A história da luta dos povos oprimidos contra o imperialismo está repleta de episódios que demonstram, com clareza absoluta, qual deve ser a posição da esquerda revolucionária diante do grande capital: é dever estar ao lado do Estado nacional contra o inimigo externo, independentemente do caráter reacionário ou mesmo fascista do governo de turno. A guerra das Malvinas, travada em 1982 entre a Argentina e a Grã-Bretanha, é uma dessas lições históricas que o movimento operário não pode ignorar.
À frente do Estado argentino naquele momento estava uma ditadura militar sanguinária, responsável por uma das maiores ondas de repressão que a América Latina já conheceu. Com dezenas de milhares de mortos, desaparecidos e campos de concentração espalhados por todo o país, a Junta Militar representava um profundo retrocesso para o povo argentino. Ainda assim, quando o governo decidiu recuperar as ilhas Malvinas — território argentino ocupado ilegalmente pelo imperialismo britânico —, toda a população, inclusive a esquerda, saiu em apoio à operação.
Essa atitude não foi um endosso à ditadura, tampouco uma renúncia à luta contra o regime. Foi, antes de tudo, uma expressão da tendência anti-imperialista das massas e uma correta compreensão de que, na luta contra o inimigo externo, a neutralidade é traição. Dizer “sou contra a ocupação britânica, mas também contra a ditadura argentina” seria o mesmo que cruzar os braços e assistir o imperialismo esmagar o país. Quem sabota a resistência ao inimigo estrangeiro não está “sendo coerente”, está servindo de fato ao próprio imperialismo.
A derrota militar da Argentina revelou a verdadeira natureza da ditadura. Valente para torturar o povo, covarde diante do inimigo real. E foi essa traição nacional, mais até do que os crimes da repressão, que levou a população às ruas exigindo o fim do regime. A principal palavra de ordem das manifestações era direta: “Paredão para os milicos que venderam a nação”.
Essa experiência histórica mostra que o apoio à luta nacional contra o imperialismo não fortalece a ditadura — ao contrário, cria as condições para sua derrota. Se o governo trai a luta nacional, ele cai. Se não trai, e o povo triunfa sobre o imperialismo, não aceitará mais ser governado por opressores ainda mais fracos. A mobilização popular, nascida na luta contra o inimigo externo, se volta contra o opressor interno.
Essa lição é essencial para compreender o que se passa hoje na Venezuela, no Irã e em tantos outros países que são alvos permanentes das ofensivas imperialistas. A posição correta diante desses conflitos é clara: deve-se estar ao lado do Estado nacional contra o imperialismo.
A Venezuela, por exemplo, enfrenta um bloqueio criminoso e um cerco militar e político organizado pelos Estados Unidos e seus vassalos europeus. O governo chavista, com todos os seus limites, representa hoje o instrumento pelo qual o povo venezuelano pode resistir à dominação imperialista. Não há outra estrutura de poder capaz de organizar essa luta senão o Estado nacional. E ignorar isso é se colocar, conscientemente ou não, do lado do imperialismo.




