Diante da crescente polarização no cenário internacional, é necessário reafirmar qual deve ser a posição da classe trabalhadora e de um verdadeiro partido revolucionário: o centro da luta, o verdadeiro divisor de águas da política mundial, está na luta entre o imperialismo e os povos oprimidos do mundo.
A propaganda imperialista tenta disfarçar suas guerras, sanções, sabotagens e golpes sob o verniz da “defesa da democracia”. Foi assim na Líbia, no Iraque, na Síria, em Cuba e agora na Venezuela e no Irã. A propaganda da “democracia em risco” é apenas um anzol para capturar setores desavisados, especialmente da esquerda pequeno-burguesa, e arrastá-los para o campo da reação. Não há, de forma alguma, uma disputa genuína entre sistemas políticos; o que existe é a ofensiva do imperialismo contra os povos.
Mesmo dentro dos próprios países imperialistas, como os Estados Unidos ou os países da União Europeia, não há nenhuma “democracia” a ser defendida. O que existe é uma crescente insatisfação popular contra seus governos, que, para se manterem, utilizam cada vez mais da repressão — e da desculpa do “combate ao fascismo” — contra a dissidência. O “fascismo” aí serve apenas como espantalho.
Essa confusão política atinge, inclusive, organizações que se reivindicam do trotskismo. Em nome do combate ao “fascismo”, não hesitam em se unir ao imperialismo, a governos abertamente reacionários como o de Joe Biden (Estados Unidos), Emmanuel Macron (França) e outros lacaios do capital financeiro internacional. Leon Trótski, no entanto, foi categórico ao declarar que, diante de uma guerra entre uma potência imperialista “democrática” e um país atrasado sob um regime fascista, o dever dos revolucionários seria se posicionar contra o imperialismo. A contradição principal é sempre com o imperialismo, e não com o regime político interno de um país oprimido.
Um exemplo claro disso foi a Venezuela. As acusações de fraude eleitoral não foram um evento isolado, mas parte de um processo coordenado de agressão ao país. O que veio depois — sabotagem econômica, tentativas de golpe, sanções, ameaças de invasão — já estava desenhado desde antes. Não reconhecer isso é, no mínimo, ingenuidade política.
A postura correta, portanto, é rejeitar o falso dilema entre democracia e ditadura, ou democracia e fascismo, e reafirmar o verdadeiro conteúdo da luta atual: a oposição irreconciliável entre os interesses do imperialismo e os interesses dos povos e nações oprimidas. Isso significa que, diante de um ataque imperialista a um país oprimido, cabe à classe trabalhadora e aos revolucionários tomarem posição clara.
Não se trata de apoiar incondicionalmente qualquer governo, mas sim de compreender a etapa da luta: quando o imperialismo ataca, é nosso dever estar ao lado dos oprimidos. A neutralidade, nesse caso, é cumplicidade com o opressor.





