O 54º Acampamento de Férias da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), realizado em conjunto com a Universidade Marxista, não é apenas um espaço de estudo e lazer. Trata-se de uma experiência coletiva em que os próprios participantes assumem a responsabilidade pela realização de todas as atividades, desde a convocação de novas pessoas até a preparação das refeições. Em entrevista exclusiva ao Diário Causa Operária, Francisco Muniz, de 36 anos, integrante da equipe de organização do evento, detalha como esse trabalho é estruturado.
Segundo Francisco, o trabalho de organização envolve múltiplos aspectos e é compartilhado por várias pessoas. O primeiro passo é a convocação: chamar e organizar a vinda dos participantes de diferentes regiões do País. Em seguida, vem o aspecto financeiro, fundamental para a manutenção do acampamento.
“A arrecadação de dinheiro é essencial para comprar comida e tudo o que é necessário para o acampamento acontecer”, explica Francisco. “Parte dos participantes paga inscrição, mas muitos não têm condições financeiras. Por isso, há bolsas, e os militantes ajudam na arrecadação para garantir que essas pessoas possam participar gratuitamente”.
Essa política permite a presença de caravanas diversificadas, incluindo índios, estudantes, integrantes do movimento de luta pela moradia e outros setores populares. Francisco destaca especialmente a participação indígena: “eles já participaram de muitas atividades nossas, têm grande interesse nos cursos e prestam muita atenção. Para eles, o acampamento inteiro: o estudo, o lazer, a alimentação, é muito importante”.
A programação do acampamento vai além do curso principal da Universidade de Férias. Há grupos de discussão, campeonatos de futebol, xadrez, gincanas e outras atividades de lazer. “A variedade é fundamental. O desenvolvimento político não acontece só no curso, mas também no convívio com companheiros que pensam parecido, no sentimento de pertencimento ao ambiente”, afirma o militante.
Um dos pilares da organização é o trabalho coletivo organizado. Todos os acampados participam das tarefas diárias. O principal é o trabalho na cozinha, onde são preparadas refeições fartas para todos.
“Fazemos revezamento: cada dia um grupo diferente trabalha na cozinha, com uma coordenação fixa que orienta o pessoal”, conta Francisco. “Todo mundo participa, porque o acampamento é também um momento de trabalho para a militância”.
Além da cozinha, existem outros grupos permanentes: imprensa, estruturação das salas para as aulas e transmissões, arrecadação contínua e organização geral. “Não é só lazer, nem apenas estudo. Para os militantes, é um ambiente de trabalho coletivo para fazer a atividade acontecer”.
A tradição do acampamento da AJR, que já dura quase 30 anos, demonstra a capacidade da juventude revolucionária de combinar formação teórica marxista com prática concreta de organização coletiva. Como explica Francisco, o objetivo é garantir que a atividade seja acessível a todos os setores da classe trabalhadora, fortalecendo a militância e a luta revolucionária no Brasil.
Mais informações sobre o acampamento e a AJR podem ser encontradas no sítio oficial da atividade (em caso de dúvidas, entre em contato pelo número 11 99741-0436). Trata-se de uma oportunidade para estudar, trabalhar coletivamente e avançar na construção do partido revolucionário através da formação política.





