Jogadores na rede protestam contra bloqueio dos meios de comunicação por texto e voz e novas restrições etárias no jogo digital Roblox ocorrido no dia 7 de janeiro. Roblox é um jogo na rede digital em que os jogadores podem criar seus próprios mapas e mini-jogos. A proposta dele é dar liberdade para os jogadores e canalizar sua criatividade, de modo que tem a comunicação, agora proibida, como a base de seu funcionamento.
O jogo tem um amplo público infantil e juvenil. O Roblox conseguiu chamar a atenção de jovens e adolescentes como um espaço livre para socialização e brincadeiras. Ele tem um traço simples e permite que jogadores criem e modifiquem livremente seus avatares, a forma como eles serão vistos pelos demais. Os jogos do Roblox seguem padrões bem simples e repetidos, como brincadeiras de rua ou festas infantis adaptadas para o ambiente digital. Funciona como um parquinho digital gigante: você entra numa sala com dezenas de desconhecidos (ou amigos), e todo mundo repete a mesma ação básica em rodadas rápidas de 2 a 10 minutos.
A política de restrição de conversas recebeu uma forte reação da comunidade de jogadores, que realizaram protestos digitais dentro do próprio jogo, utilizando o sistema de placas do jogo para expressar sua insatisfação com o fim dos chats (os meios de comunicação por texto e voz): “roblox faliu”, “ROBLOX é MUITO CHATO NãO DEIXA NóS USAR O CHAT”, “QUEREMOS O CHAT DEVOLTA ROBLOX”, “O JOGO TÁ MT CHATO N DA PRA FALAR COM OS VAMOS LEVAR O CANAL LIXO DO FELCA PRO FUNDO DO POçO” estão entre os textos das placas usadas nas manifestações.
Uma jogadora fez um relato pessoal dizendo que é excluída na escola, mas conseguiu fazer amizades no jogo e agora, com a restrição de idade, ficou muito triste: “EU NãO FAZIA AMIZADE SOU EXCLUÍDA MAIS NO JOGO TODOS ME AMAVA MAIS AGORA O ROBLOX ME DEIXOU COM DEPRESSãO”.
Vídeos mostram as manifestações dentro do próprio jogo:
Outros atos virtuais:
Os protestos dos jovens e crianças começaram após a empresa desenvolvedora do Roblox implementar uma nova política de restrição de idade, que bloqueia de forma imediata as comunicações de crianças até 9 anos, só permitindo a liberação parental, que exige reconhecimento facial dela e dos pais e para crianças da mesma faixa etária ou contas autorizadas manualmente pelos pais, todas com exigência de reconhecimento facial e leituras de códigos com a câmera do celular para provar a proximidade física.
A nova política de restrição de comunicação por idade divide os jovens, crianças e adolescentes em grupos etários e só permite a comunicação entre pessoas da mesma faixa etária e com autorização dos pais num processo extenso e burocrático. Além disso, mesmo quando há autorização para o chat, há restrições que censuram qualquer rede social, menções a fotos, qualquer link, etc.
Jovens de 16 a 17 anos, por exemplo, podem falar sem autorização dos pais com pessoas de 18 a 20 anos, mas pessoas dessa faixa etária mais alta não podem entrar em contato com eles, estes precisam entrar em contato para a conversa iniciar. Jovens de 16 a 17 anos ficam proibidos de falar com pessoas de 21 anos ou mais.
A restrição foi aplicada no mundo inteiro e, no Brasil, ficou associada à Lei Felca (Lei nº 15.211/2025) de 17 de setembro de 2025, a qual atacou a privacidade de todos nas redes e restringiu fortemente a liberdade das crianças e jovens no meio digital em nome de um suposto combate à “adultização”.











