Em entrevista concedida no último dia 19 ao portal UOL, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), declarou que a economia, embora relevante, não será decisiva para definir os rumos das próximas eleições presidenciais no Brasil.
“Eu não acredito que a economia vai derrotar o governo. […] Pode ser que não eleja o governo. Economia, no mundo inteiro, está sendo um ponteiro muito importante, mas não necessariamente decisivo para ganhar ou perder uma eleição”, avaliou o ministro.
‘Combate à corrupção’
Haddad considera que “outros temas galgaram degraus, como a segurança pública e o combate à corrupção”, utilizando como referência um levantamento publicado recentemente pelo Instituto Datafolha que mostra que apenas 11% dos brasileiros estariam preocupados com o fator economia.
Assim, Haddad validou a publicação de um instituto de um órgão da grande imprensa capitalista, que apoiou a ditadura militar e o golpe de Estado de 2016, que publica, diariamente, matérias de interesses dos banqueiros e da grande burguesia, que procurou mostrar que, o povo estaria preocupado com a “segurança” e o “combate à corrupção” mais que com sua própria sobrevivência.
Fora da realidade
A posição do ministro Haddad não se sustenta na realidade. Para que a população deixasse de ter a economia como tema principal de suas preocupações, seria necessário que, de fato, houvesse grandes melhoras na situação social, avanços nas condições de vida da população.
Mas, não é essa a realidade. Pelo contrário, para a maioria da população o custo de vida é muito elevado, os impostos têm uma alta carga sobre os mais pobres e os salários continuam arrochados, sendo o salário-mínimo muito abaixo do necessário (cerca de R$7.500). Os próprios dados oficiais mostram que 80% das famílias brasileiras estão endividadas; 78 milhões de pessoas estão negativadas no Serasa, acumulando bilhões de dívidas. Quase nove milhões de empresas estão inadimplentes. Em 2025, o número de falências aumentou em 25% e as recuperações judiciais em 69%.
Toda essa situação caótica na economia brasileira é causada principalmente pelo domínio do sistema financeiro sobre a política nacional, impondo as maiores taxas de juros reais do planeta, abocanhando, todos os anos, quase metade de todo o orçamento federal e impedindo o desenvolvimento nacional.
A burguesia golpista e Haddad mascaram a situação para, livrar a cara dos bancos e grandes tubarões capitalistas responsáveis por essa situação caótica e, numa eventual derrota do presidente Lula, fugir de sua responsabilidade, atribuindo a culpa a outras áreas do governo ou quem sabe pôr a culpa no povo.





