Diretamente da 54ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO) e do acampamento da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), o presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta realizou, neste sábado (17), a tradicional Análise Política da Semana pela Causa Operária TV. O debate percorreu desde a resistência política espontânea de crianças em redes sociais até os graves desdobramentos do “cassino financeiro” envolvendo o Banco Master e o Poder Judiciário brasileiro. No plano internacional, Pimenta denunciou o que chamou de “execução de um plano de guerra” do imperialismo contra o Irã e a Venezuela, criticando duramente as capitulações de setores da esquerda nacional.
O dirigente iniciou a análise destacando um fato positivo nas liberdades democráticas: o protesto na rede social infantil Roblox. Jogadores de 8 a 12 anos se revoltaram contra a proibição de comunicação por voz, realizando manifestações virtuais com cartazes e queima de carros digitais. “A resposta da rede foi proibir os cartazes. Quer dizer: o negócio é reprimir, reprimir, reprimir”, pontuou.
Segundo o presidente do PCO, o episódio expõe a natureza da chamada “Lei Felca”, apoiada por setores da esquerda sob o pretexto de combater a pedofilia. “Esse combate é dar às redes sociais poder absoluto para fazer o que quiserem com os usuários”, explicou. Ele argumentou que a lei serve para retirar dos jovens o direito ao acesso à informação, e que a revolta das crianças prova que elas possuem consciência política. “Se crianças de 8 a 12 anos tiveram esse nível de revolta, imagine os de 14, 15, 16 anos que também seriam censurados”, afirmou.
O dirigente direcionou críticas à colunista Sara York, do Brasil 247, que teria ignorado o caráter político do protesto das crianças para justificar a censura. Para ele, a legislação é obra dos “gloriosos identitários” que, na tentativa de proteger a todos, acabam reprimindo a todos. “O garoto que postou ‘Eu quero injustiça’ pegou na veia. Quer dizer, se isso daí é justiça, eu quero injustiça”, ironizou, reforçando que o caso Roblox é uma resposta contundente contra a minoria que tenta controlar a maioria.
Sobre a política interna, o presidente do PCO classificou o caso do Banco Master como um “escândalo gigantesco” que envolve instituições financeiras e famílias de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Citou notícias sobre contratos envolvendo a esposa de Alexandre de Moraes e investimentos em propriedades da família de Dias Toffoli. “Tem parlamentares, governadores e diversos prefeitos que colocaram dinheiro da prefeitura no Banco Master”, denunciou.
Pimenta explicou que existe uma pressão para que o banco seja encampado pelo BRB, o que ocultaria a falcatrua e transferiria uma conta de R$50 bilhões para os cofres públicos federais. “É um cassino financeiro, um jogo de pirâmide que a qualquer momento pode desabar”, alertou. Ele criticou severamente o fato de o processo transcorrer em segredo de justiça: “Obrigação número um de qualquer autoridade é colocar as coisas claras para que o país possa ver. É uma barbaridade total”.
Ao tratar do tema principal, a contra-ofensiva do imperialismo, o presidente do PCO rejeitou as análises tradicionais da esquerda que focam em conceitos abstratos de democracia. “Não há nenhum paraíso da democracia. O que nós temos é uma política de guerra do imperialismo contra países que se insurgem contra a ordem mundial estabelecida”, afirmou.
Para Pimenta, o cerco à Venezuela e os recentes acontecimentos no Irã mostram que o imperialismo está preparando um conflito em larga escala. Ele defendeu que a China é o alvo principal por ser um problema econômico, oferecendo acordos mais vantajosos que os coloniais propostos pelo Ocidente. “O acordo que o Lula fez do Mercosul é um acordo de tipo colonial”, comparou.
Sobre os recentes distúrbios no Irã, ele afirmou que se tratava de algo muito além de uma “revolução colorida”. “O que aconteceu já é um ato de guerra. Foi um movimento armado de fora para dentro para permitir a intervenção militar imperialista”, explicou, citando a interceptação de 60 mil armas pelo governo iraniano.
Ele criticou a esquerda brasileira por apoiar o que seriam “mobilizações populares” no Irã. “Saíram abertamente em defesa do imperialismo. Se o governo iraniano cair, os problemas do imperialismo naquela região ficam resolvidos por um longo período. Seria um desastre total e completo”, alertou.
Um dos pontos centrais da reportagem foi a defesa do governo nacional contra agressões externas, independentemente de seu caráter interno. O dirigente resgatou a posição de Leon Trótski sobre o Brasil de 1937: “Se houvesse uma guerra entre a Inglaterra democrática e o Brasil fascista, você deveria estar ao lado do regime fascista se o Brasil fosse agredido”.
Ele comparou a situação atual com a Guerra das Malvinas, onde a esquerda argentina apoiou a invasão contra a Inglaterra, apesar de se opor a ditadura militar local. “Ou você apoia a invasão ou você não apoia. Se você for sabotar, você não apoia o país”, explicou. Rui Pimenta concluiu que a derrota do imperialismo por qualquer meio — seja pela Rússia ou pelo Talibã — é sempre um fator revolucionário porque enfraquece o opressor mundial.




