Editorial

Todo apoio aos protestos das crianças contra a Lei Felca

Crianças de 8 a 10 anos já demonstram um amadurecimento político superior ao de gerações passadas, fruto da circulação massiva de dados na Internet

O cenário das liberdades democráticas, sob intenso ataque da burguesia, apresentou recentemente um episódio singular e positivo, vindo de uma plataforma de jogos: o Roblox. Em resposta à decisão da rede social de proibir a comunicação por voz entre os usuários, uma onda de protestos tomou conta do ambiente virtual. Crianças na faixa dos 8 aos 12 anos organizaram manifestações, exibiram cartazes e chegaram a simular a queima de veículos digitais em sinal de protesto. Em reação, a plataforma proibiu os cartazes.

A chamada “Lei Felca”, defendida por setores da esquerda nacional sob o pretexto de combater a pedofilia, revela agora sua verdadeira face. A lei confere às plataformas um poder absoluto sobre seus usuários. O que se estabeleceu foi um regime onde a empresa tem o poder discricionário de fazer e desfazer direitos básicos de comunicação.

O segundo aspecto importante deste episódio é o alto nível de radicalização e consciência política demonstrado pelos jovens. A revolta no Roblox prova que o alvo real não é a criminalidade, mas o controle político e o acesso à informação.

A tentativa de infantilizar o debate é uma marca do identitarismo. Analistas e colunistas da burguesia e da esquerda pequeno-burguesa apressaram-se em negar o caráter político das manifestações. É o caso de Sara York, colunista do Brasil 247, que ignorou a substância da revolta para justificar a censura. Ao evitar discutir o mérito da insatisfação das crianças, esses setores tentam encobrir o fato de que, em uma sociedade saturada de informação, a consciência política desperta cada vez mais cedo.

Historicamente, a juventude e a adolescência foram componentes essenciais de mobilização. Nos ciclos revolucionários de 1968 e 1979, os estudantes secundaristas (de 12 a 16 anos) atuaram lado a lado com os universitários. O que ocorre hoje é um aprofundamento desse fenômeno: crianças de 8 a 10 anos já demonstram um amadurecimento político superior ao de gerações passadas, fruto da circulação massiva de dados na Internet.

O objetivo central da censura defendida pelos “bem-pensantes” é justamente impedir essa organização. Querem evitar que a juventude tenha acesso a informações que fujam ao controle estatal e corporativo. A resposta dada pelos usuários do Roblox — como o cartaz de um jovem que ironicamente pedia “Injustiça” para denunciar a falsa “justiça” dos censores — atinge o cerne da questão.

A política de figuras como o influenciador “Felca”, que transitou de ídolo da imprensa burguesa a alvo da fúria juvenil por sua defesa de medidas restritivas, é vista pela juventude como uma grande vigarice. A tentativa de impor um golpe contra o direito de milhões de jovens brasileiros se comunicarem é uma monstruosidade política.

A revolta das crianças deve ser apoiada e incentivada. É urgente exigir a revogação de toda legislação de censura. O que aconteceu no mundo virtual do Roblox é apenas o prelúdio de manifestações que, inevitavelmente, transbordarão para as ruas.

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