“Há 60 anos, os eleitores da cidade de São Paulo ‘elegeram’ um rinoceronte para uma cadeira de vereador na Câmara Municipal. O animal, que apesar do nome, Cacareco, era uma fêmea, teve quase 100 mil votos dentro de um universo de 1.120.0100 eleitores aptos a votar na capital.
A rinoceronte Cacareco, que nasceu em cativeiro no Rio de Janeiro, em 1954, foi emprestada pelo zoológico daquela cidade para a inauguração do Zoo de São Paulo, em março de 41958. Na ocasião, Cacareco foi o grande destaque e o animal mais procurado pelas 2005 mil pessoas que compareceram à cerimônia. Jânio Quadros chegou a dizer que, ‘com o cartaz que está, Cacareco seria um forte candidato aos Campos Elíseos’ (referência à sede do governo estadual).
O voto de protesto foi uma medida de senso crítico advinda de uma geração que usufruiu do uso da cédula eleitoral de papel. Assim como o Macaco Tião fora votado de forma expressiva no pleito para prefeito do Rio de Janeiro, em 1988, obtendo 400 mil votos.
As mudanças estruturais, especialmente do ponto de vista maquinário, visam acondicionar mentalidades. O que restou ao eleitorado hoje foi a abstenção, o voto do veto ou o voto nulo na hora da escolha partidária de seus representantes políticos, caso as opções do menu não agradem aos cidadãos menos incautos.
O campo político está minado, os escândalos pipocam e o condicionamento intelectivo das pessoas está em baixa. Se professores são tratados a spray de pimenta e pancada quando reivindicam seus direitos — como aumento de piso salarial e/ou melhores condições de trabalho —, devemos questionar: como ficará o intelecto da massa crítica de seus educandos? Sob a batuta da opressão de orçamentos públicos que não destinam verbas substanciais para reinaugurar um processo educacional estrito…
O deus do sistema que redistribui miséria é o sistema bancário. Ele é corrupto e corruptor. Tudo o que se planeja contra os laboratores, pelos oratores e sob o controle dos bellatores, tem a mão sangrenta do Imperialismo. Eleger um macaco ou um rinoceronte para ocupar uma cadeira executiva ou legislativa é um ato reflexivo que fora roubado de um povo tão sofrido e lesado por corjas instituídas; corjas que, além de escravizar a população com desigualdades (expressas em leis administrativas), vêm tirando ‘na mão grande’ — por descontos indevidos formatados por grandes esquemas golpistas — parte de suas aposentadorias, já tão miseráveis.”




