Na 54ª Universidade de Férias da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), realizada no hotel-fazenda Estância Primavera, em Sorocaba (SP), a terceira aula do curso introdutório sobre O Capital, de Karl Marx, ministrada por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), concentrou-se em responder dúvidas dos participantes e aprofundar o entendimento dos conceitos já apresentados.
A aula funcionou como um momento essencial de consolidação, esclarecendo temas que geram confusão frequente entre os participantes do curso, como a distinção entre trabalho produtivo e improdutivo, a categoria lumpemproletariado e a posição de classe de diferentes setores sociais.
O professor começou enfatizando que os trabalhos improdutivos, do ponto de vista do capital, não são necessariamente inúteis ou dispensáveis para a sociedade. Alguns, como certas atividades de propaganda voltadas exclusivamente à venda de mercadorias, podem ser considerados socialmente desnecessários. Outros, porém, são indispensáveis, como o trabalho de professores do ensino fundamental, que formam as novas gerações. Até mesmo os revolucionários, que dedicam suas energias à luta pela transformação da sociedade, exercem um trabalho improdutivo sob a lógica capitalista, mas de importância vital para a sobrevivência e o futuro da humanidade.
Rui Costa Pimenta alertou que o essencial do curso não consiste em tentar aplicar mecanicamente os conceitos de O Capital à realidade atual. Essa aplicação direta exigiria, por exemplo, o conceito de imperialismo, tema que não será tratado na obra de Marx nem neste curso introdutório. O objetivo principal é apreender os fundamentos científicos da crítica da economia política desenvolvida por Marx, que permanecem válidos como base para qualquer análise séria do capitalismo.
Sobre a questão do lumpemproletariado, foram feitas distinções importantes. O gari, por exemplo, realiza um trabalho análogo ao do operário, mas não produz diretamente mercadorias, o que o coloca na categoria de lumpemproletário. Já os policiais, embora também lumpemproletários, exercem uma função distinta: não realizam atividade útil à produção, mas atuam fundamentalmente na repressão da classe operária.
A dúvida sobre os professores também foi esclarecida: eles não se enquadram como lumpemproletários. Devido à sua formação universitária, compõem um setor mais baixo da própria burguesia, a pequena burguesia intelectual.
Pimenta reforçou ainda que tanto trabalhos produtivos quanto improdutivos podem ser úteis ou não para a maioria da sociedade. Um joalheiro que produz joias caras realiza um trabalho produtivo (gera mercadoria), mas sua utilidade é restrita a uma minoria abastada. Já muitos trabalhos intelectuais, embora se dirijam predominantemente aos interesses da burguesia, por vezes, com investimentos bem menores, se voltam também à classe trabalhadora sendo útil para a população necessitada.
Dois exemplos disso seriam o SUS e a Defensoria Pública. É evidente que a saúde é muito mais avançada e recebe mais investimentos para atender à burguesia, assim como a advocacia, mas a população também acessa esses recursos através do poder público, como resultado da mobilização popular, subvertendo a orientação do capitalismo, a qual prevê que esses recursos seriam exclusivos da burguesia.
Por fim, abordou-se a situação dos camponeses e povos indígenas. A luta desses setores gira em torno da propriedade da terra. Quando se tornam proprietários, integram a burguesia rural; quando não possuem terra, fazem parte da classe camponesa, uma classe não fundamental no capitalismo, mas que, por sua luta pela terra, tende a se alinhar à classe operária em momentos de confronto de classes.
A aula cumpriu seu papel de esclarecer conceitos que muitas vezes aparecem distorcidos ou mal compreendidos, preparando o terreno para os desenvolvimentos mais complexos que virão nas próximas aulas do curso.
O estudo introdutório de O Capital prossegue nos próximos dias, combinando o estudo teórico com o lazer característico da Universidade de Férias. O evento segue até 25 de janeiro, com possibilidade de participação presencial ou virtual pela plataforma Universidade Marxista (unimarxista.org.br). Informações e inscrições: (11) 99741-0436.





