Polêmica

Se Trump é Hitler, quem seria Biden, o senhor das guerras?

A maioria da esquerda trata Trump como um novo Hitler, mas seus antecessores fizeram coisas ainda piores

Trump e Biden

O artigo Em Trump, o nazismo ressurge com toda ferocidade, de Jair de Souza, publicada no Brasil247 nesta sexta-feira (16), revela que a maioria da esquerda não percebeu o que foram os governos democratas nos EUA, nem o que vem acontecendo na Europa.

Jair de Souza inicia seu artigo dizendo que “alguns acontecimentos dos recentes dias servem como provas evidentes de que o espírito e a prática que caracterizaram o nazismo hitlerista voltaram a ocupar o centro da política no atual país símbolo do mundo ocidental. Logicamente, estamos fazendo referência aos Estados Unidos e às políticas determinadas e levadas adiante por Donald Trump e seus auxiliares.”.

No período Biden, pelo menos 1,5 milhão de pessoas foram deportadas, e ninguém se lembrou de compará-lo a Hitler. Barack Obama, cujo vice era Joe Biden, apoiou o Euromaidan e a subida dos nazistas ao poder na Ucrânia. Lembrando que a OTAN treinou e armou grupos como o Batalhão Azov.

A diferença de Donald Trump para os democratas “bonzinhos”, é que ele anda fazendo barulho, enquanto os outros trabalhavam na surdina.

Blitz

Segundo Jair de Souza, “não há como não fazer uma associação direta entre as blitzkriegs hitleristas contra a França, Bélgica e Holanda nos períodos prévios à II Guerra Mundial, por exemplo, e a recém efetuada agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela, a qual redundou no assassinato de cerca de uma centena de pessoas e no sequestro do legítimo presidente deste país latinoamericano e de sua esposa. As semelhanças são por demais visíveis para não serem notadas de imediato.”.

A ação de sequestrar Maduro foi, sem dúvida, uma grave agressão. Na Líbia, no entanto, Gadafi foi assassinado, e isso na gestão Obama, aquele que ganhou um Nobel da Paz, mas iniciou os bombardeios e o bloqueio econômico criminoso contra a Síria.

Na Europa civilizada, a polícia espanca nas ruas pessoas que utilizem um simples quefié. No Reino Unido, há mais de 14 mil presos, pessoas que lutam contra a política nazista do governo israelense. Nenhum governante desses países é tratado como Hitler. Aliás, pouco se fala sobre isso na imprensa alternativa, a maioria das denúncias ficam restritas às redes sociais.

“Novo nazismo”

Antes de fazer comparações, seria necessário antes caracterizar o que foi o fascismo. Essa corrente surgiu como uma maneira de tentar frear as tendências revolucionárias da classe trabalhadora. Mussolini, e depois Hitler, focaram principalmente em atacar os órgãos da classe trabalhadora, como sindicatos, partidos. Acabaram com direito de greve, liberdade de organização.

Na Alemanha, Hitler prendeu e matou 60 mil sindicalistas. Para intelectuais, como Maurício Tragtenberg, foi aí que começou o Holocausto.

Trump não está atacando a classe trabalhadora americana, sua atitude, na verdade, é uma demagogia. Ao expulsar imigrantes ilegais, tenta aparecer para seu eleitorado como um defensor dos americanos que teriam seus empregos “roubados” pelos imigrantes.

Jair de Souza escreve que “em função de suas peculiaridades, (…) poderíamos chamar de nazitrumpismo esta nova versão da conhecida ideologia de extrema direita. Para o articulista “estamos falando de um pensamento que se assenta em pilares claramente supremacistas e intrinsecamente vinculados aos interesses mais flagrantes do grande capital”.

Trump não fez nenhum pronunciamento abertamente supremacista, chegou mesmo a criticar a Klu Klux Klan e grupos neonazistas. Ainda que tenha agido em favor do grande capital em relação à Venezuela, o presidente americano está ligado ao grande capital doméstico nos Estados Unidos. As divergências são claras, basta ver todo esforço que o imperialismo fez para tentar impedir sua reeleição.

Bolsonarismo

A imprensa de esquerda ao tratar da questão Trump, invariavelmente levará o assunto para o bolsonarismo. O interesse do presidente americano é óbvia, para ele é importante ter como aliado. Jair de Souza trata o bolsonarismo como apenas um caso patológico de subserviência, uma vez que Eduardo Bolsonaro tratou de desfilar com um boné do MAGA.

A coisa não é tão simples, Bolsonaro, além das questões ideológicas, estava atrás de negócios. Quando se viu obrigado a comprar fertilizantes da Rússia para não desabastecer o agronegócio, Bolsonaro acabou contrariando seu amigo do norte.

Recrudescimento

Souza escreve que “não há dúvidas de que o nazitrumpismo representa uma grave ameaça para a humanidade em seu conjunto, mas os povos americanos estão muito mais vulneráveis na conjuntura atual”. Porém, analisando friamente, Joe Biden, ao iniciar sua investida contra Taiuam, ao obrigar a Rússia a invadir a Ucrânia, colocou em perigo não apenas os povos americanos, mas todo o planeta.

Trump, por mais que seja um direitista, está tentando costurar um acordo de paz na Ucrânia. Sua base econômica pressiona para que livre das guerras eternas. É claro que vai agir para prejudicar outros países, pois é presidente da maior potência mundial.

Por mais que tenha de ser combatido, Trump não é pior que seus antecessores. A esquerda que hoje liga Trump ao nazismo, estava ontem fazendo campanha para Joe Biden e o consideravam um mal menor. Logo ele, que pode ter disparado a largada para a Terceira Guerra Mundial.

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