O Comitê de Luta Estudantil da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que enfrentou a atual Reitoria da instituição, responsável por deixar os estudantes por 45 dias sem Restaurante Universitário (RU), enviou militantes para a 54ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO). Localizada em Sorocaba, a Universidade de Férias visa a formação política teoria marxista, concentrada nesta edição em O Capital, a obra mais importante da ciência do proletariado.
Destaca-se, entre as lutas mais atuais do Comitê, a luta contra a atual Reitoria. Ela foi eleita com o discurso de amiga dos estudantes, com um discurso tipicamente identitário, no entanto deixou os estudantes sem seu direito assegurado à alimentação subsidiada por um mês e meio. Em resposta a isso, o Comitê de Luta realizou atividades, como panfletagens e produção de material de imprensa.
Os integrantes do Comitê avaliaram que o ferramental teórico de O Capital e convivência com militantes experientes de todo o país na Universidade de Férias seria muito importante para a organização em defesa tanto de seus interesses mais imediatos na UFPB, como a luta contra a atual reitoria, quanto os mais estratégicos enquanto classe social, a revolução proletária, por isso realizaram um esforço financeiro e logístico para enviar seus representantes ao local.
O Comitê de Luta da UFPB tem se destacado nos últimos anos como uma das principais expressões da no movimento estudantil do Nordeste. O Comitê realiza as lutas concretas da categoria estudantil contra os ataques à educação pública, sem deixar de fazer campanhas sobre os problemas mundiais, como a defesa da Palestina e nacionais e como a luta pela liberdade para Lula.
Em entrevista ao Diário Causa Operária, Valtembergue Alves, 27 anos, estudante de Pedagogia e membro fundador do Comitê de Luta da UFPB conta a trajetória do grupo.
A militância de Valtembergue começou em 2020, durante a pandemia, quando as aulas remotas precárias (via Meet e Zoom) expuseram a desorganização do ensino e a desmobilização do movimento estudantil na UFPB — ao contrário de outras universidades que entraram em greve contra o ensino improvisado.
O estopim veio com a intervenção bolsonarista na reitoria. No final de 2020, Jair Bolsonaro nomeou Valdiney Gouveia, o candidato menos votado pela comunidade acadêmica, ignorando a tradição de respeitar os dois mais votados na consulta. A medida gerou indignação generalizada e levou à criação, em 2021, do Comitê de Luta Estudantil Contra a Intervenção.
Antes mesmo da formalização do Comitê, um grupo de estudantes realizou a histórica Ocupa Alef, em homenagem ao estudante assassinado no início de 2020. A ocupação da reitoria durou 40 dias e marcou o reaquecimento do movimento após um longo período de paralisia.
Desde então, o Comitê manteve-se em luta permanente. Participou da campanha Contra a Intervenção Bolsonaro na UFPB, defendeu pautas nacionais como a derrota do golpe de 2016 e a eleição de Lula, e, em meio à escalada do genocídio israelense contra o povo palestino, lançou uma forte campanha em defesa da Palestina. A iniciativa envolveu panfletagens intensas nos campi, atos públicos em João Pessoa, debates abertos na universidade e mobilizações conjuntas com outros movimentos sociais para denunciar o sionismo, exigir o fim imediato do massacre em Gaza e defender o direito do povo palestino à autodeterminação e à resistência. A campanha ganhou destaque por conectar a luta anti-imperialista palestina aos ataques sofridos pela educação pública brasileira, denunciando o alinhamento do imperialismo com o sucateamento das universidades e a repressão aos estudantes.
Valtembergue critica duramente a atual reitoria, que se apresentou como “amiga dos estudantes” durante a eleição, mas nos últimos meses fechou o Restaurante Universitário (RU) por mais de 45 dias e cortou indevidamente bolsas de assistência, mesmo quando o serviço estava suspenso. Diante disso, o Comitê liderou uma barricada na entrada da Residência Universitária, organizou cozinha comunitária e mobilizou especialmente os moradores, os mais prejudicados pelos cortes.
“O que diferencia o Comitê é que nós não nos limitamos a disputas por cargos em CAs, DAs e DCE. Nossa prioridade é a campanha de massa: panfletagens, imprensa, ações diretas e construção de unidade na base”, explica Valtenbergue.
Além disso, membros do Comitê de Luta Estudantil têm participado de atividades de formação política promovidas pela Aliança da Juventude Revolucionária (AJR) e pela Universidade Marxista. Recentemente, o Comitê enviou representantes para a 54ª Universidade de Férias da AJR, em Sorocaba (SP), onde estudam a obra O Capital, de Karl Marx, ao lado de militantes de todo o país, desde índios em luta pela terra até sindicalistas e trabalhadores. Dessa forma, os militantes do Comitê poderão aproveitar a estadia, com aulas, convivência, alimentação e atividades organizadas de lazer até o dia 25/01.
A participação nessa atividade foi vista como oportunidade de aprofundamento teórico e de convivência com uma grande diversidade de pessoas, de diferentes regiões e culturas. O Comitê de Luta da UFPB segue atuando com foco nas demandas dos estudantes da universidade e na construção de uma luta popular, anti-imperialista e em defesa dos estudantes.



