A recente operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que culminou no sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, tem apresentada pelo governo de Donald Trump e pelo imperialismo de conjunto como uma grande vitória. No entanto, de acordo com artigo publicado pela Russia Today (RT) o clima nos escritórios das maiores petroleiras do mundo é de cautela e ceticismo.
Apesar de Trump afirmar que os Estados Unidos agora “estão no negócio do petróleo” venezuelano, os executivos-chefes da ExxonMobil e da ConocoPhillips sinalizaram que não pretendem retornar ao país sul-americano tão cedo. O motivo? A estrutura governamental e as leis de hidrocarbonetos da Venezuela permanecem praticamente intactas sob a gestão da presidente interina Delcy Rodríguez.
Em uma reunião realizada na Casa Branca na última sexta-feira (9), o Trump pressionou líderes do setor a investirem cerca de US$100 bilhões na modernização da infraestrutura petrolífera venezuelana, degradada por anos de sanções econômicas. A resposta, contudo, foi um balde de água fria nas pretensões do imperialismo.
“Se olharmos para as construções e marcos legais e comerciais em vigor hoje na Venezuela, hoje ela é não investível (uninvestable).”
Woods destacou ainda que a empresa possui um longo histórico de perdas no país, lembrando que seus ativos foram confiscados em duas ocasiões anteriores. Ele reforçou que, para um retorno, seriam necessárias mudanças drásticas:
“Você pode imaginar que reingressar uma terceira vez exigiria algumas mudanças bastante significativas em relação ao que vimos historicamente aqui e ao que é o estado atual.”
Para os analistas do setor, o sequestro de Maduro não resultou na mudança de regime necessária para garantir a “segurança jurídica” das multinacionais. Finian Cunningham aponta que, embora Maduro tenha sido levado para uma corte em Nova Iorque, o governo não entrou em colapso.
Sob a liderança de Delcy Rodríguez e com o apoio do Ministro da Defesa, Vladimir Padrino, o governo chavista continua operando. De acordo com a matéria da RT, o sentimento das empresas petroleiras é de que a operação militar de US$600 milhões resultou em uma “vitória de Pirro”, pois o controle total sobre a riqueza de hidrocarbonetos não foi transferido para as mãos norte-americanas.
Ryan Lance, chefe da ConocoPhillips, concordou com Woods ao sugerir que o desafio vai além de uma simples troca de comando. Ele afirmou que:
“Precisamos pensar inclusive em reestruturar todo o sistema energético venezuelano, incluindo a PDVSA.”
O desinteresse das petroleiras irritou o presidente Trump. Ao retornar da Flórida no último fim de semana, ele demonstrou seu descontentamento com a postura da ExxonMobil.
Indiretamente, o jornalista Finian Cunningham relata que Trump criticou a relutância da empresa em desembolsar os fundos necessários para a reconstrução da indústria venezuelana. Em declarações diretas a repórteres no Air Force One, Trump disparou:
“Eu não gostei da resposta da Exxon… eles estão jogando com muita esperteza.”
Como represália, o presidente chegou a ameaçar o bloqueio da Exxon de futuras operações na Venezuela, caso a empresa não coopere agora.





