O artigo, Um novo mapa-múndi está se formando?, de Luis Pellegrini, publicado no Brasil247 neste sábado (17), trabalha com um conceito arraigado, mas equivocado, de que existe a possibilidade da existência de um mundo multipolar.
Para Pellegrini, “em termos de geopolítica, sim. Estamos de fato desenhando um “novo mapa-múndi”, não no sentido cartográfico clássico, mas na redistribuição real de poder, alianças, rotas econômicas e esferas de influência. O mundo não está apenas mudando: ele está se reorganizando estruturalmente.” – grifo nosso.
O articulista escreve que “após o fim da Guerra Fria – lá pelos idos de 1901, com a dissolução da União Soviética, consolidou-se um mundo unipolar, com hegemonia dos Estados Unidos. Esse modelo está em crise: estamos rapidamente passando de um mundo unipolar a um mundo fragmentado. Hoje, emerge um sistema multipolar, marcado por: disputa entre grandes potências (EUA, China, Rússia), autonomia estratégica de potências regionais, enfraquecimento das instituições multilaterais clássicas (ONU, OTAN, etc)”.
A União Soviética nunca rivalizou com o imperialismo. Apesar de as tensões militares se concentrarem entre o Pacto de Varsóvia e a OTAN, o controle dos mercados mundiais, fontes de matérias-primas e do sistema financeiro estiveram sempre nas mãos do imperialismo, liderado pelos Estados Unidos.
No terceiro parágrafo, Pellegrini diz que “as guerras contemporâneas redesenham fronteiras invisíveis. Conflitos armados e tensões prolongadas não apenas deslocam fronteiras físicas, mas reorganizam alianças globais: a guerra na Ucrânia reposiciona a Rússia frente ao Ocidente; o Oriente Médio permanece como epicentro de instabilidade sistêmica; a Ásia-Pacífico torna-se o novo centro da disputa estratégica global”.
A Rússia fez um movimento defensivo na Ucrânia, pois o imperialismo estava prestes a incluir o país na União Europeia e na OTAN.
No Oriente Médio, “Israel” está tendo sérios problemas enfrentado o Eixo da Resistência. Os sionistas não conseguiram derrotar o Hamas em Gaza, não avançam no Líbano; e, principalmente, sofreram uma derrota memorável na Guerra dos 12 Dias contra o Irã, e este se mostrou como a maior potência militar na região. Quanto à Ásia, é o alvo principal do imperialismo, que posiciona suas peças em volta da China.
A China
O articulista sustenta que no “novo modelo geopolítico do mundo, um dos destaques mais notáveis é a ascensão da Ásia e do Sul Global. A China deixa de ser apenas ‘fábrica do mundo’ e passa a atuar como: potência tecnológica, financiadora de infraestrutura, alternativa diplomática ao modelo ocidental”. É exatamente esse caminho da China que o imperialismo não pode permitir. Por isso, vemos o fortalecimento de acordos militares e blocos regionais como AUKUS e QUAD. Neste último estão Austrália, Índia, Estados Unidos e Japão, país que está levantando o tom contra a China e que pode ser a ponta de lança do imperialismo.
Os países imperialistas não vão ficar assistindo os chineses tomando mercados e se tornando uma potência tecnológica, uma guerra é questão de tempo.
BRICS
Segundo Luis Pellegrini, “blocos como o BRICS ganham peso, questionando: a centralidade do dólar, o poder do FMI e do Banco Mundial, a hierarquia política herdada do pós-1945”. De fato, os países desse bloco econômico estão tentado se proteger dólar muito mais que o questionar.
Por outro lado, há membros no BRICS profundamente comprometidos com os Estados Unidos, como Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Novo mapa?
Após fazer algumas considerações sobre cadeias globais e papel da Europa, Pellegrini afirma que “a conclusão a que se pode chegar, quando se observa o atual momento histórico, é que o mapa do mundo está realmente sendo redesenhado – mas ainda não terminou. Não existe ainda um ‘novo mapa-múndi’ acabado. O que existe é um mapa em disputa, fluido, instável, fragmentado. As linhas não são traçadas apenas por exércitos, mas por: sanções, tecnologia, finanças, narrativas e informação”.
É curioso que o autor acredite que o tal redesenho do mapa não é traçado apenas por exércitos, quando no mundo estão eclodindo conflitos armados por toda parte; a Alemanha está numa corrida acelerada para se armar. O mesmo para o Japão. Tivemos o cerco militar à Venezuela que redundou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. A militarização do mundo está a pleno vapor.
Pellegrini faz um retrato do mundo como se “redesenhos” de mapas pudessem ser feitos a frio. Após duas guerras mundiais, está mais do que claro que a “solução” para os conflitos entre o imperialismo, China e Rússia, passarão pelo confronto militar. É certo que o poder de dominação das potências imperialistas estão em franco declínio, mas elas não vão cair sem atirar.
América Latina
Luis Pellegrini acredita que “durante décadas, a região se acostumou a uma posição ambígua: exportadora de commodities, politicamente fragmentada e dependente do eixo liderado pelos Estados Unidos”. Não havia ambiguidade de posições, o continente sempre foi explorado e a condição de exportador de commodities é uma imposição de quem nos domina, o imperialismo.
O modo como Pellegrini analisa o que está acontecendo no mundo, as tensões que se estabeleceram, são colocadas como se fosse um jogo em que o resultado se desenvolve naturalmente, mas não é assim, pois um jogo tem regras. No mundo real a única regra válida é a lei do mais forte.
Dito de outra maneira, o imperialismo não vai jogar um jogo onde um ou mais jogadores possa superá-lo, ou tomar sua posição. Não vai permitir um mundo multipolar, não sem lutar. Multipolaridade é apenas um termo que tem se repetido, mas que não encontra apoio na realidade.




