes cometidos contra o povo palestino.

Leia, na íntegra, a nota oficial do Hamas na qual reafirma sua adesão ao cessar-fogo e denuncia o comportamento da ocupação sionista:

“Movimento de Resistência Islâmica (Hamas)

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) confirma sua adesão e compromisso com o acordo de cessar-fogo, ao mesmo tempo em que a ocupação continua violando seus termos vinte e quatro horas por dia, numa tentativa de sabotá-lo e de obstruir o trabalho do Comitê Nacional, em contradição com os arranjos e garantias norte-americanos anunciados.

Ao entrarmos no quinto mês desde o início do cessar-fogo, aproximadamente 484 mártires palestinos foram assassinados pelo fogo da ocupação, e outros 1.297 ficaram feridos, diante da ausência de qualquer pressão real para interromper os crimes contínuos.

Teria sido mais apropriado que alguns participantes do Fórum de Davos se concentrassem nos crimes em curso da ocupação criminosa na Faixa de Gaza e na sabotagem dos esforços internacionais destinados a estabilizar o cessar-fogo, abrir as passagens, garantir a retirada do exército de ocupação e iniciar o processo de reconstrução, em vez de dirigir ameaças ao lado palestino, que permanece comprometido com aquilo que foi acordado.

Conclamamos o chamado ‘Conselho de Paz’ a cumprir sua responsabilidade de pôr fim às violações da ocupação e obrigá-la a cumprir os compromissos do acordo, em especial a entrada de ajuda humanitária e de materiais de abrigo, bem como o início das ações de socorro e reconstrução, para proteger nosso povo das consequências da catástrofe humanitária criada pela ocupação, sobretudo enquanto a Faixa de Gaza enfrenta ondas de chuva e frio intenso.”

Além dessa declaração, o Hamas divulgou uma segunda nota oficial, na qual condena de forma categórica a participação de Netaniahu no “Conselho de Paz”. Segundo o partido, a inclusão do chefe do governo sionista é um indicativo perigoso de que o organismo nasce comprometido com a impunidade e com a continuidade da agressão contra Gaza.

Na nota, o Hamas afirma que Netaniahu segue trabalhando para obstruir o acordo que pôs fim temporário à guerra contra Gaza e continua promovendo as mais graves violações, incluindo ataques contra civis desarmados, destruição sistemática de bairros inteiros, instalações públicas e centros de abrigo, apesar de o cessar-fogo estar formalmente em vigor há mais de três meses.

O movimento ressalta ainda que a ocupação sionista constitui a raiz do terrorismo na região e que sua continuidade representa uma ameaça direta à paz regional e internacional. De acordo com o Hamas, qualquer passo real em direção à estabilidade passa, necessariamente, pelo fim definitivo da ocupação e pela responsabilização de todos os envolvidos nos crimes de genocídio e na política sistemática de fome imposta à população palestina, tendo Netaniahu à frente.

A reação do Hamas ocorreu após o anúncio, feito pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, da criação do chamado “Conselho de Paz” para Gaza. O decreto foi assinado durante o encontro do Fórum Econômico Mundial em Davos. Netaniahu confirmou sua participação afirmando que aceitou o convite do governo norte-americano. Segundo informações divulgadas, cerca de 25 países aceitaram integrar o organismo, entre eles Turquia, Arábia Saudita, Egito e Jordânia.

Paralelamente às declarações do Hamas, o Escritório de Imprensa do Governo em Gaza divulgou um levantamento detalhado sobre os 100 primeiros dias desde a entrada em vigor do cessar-fogo, comprovando as violações sistemáticas por parte da ocupação sionista. De acordo com o relatório, desde 10 de outubro de 2025 até 20 de janeiro de 2026, o Estado de “Israel” cometeu cerca de 1.300 violações do acordo.

Entre essas violações estão 430 episódios de disparos, 66 incursões de veículos militares em bairros residenciais, 604 bombardeios e operações de ataque, além da demolição de cerca de 200 casas e edifícios. No campo das perdas humanas, o relatório registra 483 mártires, sendo que 52% eram crianças, mulheres ou idosos, e 92% civis. A esmagadora maioria das vítimas foi atingida em áreas residenciais, longe da chamada “Linha Amarela”.

O levantamento também contabiliza 1.287 feridos, quase todos civis, além de 50 detidos, todos presos dentro de bairros residenciais. No que diz respeito à ajuda humanitária, o relatório aponta que apenas 43% dos caminhões previstos conseguiram entrar em Gaza, com severas restrições à entrada de combustível, equipamentos médicos, materiais de abrigo e maquinário pesado necessário para a remoção de escombros e recuperação dos corpos das vítimas.

O Escritório de Imprensa responsabiliza integralmente o Estado de “Israel” pela deterioração contínua da situação humanitária e pelas mortes ocorridas durante um período que deveria ser destinado à consolidação de um cessar-fogo sustentável. O órgão também cobra dos patrocinadores do acordo, mediadores internacionais, Nações Unidas e do próprio governo dos Estados Unidos o cumprimento de suas responsabilidades políticas e legais para obrigar a ocupação a implementar integralmente os termos acordados.

Diante desse quadro, o Hamas reafirma que permanece comprometido com o cessar-fogo, mas destaca que qualquer perspectiva de estabilidade real depende do fim das violações, da retirada das forças de ocupação e da interrupção imediata da política de cerco, destruição e fome imposta à Faixa de Gaza.

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