Nesta terça-feira (13), a central sindical CSP-Conlutas, ligada ao PSTU, publicou em seu sítio um artigo intitulado Repressão no Irã leva à morte de centenas de manifestantes por melhores condições de vida, colocando o partido morenista, mais uma vez, como verdadeira sucursal da CIA na esquerda brasileira.
No primeiro parágrafo, lê-se que “centenas de manifestantes foram mortos pelo governo do Irã, nas últimas semanas, em retaliação aos protestos que se espalham pelo país. Estima-se que até 500 pessoas possam ter sido assassinadas, enquanto milhares de feridos lotam os hospitais”.
O que o PSTU não diz é que esses números estão sendo informados por ONGs financiadas pelo NED/CIA e estão longe de ser verdade, como denunciou o portal The Grayzone. Outra “informação” é que as mortes teriam sido resultado da repressão do governo, mas inúmeros vídeos nas redes sociais mostram “manifestantes” atirando com armas automáticas não apenas contra as forças de segurança, mas também contra a população civil.
Outras gravações mostram atiradores em cima de prédios e construções inacabadas disparando contra a multidão. E autópsias comprovam que muitos dos mortos têm perfurações à bala na parte superior do crânio, indicando que foram acertadas de cima.
No segundo parágrafo, têm-se que “as mobilizações começaram em 28 de dezembro denunciando a piora na qualidade de vida, a alta inflação, o crescimento da desigualdade e a política econômica liberal da teocracia iraniana, alinhada aos interesses da elite”. O que o PSTU esquece de explicar é que essa crise é fruto de décadas de embargo econômico, um dos maiores crimes cometidos pelo imperialismo contra os oprimidos e uma política genocida que penaliza a população de inúmeros países, como Venezuela, Cuba e outros.
O texto continua com mais mentiras pró-imperialistas e diz que “os atos que começaram com os comerciantes ‘bazarii’ logo tiveram o apoio de estudantes universitários, trabalhadores, classes médias, nacionalidades oprimidas e populações de cidades do interior”. É fato que os comerciantes foram os primeiros a ir às ruas e por motivos legítimos, reconhecidos pelo próprio governo, que inclusive deixou que os manifestantes fizessem livremente suas passeatas. O problema é que, depois disso, os atos foram cooptados pelo imperialismo, infiltrando agentes do Mossad e afins para desestabilizar o país persa.
O PSTU deixa isso passar apesar das centenas de vídeos nas redes com agitadores sendo pagos, recebendo drogas, armas e dinheiro antes de incitarem a violência. A presença desses agentes foi reconhecida até por Mike Pompeo, ex-secretário de Estado norte-americano na primeira gestão de Donald Trump, que saudou no Irã os agentes em solo.
O PSTU continua atacando o Irã e escreve que “sob a tutela do líder religioso Ali Hosseini Khamenei, o regime iraniano está fragilizado pelas sanções externas impostas pelo imperialismo, mas também pela queda brusca da popularidade, reflexo das duras condições de vida experimentadas pelo povo”. Mais uma vez, retira a culpa do imperialismo por jogar a população na miséria por meio do bloqueio por meio do eufemismo de que o país está simplesmente “fragilizado”.
Críticas a quem luta
Nesse artigo, o PSTU faz questão de desmoralizar o Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), ponta de lança da luta contra o imperialismo no Oriente Próximo. O general Qassem Soleimani, o gênio militar que arquitetou o Eixo da Resistência, por exemplo, foi comandante da Força Quds, uma unidade de elite dentro da Guarda Revolucionária.
O Eixo da Resistência é uma obra-prima da estratégia militar. Ele conseguiu montar uma estrutura monumental contra o imperialismo e o sionismo. O Eixo é composto por grupos religiosos distintos e até mesmo laicos, com grande capacitação militar e tecnológica. Cada unidade tem autonomia para fabricar seus armamentos, e as unidades se encontram no Irã, Iêmen, Palestina, Líbano e Iraque. Até a queda de Assad, esteve também na Síria.
O PSTU, no entanto, escreve que “a principal força de repressão no Irã trata-se da Guarda Revolucionária (IRGC/Pasdaram), que configura-se como um exército paralelo de elite, com aproximadamente 125 mil integrantes, mais bem pagos e armados que o exército regular”.
Adiante, diz que “a guarda é financiada por cerca de 50% do dinheiro obtido com o petróleo do país, além dos dividendos de outras áreas importantes controladas pela elite como a construção civil, a comunicação e o agronegócio”.
Pintam a Guarda como algo apartado dos interesses da população, uma espécie de burocracia fardada. Quando se trata, na realidade, de uma organização revolucionária composta pela própria população, que decide pegar em armas para defender a revolução islâmica. São verdadeiros papagaios das piores mentiras fabricadas pela imprensa imperialista.
Segundo o PSTU, “uma parte importante da tática utilizada pela repressão é o corte da internet em todo o território iraniano para impedir a comunicação entre as pessoas e a divulgação das barbaridades que estão sendo cometidas”. O que não passa de mais desinformação.
O governo cortou a Internet justamente porque os agentes infiltrados estavam se comunicando por esse meio. Quando foi cortada a Internet, os grupos ficaram completamente no escuro e o governo pôde controlar a situação. Inclusive, seria de interesse divulgar as barbaridades, pois os “manifestantes” assassinaram dezenas de policiais desarmados, muitos tiveram o corpo incendiado ou foram decapitados. Há vídeos de crianças dentro de mesquitas tentando fugir de pedras e coquetel molotov, atrocidades causadas pelos agentes do Mossad, CIA e MI6.
Ainda que o texto diga que “EUA e Israel são ameaças”, atacar o Irã, seu governo e sua Guarda serve justamente aos interesses desses dois Estados criminosos.
De novo o ‘Fora todos’
A tática do PSTU para tentar esconder sua política pró-imperialista é fazer uso de uma verborragia “ultrarradical”. Em 2016, por exemplo, saíram com a campanha do “Fora todos”. Esse “todos” incluía a saída de Dilma Rousseff, justamente o objetivo do imperialismo.
Esse partido disse que não sairiam das ruas até “todos” saírem. No entanto, bastou Dilma Rousseff sofrer o golpe e esses “revolucionários” recolheram as bandeiras e voltaram para o sofá.
Desta vez não é diferente. Se falam “Nem Trump, nem Maduro”, é a vez do “Nem Khamenei, nem Pahlavi!”. E, claro, não pode faltar o demagógico “Todo apoio ao povo iraniano”. O governo iraniano está lutando contra o imperialismo, que penaliza o povo com sanções e bombardeios. Portanto, não se pode apoiar o povo sem apoiar quem luta contra seu inimigo.
Não adianta disfarçar com a verborragia vazia de que “o povo iraniano deve tomar conta de seu destino apoiando-se na auto-organização, com a criação de conselhos operários e populares e uma liderança independente de potências estrangeiras”. Isso não está colocado na ordem do dia, é só uma cortina de fumaça para esconder a completa adesão do PSTU ao imperialismo, que parece dar as cartas nesse partido.





